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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Prazer uma expressão psícossomática de bem-estar

O prazer, particularmente falando, é uma expressão psicossomática de bem estar.
Para Aristóteles, na chamada Magna moralia (*) prazer é "um certo movimento da alma e um regresso total e sensível ao estado natural" Aristótesles (1998). Retórica. (Tradução e notas de Manuel Júnior, Paulo Alberto e Abel Pena). Lisboa: INCM, 1370 a, p. 83
"Os gregos usavam a palavra hedone, para dizer prazer e hedesthai, para tirar prazer O prazer é, também, um bem. Se o não fosse, como é que todos os seres vivos, e não apenas os seres humanos, o desejam? As coisas agradáveis e belas são necessariamente boas, pois as agradáveis produzem prazer, e as belas são agradáveis. Além disso, quando os prazeres provêm de fontes vis, não podem ser procurados pela pessoa virtuosa. É o caso da riqueza, que é um bem desejável, mas que o deixa de ser se resulta de uma traição. Decorre de tudo isto que "o prazer não é o bem, que nem todo o prazer merece ser escolhido, que alguns prazeres são intrinsecamente dignos de escolha, diferindo em espécie ou nas sua fontes dos que o não são" Aristóteles (1985). Nichomachean Etichs. (Introdução, tradução e notas de Terence Irwin). Indianapolis: Hackett, 1174 a 10, p. 273 .

O Ser humano desde os primórdios centra a sua existência na obtenção do prazer, sob as mais diversas formas, maneiras e aspectos; Isolado, a dois, ou em grupo.
O prazer isolado, geralmente é somático (soma= corpo), utiliza os 5 sentidos, um de cada vez ou todos em conjunto. Através da degustação de uma comida ou bebida, apreciação da beleza existente na natureza e nos seus entes, da fragrância de um perfume ou aroma, do desenvolvimento de um hobbie, da pratica de um desporto, da leitura de um livro, da audição de um som ou ainda na estimulação das zonas erógenas do seu próprio corpo. Contudo, o prazer isolado, pode ser Psicossomático, utiliza a força da mente (uma lembrança, uma visualização, uma fantasia) que reproduz no soma sensações semelhantes àquelas desencadeadas pelo estímulo dos 5 sentidos.
O prazer a dois, da mesma forma que o isolado, pode ser apenas somático, porém fugaz, logo "varrido", esquecido, porque só o corpo ficou impregnado dele, ou pode ser psicossomático (quando é expressão de um sentimento profundo, o amor), duradouro, divino, um autêntico "manjar dos deuses", que permanece para sempre armazenado na mente, impregnado no espírito de tal forma que, pode desencadear o prazer isolado, quando não estão juntos, num momento de grande saudade ou simplesmente numa pequena lembrança, como por exemplo, uma fragrância que surge de repente vindo do nada, mas que está de algum modo associado ou em relação com o outro e com os momentos de prazer a dois que tiveram juntos, desencadeando assim, as mesmas sensações maravilhosas outrora sentidas.

O prazer em grupo (orgias, bacanais, swing, etc..) basicamente é somático, acaba sendo a perversão dos sentidos ou valores morais e pode desencadear, após o prazer, o seu oposto, o sofrimento ou ter repercussões física, moral, espiritual, social e/ou psíquicas reversíveis, mas em alguns casos irreversíveis, como numa overdose.

Em sites, visitados por acaso (um deles referenciado, o outro não, por não ter ficado gravado), de onde transcreve-se, a título ilustrativo, o prazer descrito de forma dicotômica ou dualista, sendo corroborado pela psicologia como legítimos ou ilegítimos:
"Aristóteles identifica diferentes espécies de prazer. Quanto mais prazer temos com uma actividade, mais aumenta a nossa vontade de continuar a actividade. Cada prazer aumenta a actividade que lhe está associado. E pode, inclusivamente, torná-la mais longa, exacta e melhor. É o caso do músico que tira prazer a fazer música e que, quanto mais prazer tem na actividade, melhor músico se torna. O mesmo poderíamos dizer do romancista, do poeta, do filósofo ou do matemático. Mas o prazer não é o bem em si mesmo. Só é o bem quando é consequente com uma actividade boa. O prazer é muito importante na educação ética porque ele pode enganar-nos acerca do bem e destruir a nossa concepção do bem. Mesmo quando possuímos uma concepção correcta do bem, o apetite pelos prazeres pode conduzir-nos à incontinência e é, por isso, que a educação ética requer a competência para deliberar e decidir sobre os prazeres e as dores correctas. Desde que usufruídos com moderação, os prazeres são necessários à virtude e, embora não sejam o supremo bem, são necessários para que o homem possa alcançar o bem supremo: a felicidade Aristóteles (1995). Les Grands Livres D`Éthique (Magna Moralia). Évreux: Arléa, 1206 a.
"Pode-se falar de prazer negativo e de prazer positivo. Prazer negativo é todo aquele gerado por situações alheias ao ser, vindas de fora, contingentes, aderentes, consequentemente alienantes. O prazer, neste contexto, é sinonimo de hábito, de vício, de repetição, de fixação, de perda da liberdade, de alívio desde que totalmente endereçado para aplacar necessidades e desejos. Prazeres positivos seriam os subjetivos, os da inteligência, os do espírito. Esses dualismos valorativos estão presentes também na visão de Sto. Agostinho, quando em uma tentativa de trazer para a Idade Média os ideais platônicos, diz que só existe prazer na virtude, separando assim os prazeres pecaminosos (da carne) dos virtuosos (do espírito). Deus é o que se encontra depois de enveredar pelo caminho da virtude. Auto-controle, sacrifício são os luzeiros orientadores deste caminho. A humanidade está crivada: pecadores e virtuosos. Evidências e dogmas. Mais tarde, a psicologia veio em socorro deste homem cravejado. Prazer é prazer, é bom. Entretanto o bom não basta, será que é sinônimo do que não é ruim? Será que é uma repetição habitual de mecanismos despersonalizadores ou é a realização legítima de desejos e encontros? Socorro questionador pois que ao admitir o prazer buscava integrar a personalidade. Com a psicologia aparece uma nova divisão: prazeres legítimos e prazeres ilegítimos. O prazer da droga, do vício são ilegítimos, negativos, existem, mas devem ser abolidos, transformados. Da banalidade à complexidade surge também a legitimidade do prazer. Descobre-se que o prazer poderia provir de doenças, começou-se a estudar sua patologia. Fenomenologicamente, pensamos que prazer é o que resulta do encontro, é a faísca, luz e calor. Sempre que isso ocorre, há prazer, é bom, é simples, é legítimo. O difícil é exatamente existir o encontro. Via de regra, artefatos e instrumentos, aderências e construções é que levam ao encontro, transformando-o em um encaixe de peças de quebra-cabeça. Disponibilidade e aceitação estruturam autonomia, possibilidade de relacionamento. É aí, neste horizonte de possibilidades que nasce o prazer criador de infinito, atemporal, mágico e eterno, merecedor de mitos. Não é por acaso que sempre o prazer vem acompanhado do amor, de Eros. Só no contexto de disponibilidade e autonomia é que se evita a repetição, o hábito e a escravização muitas vezes confundidos com prazer". - (desconheço a autoria)
(*) pertencente ao chamado Corpus aristotelicum (conjunto de escritos deixados por Aristóteles
o magna moralia está inserido nos textos metafísicos)

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