Sua visita me deixou muito feliz...

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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Destino do corpo após o Crepúsculo da Vida

Dias atrás um amigo passou por uma experiência chocante, nem consigo imaginar o que sentiria se acontecesse comigo, embora pareça ser uma experiência pela qual muitos são obrigados a passar, principalmente aqueles que guardam respeito pelos seus entes queridos mesmo após a sua partida desta dimensão terrena: Ao final de 3 anos de estar enterrado, a Santa Casa da Misericórdia faz a exumação do cadáver e convoca a família para colocar os restos mortais no ossário (uma caixa menor), caso a família não compareça, os restos mortais são jogados no lixo… O amigo conta que sentiu-se muito esquisito, um vazio interior quando viu que não tinha mais carne, mas a roupa estava intacta e havia baratas a andar por cima. Não sei se teria força para olhar em que se transformou o ente querido depois que partiu, penso que seria uma dor insuportável, por outro lado talvez a dor fosse maior ainda se permitisse que fosse jogado no lixo...
Quando somos confrontados com essa situação parece que a primeira sensação deva ser de um profundo vazio existencial, parece que nada faz sentido, tudo não passa de uma ilusão, não há nada de concreto no nosso corpo a não ser os ossos, o que também não faz sentido, sendo um tecido (conjunto de células) como o é a pele, como são os órgãos (conjunto de tecidos), os sistemas (conjunto de órgãos) porque se mantém indestrutível. Tudo que vemos ao espelho na realidade não existe, será por isso que hoje em dia há um culto cada vez maior ao corpo, será a tentativa de evitar esse inevitável e perpetuar essa imagem? Ou será justamente por se saber o fim terá que leva a buscar-se a beleza e o prazer do corpo enquanto o fim não chega? E a nossa mente, os nossos pensamentos, a nossa energia para onde vão? Ficarão perdidas para sempre? Isso contraria o postulado de Lavoisier “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

Essa cena, que não vi, mas automaticamente formou-se a imagem na mente, através da imaginação, a todo o momento se apresenta, principalmente quando estou no meio de um aborrecimento, aliás foi em função de algo que outrora escrevi, sobre a decepção com o mundo, em especial no trabalho, que esse amigo lembrou-se de relatar sua experiência, ressaltando que não vale a pena nos aborrecermos, ficarmos chateados, brigarmos ou sofrermos, em particular, por coisas insignificantes, porque o destino de todos, nesta dimensão física, resume a ficar 7 palmas abaixo da terra por um período e depois passarmos para uma caixa pequena num buraco.

Por isso, proponho a mim e a todos, vamos amar mais, sermos mais solidários, sorrir mais, bater-papo descontraído com um amigo, brincar e não levar tudo tão a sério, rir de tudo inclusive de nós mesmos e dos problemas, principalmente quando errarmos, vamos comemorar mais, mesmo sem ter o que comemorar, simplesmente celebrar cada dia que nos é dado para viver, antes do Crepúsculo da Vida chegar.

4 comentários:

Pedro disse...

Olá Céu!

Reparei na sua expressão quando refere que «parece que nada faz sentido, tudo não passa de uma ilusão, não há nada de concreto no nosso corpo a não ser os ossos». Na verdade, do meu ponto de vista, tudo faz sentido. Repare no seguinte: os ossos são a parte mais resistente da nomenclatura do corpo e como tal, a decomposição é mais lenta. Já os tecido, de consistência mais mole, como é o caso dos órgãos, músculos e pele que desaparecem com mais facilidade por (talvez) serem material orgânico constituído por maioritariamente por água. Para além disso, um corpo humano, uma vez enterrado, entra em processo de decomposição, libertando gases que, uns ficam retidos no subsolo, e outros poderão ser evacuados por processo de evaporação (recordemo-nos que o subsolo de um cemitério pode ter consistência algo arenosa e acima do solo, o ambiente é de um descampado ou alguma vegetação como sendo arvores e as flores dos arranjos das campas, pelo que os maus odores estão dissimulados).

