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domingo, 16 de novembro de 2008

Solidão... silêncio interior



Solidão, não é sinónimo de estar só, isto é, não é a falta de pessoas à volta, porque podemos estar só, mesmo estando rodeado de pessoas. Assim como podemos estar só e não estarmos em solidão, por exemplo quando estamos fazendo meditação.

Solidão ocorre quando há um silêncio interior. Quando não conseguimos ouvir nossas emoções. e nem a nossa razão, existindo apenas um vazio dentro de nós, que só conseguimos preencher com lembranças desagradáveis principalmente dos erros cometidos, povoados por dúvidas e incertezas. Cada contratempo assume proporções gigantescas e serve para ratificar ou corroborar as dúvidas já existentes, que levam a super dimensionar os nossos possíveis erros ou falhas, embora, às vezes, até nem sejam reais, mas criados por esse silêncio interior, baixando a nossa auto-estima.

O que leva a existência desse silêncio interior? a nossa própria mente, que é ardilosa, muitas vezes, cria armadilhas e nós acabamos por cair nelas. Constrói uma trama tão bem elaborada que ludibria a nossa própria razão, de tal forma, que, esta acaba assumindo o comando, partindo de premissas falsas constrói postulados como sendo verdadeiros, a partir daí entra num circulo vicioso, reverberativo, ditando verdades, que surgiram de premissas falsas, mas que o nosso comportamento e atitudes, tornaram-nas verdadeiras.

Por exemplo, quando surge o afastamento de um amigo de forma repentina, os dias vão passando e nada que nos tranquilize ou nos deixe preocupado, apenas ausência prolongada no tempo, quando esteve sempre presente, até então. A nossa mente vai mandando mensagens, mas que o nosso coração vai resistindo bravamente, porém com o passar dos dias, ele vai se tornando fragilizado e começa a ser "envenenado" pelas dúvidas que a mente lança e que a razão as aceita, com isso, os pensamentos vão se modificando e a energia positiva, que gera a confiança e a esperança, vai se transformando em negativa, gerando decréscimo da esperança, abalando a confiança, dando lugar a um pessimismo e uma tristeza profunda, pronto está instalado o caos interior, quanto mais os dias passam, mais o espírito se atormenta.

Um espírito atormentado, deixa-se "envenenar" facilmente, ainda mais quando a razão apresenta argumentos convincentes, embora ela própria tenha sido influenciada e tenha partido de premissas falsas, permitindo uma percepção maior de tudo que é negativo e passa a mergulhar ,cada vez mais fundo, nas trevas, distanciando-se da luz.

Em resposta a esse caos interior, o comportamento da pessoa vai se modificando, para pior, fazendo com que os erros e as falhas se acentuem e com isso mais se aproxima das trevas. Quanto mais nos aproximamos das trevas, mais o nosso interior emudece, de tal forma que não conseguimos sorrir, sonhar ou ter prazer. O dia ensolarado que tanta alegria transmite, não consegue dar alento ao espírito atormentado, que cada vez mais mergulha nas trevas.

Há que devolver a serenidade ao espírito e romper com o silêncio interior, mas como? Talvez fazer um brainstorm, deixar todos os pensamentos fluírem, sem tentar influenciar com uma falsa lógica ou com hipocrisia para connosco, cortando-o porque somos "bonzinhos" e esse pensamento não podem existir nos "bonzinhos".

Devemos esgotar todas as hipóteses para cada pensamento, de forma crítica, imparcial, sem que nos deixemos atraiçoar pela nossa mente ardilosa, sem sermos bonzinhos ou mauzinhos, apenas justos, confrontando cada pensamento com a realidade exterior que nos rodeia, saindo de dentro de nós mesmos. Quando não conseguirmos encontrar a resposta, devemos lembrar que tudo tem uma razão para acontecer e como tal, uma explicação e que tudo na vida tem o momento certo de ocorrer. Até o silêncio interior tem uma razão de ser.

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