Sua visita me deixou muito feliz...

Sua visita me deixou  muito feliz...

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Dia de São Brás...Lembranças, Descobertas e Afinidades

Hoje, dia de São Brás (protetor dos males da garganta),  lembranças, descobertas e afinidades depois de tantos anos: 
1- São Brás, nasceu mais ou menos nos anos 300 foi um médico valoroso, não só curava as pessoas de suas doenças, mas também dos males da alma. Num certo tempo começou a questionar a sua profissão de médico, porque queria servir a Deus e não sabia como, tornou-se um eremita e ficar em constante oração, ao mesmo tempo que curou um menino que tinha um espinho na garganta, com uma bênção sobre a garganta, morreu tendo sido morto por uma espada na garganta no dia 3 de Fevereiro. De médico, passou a sacerdote, bispo e tornou-se Santo protetor contra os males da garganta: 
Um dia, uma mãe desesperada o procurou porque seu filho estava quase morrendo com um espinho encravado na garganta. São Brás olhou para o céu, rezou e, em seguida, fez o sinal da cruz na garganta do menino. No mesmo instante, ele ficou milagrosamente curado. Por esse milagre, até os dias de hoje São Brás é invocado para curar os males da garganta.
Em todos os lugares do mundo, quando uma criança ou qualquer pessoa se engasga, a invocação direta ao Santo logo é rezada: "São Brás te proteja." Ou simplesmente: "São Brás."
e dos animais (quando tornou-se eremita, vivia numa gruta e convivia com os animais selvagens em harmonia: Um dia Agricola mandou seus soldados buscarem feras, leões, tigres, para servirem de espetáculo no martírio dos cristãos presos. Quando os soldados chegaram perto da gruta do santo, viram todo o tipo de animal da floresta convivendo em harmonia com ele. Com espanto geral correram para contar ao prefeito Agricola o que estava acontecendo
2- São Lucas, evangelista e patrono dos pintores e médicos, ele é o autor do terceiro livro dos evangelhos que tem o seu nome e do Atos dos Apóstolos. Um médico, São Lucas é tido como sendo um grego da Antiópia (moderna Turquia). Que era medico é confirmado por uma passagem em Colossians (4,14) na qual São Paulo descreve Lucas como “amado medico”. Um convertido na nova fé, ele acompanhou São Paulo na sua segunda jornada missionária em torno dos anos 51 DC e permaneceu 6 anos em Philippi, na Grécia e foi na terceira jornada com Paulo, que incluiu o famoso naufrágio as costas de Malta. Ele permaneceu com Paulo durante sua prisão. Paulo escreveu três vezes sobre Lucas no Novo Testamento: em Colosians, em Timoteo e em Philomon. É possível deduzir a presença de Lucas com Paulo nas jornada missionarias pelas varias passagens no “Atos dos Apóstolos” (16,10-17; 20,5-21,18; 27,1-28,16). Em 66 DC, Lucas voltou para a Grécia onde se acredita que veio a falecer com a idade de 84 anos “repleto do Espirito Santo”. Vários “Atos” relatam que foi martirizado, embora vários escolares acreditam que isto seriam lendas não confiáveis. Ele é tido como tendo visitado a Virgem Maria e se acredita que ele teria pintado vários quadros da Virgem Maria em especial o lindo quadro conhecido como o de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Seu trabalho estaria preservado em Roma na “Santa Maria Magiore”, embora as datas das pinturas seriam bem depois dos tempos apostólicos. O seu evangelho definidamente foi escrito para os gentios. Um dos aspectos mais interessantes de Lucas é que frequentemente fazia a justaposição de um história de um homem com a de uma mulher. Por exemplo, a cura dos demoníaco (Lc 4,31-37) e seguida da cura da sogra de Pedro (4,39-39), o escravo do centurião é curado(7,1-11) e o filho da viúva de Naim é curado, o Geranese demoníaco é curado (8,26-39) seguido pela cura da filha de Jairus e da mulher com hemorragia (8,40-56). 
