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domingo, 28 de junho de 2009

Indústria farmacêutica e a Saúde

A indústria farmacêutica está sempre lançando novos fármacos. Os laboratórios proliferam, são tantos, principalmente genéricos, que nos leva a pensar que a população humana está doente. Tanto dinheiro é gasto em marketing para "catequizar" aos médicos a prescreverem o produto e ao público para adquirirem-no.
As pesquisas, os estudos de investigação feitos para a produção de um fármaco visam única e exclusivamente tratar uma doença e restaurar a saúde da população, os lucros seriam decorrentes do consumo, ou será que cada molécula estudada visa de imediato qual o lucro que daí resultará? Seria lirismo ou mercantilismo?

O consumo de fármacos está cada vez mais elevado, parte dessa responsabilidade cabe aos médicos que os prescrevem, alguns de acordo com a real necessidade apresentada pelo utente, outros porque estão "comprometidos" ou são pressionados pelos doentes que se não levam uma receita de um comprimido (porque necessitam de outro tipo de tratamento, pois existem várias modalidades de tratamento para além dos fármacos) acham que o médico não será um bom médico (embora alguns se lhe forem receitados muitos fármacos acham que o médico não sabe e está fazendo experiência, receitando mais do que um para ver se acerta ), porém a outra responsabilidade cabe à população que se auto medica com a cumplicidade dos atendentes das farmácias.

Algo não vai bem, quando temos drogarias que colocam à disposição em bancadas, os medicamentos de venda livre, como no mercado ou na feira aonde as pessoas enchem a mão e coloca no saco e dirige-se para pagar no caixa. Igualmente algo não está bem quando algumas farmácias ou drogarias vendem antibiótico sem receita médica ( o uso indiscriminado de antibióticos vai condicionando estirpes de microrganismos resistentes aos antibióticos e quando surgirem infecções mais graves o arsenal terapêutico ficará reduzido, como no caso do microrganismo staphylococos aureus: MRSA= Methicillin-resistant Staphylococcus aureus e mais recente VRSA=Vancomycin-resistant Staphylococcus aureus).

Está certo que "nós somos os médicos de nós mesmos" porque conhecemos o nosso organismo e sabemos quando algo não está bem e como diz o ditado popular:"de médico e de louco cada um tem um pouco", mas isso não dá o direito da pessoa achar que sabe, ou porque pesquisou na Internet de sair pela vida fora ingerindo este ou aquele medicamento sem ser observado por um médico, este é o único que detém (ou deveria ter) a habilitação necessária para a prescrição de medicamentos ao doente. O farmacêutico (aquele que cursou a faculdade de Farmácia e não o atendente na farmácia ou drogaria) tem habilitações necessárias para indicar um fármaco para determinada doença, porém não detém o conhecimento do historial do doente em relação às doenças que possuem e a medicação que toma, por vezes têm alguma patologia ou toma alguma medicação que não pode ser associado a determinados fármacos, por exemplo, se o doente tem Hipertensão Arterial não deve usar frequentemente AINE's, pois estes podem provocar aumento na tensão arterial, assim como os doentes hipocoagulados também não o devem fazer, porque há o risco de provocar hemorragias, principalmente digestivas.

Hoje em dia quando alguém se queixa de dor no estômago tem sempre alguém para aconselhar: "toma um comprimido de (...)" da mesma forma que nos meios de comunicação social existem anúncios comerciais de fármacos exatamente como os que são apresentados, por exemplo, para um shampoo, ou então incentivam a manter hábitos errados de alimentação e para prevenir suas consequências aconselham andar sempre com a "carteirinha de (...)" no bolso.

O consumo de medicamentos já está tão arraigado que passou a ser banalizado, só que as pessoas parecem esquecer que os fármacos são substâncias químicas que interagem e interferem com o normal funcionamento do organismo, que vão fazer bem aquela doença ou sintoma, mas vão prejudicar outra parte do organismo e que isso leva à poli medicação (por necessidade de associação quando há mais de um alvo a ser combatido, mas muitas vezes para combater o efeito colateral de uma medicação e depois outra e mais outra gerando uma cascata: um fármaco para uma doença, outro fármaco para combater o efeito indesejável daquele e depois outro para combater o deste e assim sucessivamente, por exemplo, determinado fármaco utilizado para a tosse causa "prisão de ventre" o que leva a tomar posteriormente um fármaco laxante e/ou regulador do intestino).

A super valorização do artificial em detrimento do natural tem que diminuir, as pessoas deverão se conscientizar que

* Prevenir é o melhor remédio;

* Uma alimentação equilibrada é a maior fonte de saúde. "Nós somos aquilo que comemos";

*A atividade física é o complemento da alimentação equilibrada para manter um organismo saudável;

* Uma simples vitamina é alimento (fornece os nutrientes necessários ao bom desenvolvimento e funcionamento do organismo), remédio (quando o organismo está carente dela) ou veneno/tóxico para o organismo (quando está em excesso no organismo, no caso de ter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e legumes, que fornece as vitaminas necessárias ao organismo e ainda assim tomar vitaminas compradas na farmácia).

* Várias doenças têm sintomas em comum, porém cada uma delas requer tratamento diferentes, quem tem (ou deveria ter) o conhecimento para saber qual o tratamento específico para cada uma delas, é o médico;

* Cada organismo é diferente e tem reação diferente à agressão sofrida quer pela doença, quer pelo tratamento instituído, o medicamento que é bom para um pode não o ser para o outro, por exemplo um fármaco tranquilizante, pode em determinadas pessoas deixá-la mais excitada ao invés de tranquila;

* Todo o medicamento é uma substância química que interfere com o normal funcionamento do organismo.

Se houver essa tomada de consciência a cerca do consumo de medicamento , este passe a ser produzido de forma racional atendendo às reais necessidades relativas à saúde e não relativas à obtenção de lucros.

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