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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Depois de uma catástrofe…gerir o caos instalado uma situação complexa

Gerir o caos provocado por uma catástrofe é uma das mais complexas situações em que o Homem se vê confrontado, requer uma capacidade de comando tático e estratégico semelhante ao que é necessário na frente de um campo de batalha numa guerra, de lidar com um grupo grande de pessoas, uma capacidade de tomada de decisão com rapidez e de gestão de prioridades, além de saber frenar suas próprias emoções, mantendo a “cabeça fria”, associado a ter uma capacidade de organização.
Quem for detentor dessa capacidade assume a liderança da situação, sabe que terá várias frentes que necessitam de intervenção imediata e em simultâneo:
*Feridos que necessitam de assistência médica;
*Desalojados que precisam de alimento, água, agasalho e acolhimento físico, psicológico e espiritual que estão em pânico, desesperados, desequilibrados emocionalmente, violentos e agressivos;
*Vítimas que estão debaixo dos escombros;
*Corpos sem vida, espalhados por toda parte, precisando ser identificados e enterrados, pois começam a entrar em decomposição;
*Escombros obstruindo a circulação, mas podendo ter vidas soterradas a espera de serem socorridas.
*Ausência de água potável, eletricidade;
* Escassez de recursos;
*Ausência de alojamento sólido, infra estrutura que ofereça segurança.
* Tumulto, pilhagem, falta de segurança

É difícil imaginar como iniciará a gestão do caos formado, aquele que está qualificado para assumir tal missão, será como um polvo com vários tentáculos, provavelmente começará por fazer um levantamento do número de profissionais e de pessoas com quem contará para ficar à frente das várias linhas de actuação:
*Uma pessoa para coordenar a assistência aos feridos;
* Outra para coordenar o atendimento aos desalojados;
* Mais uma para coordenar o resgate das vítimas sobre os escombros;
*Outra pessoa para coordenar a remoção dos escombros e manter as vias de acesso desimpedidas;
*Mais uma pessoa para coordenar a identificação dos cadáveres e providenciar o enterro dos mesmos.
*Mais outra para coordenar a segurança dos que estão ajudando.
Esses coordenadores por sua vez terão que delinear a sua atuação, desde improvisar o local aonde executarão a tarefa que lhe foi destinada, recrutar e orientar voluntários para a construção do local e para o atendimento, listar o material básico necessário para o desempenho da tarefa, entregar ao líder que tentará adquiri-lo, até a elaboração do método de funcionamento que será seguido. Por exemplo, se for o atendimento aos feridos, deverá ter circuito de entrada diferente da saída, identificar os feridos que chegam à entrada, encaminhá-los para o atendimento e depois se for necessário encaminhar para o local de observação, onde cada local estará numerado e corresponderá ao utente identificado. Se não for ficar em observação, encaminhar para a saída, dar “baixa” do nome e encaminhar para o setor dos desalojados, dando o destino na ficha de entrada.


Cada coordenador liderará o grupo de voluntários que recrutou, solucionando os problemas que forem surgindo mantendo o líder geral informado da evolução do funcionamento do setor que representa, este mantém comunicação com as instituições e governos da vizinhança para ir adquirindo o que for sendo necessário.
Muitos dirão que tudo isso em termos organizacionais é muito bonito, mas só em termos de teoria, sentado á frente de um computador e ainda dirão mais "olha essa... descobriu a pólvora sem fazer barulho" ou "só contaram para você", só que no terreno não é exequível. Concordo que pensar estando de fora é simples e que tudo se modifica quando estamos dentro da situação, porém todos concordarão que gerir o caos necessita de organização com definição de estratégias a partir do levantamento das necessidades, priorizando-as, levantamento dos recursos materiais e humanos disponíveis ou a disponibilizar, trabalho em equipe obedecendo a uma hierarquia (alguém tem que assumir a liderança, o comando quando se está num grupo e os outros aceitar esse comando em pró de todos cumprindo a respectiva função dentro do grupo) e condições de segurança, só assim a gestão do caos tornar-se-á possível.
Passado o caos, depois que a população foi atendida nas suas necessidades básicas imediatas (restauração da saúde, saciedade da fome e da sede, abrigo do relento), os mortos enterrados, surge a fase do luto e da reconstrução do local, mas isso já será elaborado com tranquilidade, será urgente, mas não emergente como foi o caos imediato pós catástrofe.
Louvor e honra ao mérito a todos aqueles que atuam no terreno do caos imediato a uma catástrofe, em especial, desta que presenciamos no Haiti, que Deus os protejam enquanto estiverem atuando, e os recompensem pela ação humanitária que desenvolveram, por vezes a custa de sacrifício pessoal e familiar.

4 comentários:

Mateu&" R. V disse...

exatamente


na catástrofe Há 2 momentos


1º pessoas mortas pelo o dito.

2º A situação complexa de procurar sobreviventes pro uma imencidão de escombros.


muito legal.


abrçss



(ajude a divucar o cabeça brilhante)

(novos posts)

Céu disse...

Obrigada Mateu por seu comentário. Eu diria que na catástrofe existem as vítimas soterradas sob os escombros, com morte imediata ou morte iminente que acontecerá se não fores socorridas a tempo,é uma corrida contra o tempo e aquelas que ficaram desalojadas sem meios de satisfazer as suas necessidades básicas, podendo ou não apresentarem ferimentos.
Um abraço

Rick Vieira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Céu disse...

Obrigada a quem tenha feito um comentário, embora o tenha apagado em seguida, mas o que vale é a intenção e a energia que deixou uma revelação
Um abraço