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quinta-feira, 3 de julho de 2008

Mistério do Prazer


O prazer é tão difundido, tão proclamado e tão procurado, como se fosse simples de entender, apesar de que todos sentem-no de diversas formas, mas de maneira geral está associado aos 7 pecados, difundidos pela igreja católica e dentre esses, aquele que é o mais procurado pelos homens e as mulheres é o pecado da luxúria, seguido pela gula, embora a ordem possa variar em termos de importância de pessoa para pessoa. O prazer proporcionado pelo sexo é descrito de forma exaustiva na literatura, científica ou não, mas apesar de ser muito retratado em filmes, romances, fantasias, poesia, prosa, ser cobiçado pela maioria, ainda assim permanece envolto em mistério, inclusive, o pecado original, um místico que igreja católica conta de geração em geração e que todos sabem, mas relembrar não ocupa muito espaço e nem muito tempo: Adão e Eva encontravam-se no paraíso (jardim do Éden)podiam usufruir de tudo que lá existia exceto da árvore da Sabedoria e do bem e do mal, porém a serpente tentou Eva esta não só comeu do fruto proibido como ofereceu a Adão e quando Deus se aproximou eles perceberam que estavam nus e tiveram vergonha.... essa cena poderia muito bem representar o prazer fruto do amor e o prazer fruto do sexo... Adão e Eva viviam sob a regência do amor estavam no paraíso sem se aperceberem disso, inclusive desconheciam que tinham sexo, porque segundo dizem os anjos não têm sexo, porém a serpente, sob a regência do maligno ao tentar Eva fez com que ela descobrisse o sexo, mas que só tem sentido se for a dois e daí ela tentar Adão, fazendo com que ele também descobrisse o sexo e ambos conheceram o prazer que dele advém, sem se darem conta que antes já sentiam o prazer, porém não tinham consciência desse prazer. Talvez por isso que, através dos tempos, a serpente tornou-se o símbolo do sexo e este tornou-se o representante do maligno e como tal do pecado, a mulher passou a ser considerada a tentação e em consequência a perdição dos homens, já que por "detrás dos grandes homens existe sempre uma grande mulher" e o paraíso passou a representar o estado de êxtase provocado pela explosão do prazer. Esta é uma interpretação como outra qualquer. Apenas uma tentativa de desvendar o mistério do prazer, se fosse tão simples obter prazer todos alcançariam o êxtase em toda a relação sexual que realizasse, mas na verdade não é isso que acontece com todos.
Existem pessoas que têm relações sexuais com uma frequência elevada e diversificada em termos de parceiros e de técnicas, mas nem por isso obtém o prazer máximo, que leva a sensação de êxtase, de ter alcançado o paraíso, portanto não é a frequência, diversificação que garante a obtenção do prazer.
A busca desenfreada pelo prazer, através do sexo, é tanta, que existem objectos criados justamente para desencadear esse prazer, esquecendo-se de que o prazer em si é fugaz, daí gerar insatisfação permanente que leva a buscar mais e mais incremento e formas de obtenção de prazer, isto tudo é um ato de puro egoísmo, pois visa única e exclusivamente o próprio prazer, tal e qual se o próprio se auto excitasse, um prazer solitário.
Todas as vezes que o Homem buscar dar prazer ao invés de buscar receber, atingirá o êxtase do prazer, porque foi vivido a dois, será conduzido a um estado de plenitude, de leveza tal e qual Adão e Eva no paraíso antes do pecado original, êxtase que é fruto de uma entrega total de ambos, união dos corpos e dos espíritos, visando proporcionar prazer a outro, que retornará para si em dobro: prazer por sentir o prazer do outro e o prazer que o outro devolve em resposta ao prazer que recebeu deste.
O mistério do prazer pode ser resumido em perguntas: Porque o prazer físico, somente a partir do sexo, é fugaz e no momento seguinte nada ficou? porque quando duas almas gêmeas complementares se encontram, obtém um prazer duradouro e uma sensação de querer mais e mais, mas com a mesma pessoa e quando não estão fisicamente presentes, continuam a obter quase que a mesma intensidade de prazer apenas com o pensamento?

4 comentários:

Pedro disse...

Olá Céu!

