Sua visita me deixou muito feliz...

Sua visita me deixou  muito feliz...

terça-feira, 6 de abril de 2010

Acatar uma ordem superior injusta é covardia ou bom senso?

Os caminhos que Deus nos aponta por vezes são tortuosos quando observados através da nossa visão estreita, mas que na verdade são retos para Ele e que apesar de acharmos que estamos sozinhos ele está ao nosso lado. Hoje mais uma vez isso se confirmou, tinha que escolher entre 3 caminhos:
1- Ir ao encontro do superior, mas estava fragilizada pelos últimos acontecimentos e não estava preparada para mais aborrecimentos;
2- Ir para o lugar deixado recentemente, porém para ser humilhada;
3- Ir para o lugar que lhe fora destinado, embora significasse passar por cima de uma decisão, ter o orgulho e a dignidade ferida e ficar revoltada e ferida.

Parei o carro, tentei silenciar os pensamentos e nesse preciso momento surgiu a decisão de seguir o terceiro caminho e aceitar a vontade de Deus. Nesse momento a lembrança de Jesus na Cruz resignado surgiu na mente. Foi a decisão certa, apesar de chegar revoltada traduzida pelo mau humor tão intenso, com uma expressão dura no rosto, se bem que essa expressão também era pelo mal estar na cabeça acompanhado por um pequeno extravasamento de sangue num dos olhos, como não me lembro de ter tido, mas diante das contrariedades encontradas, um fato inusitado, consegui falar serenamente, sem "ferver em pouca água" ou "pavio curto" de outrora diante de situação semelhante. Inclusive o encontro com o colega, que era aguardado com receio, visto que algum tempo atrás fora extremamente rude, constrangedor e ofensivo, correu para além das expectativas, pois este sorriu como se estivesse contente por ver e como se nunca tivesse sido desagradável como o fora no passado. Para além deste sorriso, houve mais um de alguém que ficou contente de me ver no sítio aonde estava.

Tudo isso um dia depois de ter que decidir entre ser firme numa postura tomada em não acatar uma decisão superior arbitrária e injusta que implicaria ferir a dignidade profissional e pessoal, ou entre a razão que mostrava que seria uma insensatez e poria em risco a segurança no trabalho e quando esta prevaleceu, ou seja o bom censo, o som das badaladas do sino tocando às 3 horas, soavam como se dissessem "está tudo consumado", então os ombros se curvaram, a esperança (que Deus enviaria uma mensagem de que haveria mudanças e não precisaria acatar tal decisão) se desvaneceu para resignada, seguir como se estivesse indo para a forca ou como um carneiro que vai para o matadouro, novamente a imagem de Jesus na Cruz, no calvário, voltou à mente porque, segundo à Bíblia, coincidentemente foi às três horas da tarde.

Agora que esse momento de intensa vivência interior de sentimentos fortes está passando, vê-se com mais nitidez, que devemos, por vezes, deixar de "remar contra a maré/correnteza" e seguirmos o curso natural dos acontecimentos, tentando mudar o nosso interior, substituir a revolta, a mágoa, pela resignação ou aceitação de que nada podemos fazer no momento e tentar achar pontos positivos, que façam reacender a esperança de transformar a situação adversa em nosso favor, que nos dê forças para erguer novamente a cabeça e os ombros, olhar de frente para aqueles que ora nos prejudicaram, e mostrar que não fomos derrotados, que somos fortes, que escorregamos, mas levantamos, sacudimos a poeira e recomeçamos do zero, mas com a experiência vivida logo conseguir atingir um patamar mais alto. Temos que entender que, por vezes a vontade ou os planos de Deus é o extremo daquilo que seria a nossa vontade ou desejo, não havendo nada que possamos fazer, de que adiantaria sermos "super Homem", chocando de frente e mantermos a firmeza de nossa decisão, quando esta não faz parte do plano de Deus? é apenas "dar murro em ponta de faca", é nos debatermos como "peixe fora de água", sem contar que estamos retardando ou impedindo o plano de Deus que é muito superior à nossa capacidade de compreender.

Essa revelação faz com que desmoronemos, para logo em seguida, fortalecidos interiormente, deixamos de ligar para o que os outros vão pensar se somos uns tolos, um covarde ou que só temos "garganta", poderemos até ensaiar algumas respostas, quando nos provocarem: "Estou bem, principalmente por ter saído deste covil... se soubesse que encontraria ótimas condições de trabalho, eu não hesitaria em acatar tal decisão... até tenho que agradecer porque os profissionais são competentes, ao contrário daqueles que ficaram para trás", para as pessoas de índole duvidosa, nada as deixaria mais irritadas do que saber que o outro apesar da rasteira e cilada armada encontram-se bem, serenos e até sorridente como se não tivessem sido afetados, apesar da queda.

2 comentários:

Alcione Sousa disse...

Céu
Muita paz
Fiquei sinceramente emocionada com esse depoimento.A luta é inerente do ser humano,mas saber lutar com tanta força e dignidade ,só mesmo com a ajuda de Deus,e isso deu para perceber, que tens presente em teu coração essa força suprema.
Coragem e Deus te abençoe sempre
Da amiga e vizinha do antigo 35
Alcione

Céu disse...

Obrigada pelo seu comentário, amiga e antiga vizinha Alcione.
Obrigada pela força!
Que Deus lhe abençoe sempre para poder continuar a ser essa pessoa maravilhosa, que escreve textos belíssimos no seu blog, recheados de pérolas da sua experiência como mulher,esposa, mãe, avó e bisavó e ter sempre essa força para transmitir força a quem esteja precisando, como o fez neste momento.
Um grande abraço