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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O milagre do IPÊ

Há imagens que nos fazem parar e levar a refletir, esta é uma delas:

Na guerra pelo progresso, o homem não mede esforços e as conseqüências dos seus atos. O importante é avançar. Numa batalha desigual, destrói insanamente os recursos naturais, essenciais à sobrevivência. A resposta da natureza pode até demorar, mas não falha. Às vezes, é imediata, intrigante ou mesmo desafiadora. Só precisamos interpretá-la.Num ato silencioso e inusitado, ela respondeu aos afiados machados e às violentas motosserras, maiores formas do desrespeito destruidor. Insistiu e exigiu seu espaço para expor a beleza de suas flores e a generosa sombra de sua copada, numa grande demonstração de energia e desejo de viver.Derrubado e transformado em poste para suporte dos fios da rede elétrica, o Ipê amarelo não se entregou. Com uma reação estupenda, recuperou sua pompa e reinado de árvore símbolo nacional. Rebelou-se à condenação injusta, criou suas raízes no solo e voltou a reinar absoluto, esbanjando alegria e beleza com sua identidade marcante.Reconsiderando o seu ato, o homem decidiu transferir a rede elétrica a um poste de concreto instalado ao lado. Agora o Ipê reina livre dos fios.Este Ipê que pode ser honrado com “I” maiúsculo, é uma atração pública em Porto Velho, capital de Rondônia, distante 3.500 quilômetros de Porto Alegre.Doce privilégio dos moradores do bairro, a exemplo do fotógrafo amador Leandro Barcellos, gaúcho de Passo Fundo que reside em Porto Velho nos cede a imagem para saboreio dos eletricitários gaúchos.Com forte herança dos povos latinos, durante algumas décadas, Rondônia exerceu forte poder de atração sobre sulistas e nordestinos para exploração mineral, extrativismo e agricultura, desenvolvendo uma nova cultura miscigenada.

"Não aceitando a imposição do homem, o ipê fincou pé e readquiriu a vida. O poste que floriu fica como uma homenagem à Primavera". (Foto: Leandro Barcellos )
O MILAGRE DO IPÊ 
Silvestre Gorgulho
O Primeiro Ato é mais que conhecido:
- Esta árvore é minha! Vocifera o bronco.
Vai me trazer o conforto merecido.
Este pé de ipê é de excelente porte.
Tira-lhe os galhos... Raspa-lhe o tronco,
Pois que está condenado à morte!

Vem, a seguir, o Segundo Ato:
- Tudo tem que estar pronto ao fim do dia.
Não há espera. Árvore é no mato!
Prendem-lhe fios, arames e pregos
Para que a modernidade em energia
Chegue a todo bairro em imediato!

O Terceiro Ato é mais que previsível.
- Morreu como um crucificado!
É forte? Madeira de lei? É invencível?
Que nada! Estarei no meu sofá sentado
E este pé de ipê me dará alívio
Ao trazer luz, tevê e ar condicionado.
Como fez o Cristo no Calvário.

O Ipê - no Quarto Ato - foi divino:
Abriu em belíssimo cenário
Pra ressurgir florido à espera
De ofertar flores ao assassino.
Exuberante! Lindo! Uma quimera!
Respondeu com paz, o solitário,
E saudou com vida a Primavera!

Silvestre Gorgulho
21 de Setembro de 2011

2 comentários:

Unknown disse...

Que poesia linda! O Milagre do Ipê é o milagre da vida. Parabéns ao autor ou autora deste blog por garimpar um poema tão maravilhoso. Me encantei e tenho certeza que todos os leitores foram sensibilizados pela mensagem desta poesia do Ipê, do senhor Silvestre Gorgulho.
Parabéns,
Anna Christinna - Lisboa PT

Céu disse...

Obrigada por seu comentário Anna Christinna, achei sua frase "...por garimpar um poema tão maravilhoso..."interessante, muito original, criativa e diz muito da sua sensibilidade. Parabéns!
Namastê