Algures neste texto, a Céu teoriza a alegoria da maçã como experiência do fruto proibido (linhas 17, 18, 19). A dita cena de degustarem do fruto é uma metáfora para camuflar a relação sexual? (Eu conheço a história, obviamente, mas tomei-lhe o gosto pela simples e ingénua investigação). Eva e Adão tomam conhecimento do sexo (como órgão reprodutor de ambos) e a prática dele (como acto), concluindo que eles descobrem o prazer que dele (órgão e acto) advém. Portanto, factos teorizados. Uma dúvida: como é que se pode descobrir (ou tomar consciência de conhecimento) desse prazer, sem se ter consciência da existência do mesmo, apesar de já antes o deliciarem…. (é uma questão estranha de se colocar!!!). Estar-se-á a questionar se os protagonistas faziam uma eventual confusão entre prazer relacionado com bem-estar e prazer carnal?
No best-seller de Dan Brown, o famoso Código Da Vinci, faz alusão à prática ancestral de Hieros Gamos (ver 1 no final). Um “exercício” sexual diametralmente oposto ao conceito de sexo que hoje em dia conceptualizamos e que outrora era “exercício” sagrado na qual os intervenientes de sexos opostos amavam-se reciprocamente até atingirem o clímax. E era nestes momentos breves, efémeros, em que decorria o clímax, que se proporcionava a possível “comunhão” com Deus.
Hoje em dia, esse momento único (o clímax) que se caracteriza pelas descargas de energias agradavelmente extenuantes devido ao “consumo” da paixão e/ou dos desejos dos corpos, vulgarmente designado por orgasmo (estranha coincidência/ semelhança de fonética com Hieros Gamos, não é? Será impressão minha ? ;D ), não passa disso mesmo… uma fogueira brevemente acesa a enfatizar a apoteose de sentimentos lubrificados de desejos lascivos…. Uma fogueira que se alimenta de paixões e sentimentos e que culmina “injustamente” (ver 2 no final)com um breve êxtase de energias agradáveis.
A resistência do corpo físico rende-se a uma explosão de prazer que não se consegue controlar bem, ainda que por breves instantes/ segundos. Porquê tão rápida, efémera, sucinta? Será que o nosso cérebro ainda não está preparado para gerir uma função exponencial de prazer mais prolongado? Será que se esse prazer não acabasse de forma tão breve, entraríamos num estado de marasmo psicológico?

Beijinhos.

Pedro


1 Uma breve consulta à Wikipédia explica a filosofia do exercício.
2 Será justo da minha parte aplicar o termo «injusto» quando termino de escrever o comentário, faço referência às possíveis e eventuais limitações do cérebro? Ou seja, será justo o de essa sensação ser breve?

Céu disse...

Pedro, Obrigado por seu comentário... coloca perguntas muito complexas que exigem uma reflexão mais aprofundada, penso que não tenho respostas, mas vou tentar:
Não vejo como "metáfora para camuflar a relação sexual" mas sim como um simbolismo, eles saboreavam todos os frutos sem tomar consciência de se sabor, tal qual amavam-se e sentiam prazer, mas não tinham consciência desse prazer e muito menos dos seus corpos como fonte de prazer, faziam-no naturalmente, exatamente como o bebê ao ser colocano no colo da mãe consegue encontrar o seio, sem que tenha consciência de que é ali a sua fonte de alimento e prazer. A partir do momento em que "ouviram o maligno" através da serpente, tomaram consciência dos seus corpos como fonte de prazer, individualizaram-se, caso contrário como explica que "após comereem o fruto, tomaram consciência da nudez dos seus corpos e cobriram justamente as partes que geram o prazer?
Já deve ter ouvido muitas vezes "eu era feliz e não sabia". Adão e Eva só souberam que viviam no paraíso quando o perderam, até então, tinham o prazer pleno,fruto da união total, consolidação através da união dos corpos, do prazer que teve início com a união dos espíritos (estes,asexuados) sem que tivessem consciência desse prazer, talvez fosse a isso que se referia o "Hieros Gamos", havendo encontro dos 2 espíritos, Deus seria alcançado, uma vez que Deus está no espírito de cada um.
Em relação às 2 últimas perguntas, interiormente até teria resposta e seria capaz de partir dela formular uma teoria hipotética, porém não conseguiria exteriorizar de forma lógica e coerente.
Suas perguntas induziram a uma reflexão mais aprofundada daquilo que foi escrito, fruto de um momento, sem pesquisa prévia. Espero que tenha ido ao encontro dos seus questionamentos, se não foi, aguardo novo comentário para que possamos refletir juntos até chegarmos, ou não, num denominador comum.

Pedro disse...

Olá Céu!

