Sua visita me deixou muito feliz...

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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Angústia pelo inevitável...

Ontem não sei porque pensamentos angustiantes começaram a surgir, quando atingimos uma certa idade vemos que nos aproximamos do fim, o crepúsculo da vida está se aproximando a passos largos, não que pressentimos que o momento está chegando, apenas por um frio raciocínio matemático, nem é em termos de expectativa de vida e sim por simples cálculo tendo como o máximo 100 anos, a pessoa com 80 anos no máximo só terá mais 20 anos para viver e o que são 20 anos?? Se a vida passa numa velocidade estonteante?!?!?

Primeiro pensamos nos nossos entes queridos que são mais velhos do que nós, então surge uma angústia que aperta o coração por saber que uma das estrelas da nossa vida, que está nesse rol, estará connosco por pouco tempo, nesse momento o único desejo é abraçar, pedir perdão pelas faltas, pelas ingratidões e mágoas causadas e tentar fazer tudo para que o menor dos desejos se torne realidade e possa compensar todas as amarguras, sacrifícios, renúncias, dissabores que teve na vida. Além de que chegamos a conclusão que toda a independência e autonomia que pensávamos ter, só existe porque temos essa estrela na retaguarda, nos amparando nas nossas quedas ou nas situações difíceis e fatalmente surge a pergunta "como será sem esse apoio, essa segurança e amparo para as situações que aparecerão?" Isso faz lembrar a frase que ouvi do meu pai quando voltávamos do enterro da minha avó, mãe dele "e agora para onde vou?", ele que era chefe de família, que havia deixado o lar paterno quando se casou e emigrou, construindo a sua o seu lar, o trabalho, criou os filhos, naquele momento sentia-se sem rumo, perdido.

Talvez por isso que haja muitos casos de depressão nos idosos e a necessidade de falar do passado, como uma forma de não encarar que a vida está chegando ao fim.

Depois pensamos em nós próprios que apesar de ainda não estarmos no "rol" anterior, já estamos mais próximos do fim do que do começo e nova angústia surge por ver que a vida passou tão depressa e todos os dias fazemos com que ela passe mais depressa ainda, quando desejamos que chegue logo determinado dia ou simplesmente desejamos que o dia que está ruim termine logo para por fim a um sofrimento, um peso, uma decepção, esquecendo que ao fazermos isso estamos abreviando o fim. Lembro que no final do ano de 2006, porque a outra estrela da minha vida, estava doente, desejei e falei alto "que este ano termine logo", nunca havia dito isso por mais ruim que fosse um ano, sem me lembrar que quanto mais depressa o ano fosse embora, mais rápido o fim da minha estrela se aproximava, se fosse hoje não diria isso, diria antes "que o novo ano não tenha pressa de chegar, porque este eu sei como estou vivendo e o outro é uma incógnita de como será".

Hoje mais do que nunca a frase "viver o momento" assume um grau elevado de importância, porque é a resposta, a solução, o tratamento para aliviar a angústia pelo inevitável, se vivermos o momento não desperdiçamos o tempo que nos resta até o crepúsculo chegar e se tivermos que nos arrepender, que seja por agirmos e termos errado, mas aproveitamos e não por deixarmos de agir, adiando para o depois ou por medo de errarmos.

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