Já a questão dos pensamentos, é um outro assunto que ultimamente tenho procurado respostas (ou melhor, candidatas a respostas). Não creio que os pensamentos e sabedoria se percam para sempre. E nesse contexto, gostei da observação da Céu ao referir-se ao postulado de Antoine Lavoisier «Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma». Qualquer grande erudito da História da Humanidade, deixou-nos as suas conquistas registadas pelo que a sabedoria e conhecimento chegou até aos dias de hoje, via dos respectivos manuscritos. Contudo, acredito que, quer os pensamentos, teorias, teses, ideais e personalidades próprios de cada indivíduo acompanhem a parte etérea (espírito/alma/espectro) dessa mesma pessoa (quando esta sucumbe) para uma outra dimensão.

Para que não se fique a pensar de forma angustiada sobre as minhas palavras (que não passam disso mesmo, de palavras, de opiniões), primeiro "defendo-me" que sou católico apostólico romano, pelo que acredito em Deus; segundo, deverei alertar que a maioria da sociedade não está preparada, nem física nem psicologicamente, para aceitar outras possíveis realidades, outras possíveis dimensões, outras possíveis formas de existência.

Beijinhos.

Pedro

Céu disse...

Obrigada pelo seu comentário Pedro.Que bom que retornou com seu comentários. :)
Obrigada por ressaltar o porque de só ficarem os ossos depois do "Crepúsculo da Vida", contudo quando referi que tudo não passava de uma ilusão, é exatamente isso, independente das explicações científicas ou deduções lógicas é o comparar o antes e o depois,quando encontramos uma ossada, esta não apresenta nenhum vestígio dos tecidos que compuseram outrora aquele corpo, no caso de concreto de conhecermos a pessoa antes e depois encontrarmos o seu esqueleto que nada nos diz, tornou-se impessoal, como se tivéssemos visto uma miragem, logo uma ilusão.
Em relação ao lado oculto e misterioso para além da dimensão física,acabei de publicar um post um pouquinho extenso de compilações que fiz, que vai um pouquinho de encontro aquilo que você falou.
Um abraço

Experiencias de uma vida disse...

Oi Céu
Que a paz permaneça contigo
Sempre muito fascinantes teus temas.
Parabens
A situação que teu amigo passou,é uma das mais dolorosas ,que um ser que ama tem que enfrentar .
Pode paracer cruel,mas da minha parte, mas sempre digo aos meus,que me deixem seguir o processo natural de transformação .(Do pó vieste ao pó retornarás)
Mas bem que sonho as vezes,num futuro próximo ou distante,em que o ser humano ao ter de fazer a viajem final ,possa ter o corpo transformado em uma brisa suave,e perfumada,volvendo aos céus.É muito sonho demais,pois não?
Os homens inventaram algo que alguns julgam perfeito,higiênico e rápido(A cremação )
Mas confeço,ainda julgo algo muito agressivo .
Depois de uma longa vida ,tudo isso é esperado,ninguem fica para semente .Que possamos ter méritos para sentir esse momento dessa forma

Lembra-te que quando nasceste
Todos sorriam só tu choravas
Vive de forma que ao morreres
Todos chorem só tu sorrias

Descupe as divagações de uma velhinha
Um grande abraço
da amiga e antiga vizinha
Alcione

Céu disse...

Que a Paz esteja contigo também.
Obrigada Alcione por seu comentário. Achei lindo, fascinante o "sonho de ter o corpo, após a viajem final, transformado numa brisa suave e perfumada".
Obrigada por relembrar o que sempre ouvi quando vou a imposição das cinzas, na quarta-feira de cinzas, apesar de saber disso, o que mais me chocou não é eu pensar que ficarei assim (se bem que eu gostaria não de ser enterrada, mas que meu corpo fosse depositado no fundo do mar) e sim de ver alguém que se ama ficar dessa forma.
Você velhinha??? não me parece, tem muito mais vida e jovialidade do que muitas jovens na idade, mas velhas de espírito. Seu espírito é jovem, nós só envelhecemos quando deixamos o espírito se tornar velho e não quando temos alguns anos ou décadas.
Nemastê!