Fiquei mais elucidado sobre a sua explicação quanto ao prazer “inocente” que sentiam Eva e Adão antes do pecado original. Uma outra questão que colocaria agora teria a ver com o fruto. Porquê uma mação? Porque não uma laranja, um pêssego, ou outra fruta qualquer? Que simbolismo acarreta a maçã?
Estive a pensar sobre este assunto (a temática do mistério do prazer), até que me lembrei de uma revista que costumava assinar até há uns anos atrás. Li o artigo, e para não o estar aqui a transcrever na íntegra, escreverei aqui os argumentos mais importantes, procedendo desta forma, uma possível síntese.
«O prazer é efémero. Não se trata de uma expressão poética, mas de uma realidade comprovada. As fronteiras do gozo podem ser forçadas ou alargadas? Em princípio, sim. De facto, é isso o que as drogas fazem; mas com o tempo, pode tornar-se um recurso mais contraproducente do que recomendável. George Koob, neurocientista do Instituto Scripps Research de La Joya, Califórnia, compara o sistema de prazer a um banco: Se tiramos muito dinheiro, da nossa conta, o dinheiro que lá temos gasta-se rapidamente. Com o prazer acontece o mesmo, se abusarmos dele, esgota-se.
É precisamente o facto de ser finito e breve que converte o prazer em algo não só agradável como também indispensável à sobrevivência da espécie. O prazer é, em essência, um sistema de recompensa que guia as nossas acções e nos “premeia” quando satisfazemos as nossas necessidades básicas: comer, beber, procriar.
Imaginemos um animal, ou um hominídeo, cego pelo prazer estonteante de um festim. Nesse estado, seria uma presa muito fácil para qualquer predador, ou para os seus inimigos. Para evitar esse risco, o próprio cérebro põem em marcha os mecanismos que limitam a duração e a intensidade da sensação de prazer.
E são dois os mecanismos que evitam que o êxtase se perpetue indefinidamente. O primeiro consiste em reduzir os níveis de dopamina e de endorfinas, os neurotransmissores responsáveis pelas sensações de prazer. O segundo, em elevar os níveis de stress. A combinação de ambos provoca um efeito quase “castrador” sobre o prazer. Este processo foi denominado pelos cientistas como “saciedade sensorial específica”. Em resumo: o cérebro ordena ao corpo que se defenda contra a tentativa de alargar excessivamente a sensação de prazer. A finalidade? Evitar que a pessoa se abandone ao marasmo do gozo e permitir que se possa concentrar noutras tarefas necessárias à sua sobrevivência.
O cérebro coloca travões - - O que dá o sinal de alarme quando os limites são ultrapassados, é uma área do cérebro chamada córtex orbitofrontal (COF), localizada na parte posterior da órbita dos olhos. No COF há neurónios que reagem ao doce, à gordura. Mais de 10 por cento desses neurónios são sensores de prazer que matizam a informação recebida pelos sentidos, decidem se uma sensação é prazenteira e dão ordem para activar os mecanismos de recompensa. Também é o COF que calcula quando é que já tivemos prazer suficiente, e é, portanto, responsável por, ao fim de um determinado tempo, todas as sensações agradáveis deixarem de ser atractivas e se tornarem fastidiosas ou desagradáveis. Ainda não é completamente claro para os cientista o funcionamento deste mecanismo, mas pode bem tratar-se de uma diminuição da actividade dos neurónios do prazer. E, segundo os especialistas, esta é uma das razões dos estragos provocados pelas drogas no cérebro. Os estupefacientes actuam directamente sobre os circuitos opiáceos e dopamínicos, sem passar pelo COF, que podia impor uma espécie de travão e provocar a sensação de saciedade.
O pêndulo do êxtase - - Tendo em conta o que foi dito, será que os seres vivos estão condenados a gozar apenas uma porção muito escassa de prazer? Não forçosamente. Os investigadores afirmam que o gozo é uma sensação limitada, mas não dizem que tem de ser pequena. Pelo contrário, tudo parece indicar que é a medida justa. George Koob esclarece que o prazer e o stress actuam como movimentos de pêndulo. A cada subida emocional, segue-se uma “baixa”. Mas todas as “baixas” serão seguidas por uma subida.
Evidentemente que os limiares do prazer não são os mesmos para toda a gente. Não queremos deprimir o leitor, mas se isto lhe parece uma má notícia, é melhor sentar-se porque temos uma pior para lhe dar: só o prazer é limitado; para a dor e para o desgosto não há fronteiras. Um mundo inteiro de sofrimento abre-se à nossa frente.».
Adaptado in: Revista QUO nº 109 – O saber actual – Outubro 2004

Faço observar que este artigo foi publicado na dita revista (que já saiu de mercado) que já tem uns anos. Possivelmente, novos estudos hão que dão melhores e plausíveis respostas, a uma sociedade em que a medicina e a ciência quase que andam de “mãos dadas”.

Beijinhos.

Pedro

Céu disse...

Obrigada pelo seu comentário, Pedro!
Este parece ser um tema que mereceu muita reflexão da sua parte e não parece ser de agora.
penso que não haja muito mais a acrescentar a não ser que o prazer é efêmero quando se dá apenas pela união dos corpos ou pela estimulação das zonas corporais que induzem ao prazer, porém quando há união dos espíritos que que culmina na união dos corpos esse prazer torna-se menos efêmero, mais prolongado principalmente no período pós explosão do prazer, esta pode durar até 24 horas, sem que haja interferência com o dia a dia, a não ser para "sobrevoar" sobre os problemas como se não existissem ou sem que nos importunem,muito pelo contrário, conseguimos resolvê-los com mais facilidade
Um abraço