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terça-feira, 10 de abril de 2012

Vivência da Páscoa

A Páscoa conduz a interiorização do Cristão para refletir sobre seu comportamento, suas ações, sobre seus pensamentos. Um dos Sacramentos da Igreja Católica é justamente o da Confissão dos pecados ("confessar ao menos 1 vez por ano pela Páscoa da Ressurreição") seguido do arrependimento, da penitência e da proposição de não voltar a pecar, conforme o "Ato de Contrição":


"Meu Deus eu me arrependo de todo o meu coração de Vos ter ofendido, prometo com a Vossa Graça nunca mais pecar, meu Jesus, Misericórdia".


De primeiro, por muitos anos seguidos, saía do confissionário, na 5ª Feira Santa, deixava sempre para essa altura para confessar (assim não teria tempo de pecar, ficando em "estado de Graça" até ao Domingo de Páscoa) sempre com uma leveza de espírito, sentia a presença de Deus.


Entretanto fora dessa altura de confissão, não conversava muito com Deus, o monólogo cingia-se às orações pré-formadas e aos pedidos, porém nos últimos anos deixei de sentir essa sensação, parte porque passei a dialogar mais com Deus e sempre que falhava de imediato pedia perdão e sentia que era perdoada, parte porque passei a sentir esse estado por conseguir entrar em sintonia com o Mar e através dele entrar em diálogo, cuja a resposta e mensagem de retorno sentia que era do próprio Deus, isso quebrou mais a interiorização dessa altura, visto ser permanente e daí a dificuldade em saber quais as falhas que devia confessar ao padre (soava estranho falar a um intermediário, algo que já tinha falado diretamente com Deus).


Por outro lado, durante algum tempo, um sentimento de culpa corroía as entranhas do meu ser e nesse período talvez buscasse na confissão algo que aplainasse essa dor, mas ao mesmo tempo quem sabe buscasse a punição, um desejo misto de absolvição e punição, Algo como querer que Deus me colocasse no seu colo e dissesse que não havia culpas porque não havia o sofrimento que eu imaginava haver, mas ao mesmo tempo querer que Ele confirmasse que havia sim culpas, mas que a pessoa não estava sofrendo em consequência disso. Nesse período a confissão era sempre acompanhada por lágrimas (mais tarde não sei se pela razão ou se esta fora soprada por Deus, essa culpa amainou, ao refletir que carregar o peso da culpa não serviria para nada, se sofrimento houvera, nada modificaria isso, quer eu me auto destruísse pela culpa, quer me libertasse dela pelo perdão de Deus e do meu próprio perdão, acabei optando por esta e consegui voltar a ter paz de espírito).


Mais recentemente 3 situações diferentes em relação à confissão: uma delas, foi o ter cumprido a penitência o tempo todo com lágrimas, foi a penitência mais difícil que tive que cumprir: orar por quem dois dias antes havia cometido um ato criminoso para comigo (privação da liberdade como forma de conseguir o que pretendia, no âmbito profissional, que não lhe fora concedido), ao mesmo tempo que deveria denunciar para que a verdade fosse reposta e o ato fosse julgado em tribunal; a outra foi uma situação contraditória, ao mesmo tempo que sabia ou sentia que Deus apoiava determinada ação, que aos olhos dos outros seria reprovável, foi confessada e não reprovada, mas a partir daí automaticamente deixou de ser realizada; A terceira, até este ano, nunca tinha associado que ser "pavio curto" implica cometer um dos 7 pecados capitais, a ira, o que levou a intenção de confessá-lo, curiosamente, meu pai, que nunca havia feito referência a isso, disse antes de me dirigir para o confissionário, embora por brincadeira, que não esquecesse de falar sobre a ira que eu cometia diversas vezes.


Engraçado quando comecei este post não tinha intenção de falar das confissões e sim das lições que aprendi nesta Páscoa, mas acabei falando daquelas, noutra ocasião falo destas.


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