3-  O símbolo da medicina é representado pelo Bastão de Asclépio (ou Esculápio), o qual consiste em um bastão, varinha ou haste, com uma cobra entrelaçada. Na mitologia grega antiga Asclépio é o deus da cicatrização, ou da própria medicina. O Centauro Quíron lhe teria essa ciência, o qual se destacando rapidamente sobressaiu em relação ao seu mestre. Sua capacidade de curar era tão notável que ganhou a reputação de ressuscitar doentes. Isso porque Asclépio sabia dosar perfeitamente as misturas do sangue de Górgona. Dada a capacidade de trocar de pele, a cobra constante no símbolo representa o renascimento, bem como a fertilidade. Ela traz uma simbologia complexa, uma vez que representa também a morte e destruição, em oposição à vida e a ressurreição (ou a cicatrização em oposição ao veneno). O bastão, por sua vez, é um símbolo de autoridade. Ele representa o poder divino, a quem, apesar dos esforços e habilidades médicas, cabe decidir sobre a vida ou a morte de alguém. Assim, Zeus - deus dos deuses e deus do reino dos espíritos - não aceitou o fato de Asclépio ressuscitar pacientes e os levar embora do seu reino. Por esse motivo, Zeus mata o deus da medicina demostrando a sua autoridade. Em uma lenda, Zeus matou Asclepius com um raio por perturbar a ordem natural do mundo, ressuscitando os mortos, enquanto outra versão indica que Zeus o matou como punição por aceitar dinheiro em troca da realização de uma ressurreição. Depois que ele morreu, Zeus colocou Asclepius entre as estrelas como a constelação de Ophiuchus, o Serpentário, ou “portador da serpente”.Pelo fato de representar a Medicina, é comum que estudantes desse curso demonstrem forte intenção em tatuar o bastão de Asclépio como forma de comemorar o fato de conseguir entrar no curso de tão difícil acesso. Assim, a tatuagem reflete satisfação pessoal. Na verdade, existem duas versões do símbolo. A versão alada é conhecida como um Caduceu, e a vara é um bastão que foi conduzido pelo deus do Olimpo Hermes. Na mitologia grega, Hermes foi um mensageiro entre os deuses e os humanos (o que explica as asas) e um guia para o submundo (o que explica o cajado). Hermes era também o padroeiro dos viajantes, o que torna a sua ligação com a medicina adequada, pois antigamente os médicos tinham que percorrer grandes distâncias a pé para visitar seus doentes.Em uma das versões do mito de Hermes, ele recebe o bastão de Apolo, o deus da cura. Em outra versão, ele recebe do rei dos deuses, Zeus, entrelaçado a duas fitas brancas. As fitas foram substituídas mais tarde por serpentes, já que a história diz que Hermes usou a vara para separar uma briga entre duas cobras, que então se enrolaram nele e permaneceram lá em harmonia e equilíbrio.
4- Dois médicos, ambos martirizados, ambos canonizados, ambos seguram a Bíblia, ambos com duas profissões, um questiona a profissão de médico e torna-se eremita, embora continue exercendo circunstancialmente, o outro sobressai não como médico mas como artista (escritor e pintor), a Medicina tem dois símbolos (Bastão de Asclépio e Caduceu ambos tem em comum a serpente, que por sua vez representa a dualidade: Vida-morte. Haver uma dualidade existencial cria de imediato uma afinidade, já que a dualidade existencial foi sempre uma constante  ao longo da vida, talvez fruto do signo  dual, Gêmeos, mas no momento esta dualidade está muito acentuada, talvez um dos dois possa ajudar no rumo a ser seguido ou no fortalecimento da decisão tomada para pô-la em pática e assim acabar com essa dualidade existencial (ser mas na verdade não ter capacidade para ser, ter mas  sem ter condições de ter) que mantém a vida suspensa embora o tempo continue a passar.
https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-sao-bras/132/102/
https://cleofas.com.br/quem-foi-sao-lucas-evangelista/
https://www.dicionariodesimbolos.com.br/simbolo-medicina
http://will-verdadesocultas.blogspot.com/2011/03/porque-o-simbolo-da-medicina-e-uma.html

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

"Muro" das Lamentações







"Muro" das Lamentações

Este local, assim como a pomba mostra é um autêntico "muro de lamentações", as paredes são feitas de uma cortina de água corrente. porque "muro" porque separa dois mundos, do lado de lá o mundo exterior, a realidade como ela é observada por todos (prédios, árvores, carros, pessoas a passarem), do lado de cá o  mundo interior, a realidade sentida no âmago do ser, invisível aos olhos dos outros.

 
"Muro das lamentações" porque foi o lugar eleito de forma intuitiva num momento em que as lágrimas teimavam em rolar, parecia querer juntar-se as águas que jorravam, a partir daí todas as vezes que surgia a necessidade de entrar em sintonia com Deus ou de extravasar o que sufocava ou aprisionava a Alma, ou  ainda a necessidade de pedir perdão ou  simplesmente de deixar a mente e as emoções fluírem livremente sem a interferência da razão, o que neste caso poderia dizer as lamentações, as lamúrias de um espírito atormentado pela saudade, pela culpa, talvez superdimensionada, pelos remorsos e arrependimento de ter dado prioridade ao que achava que seria, quando na verdade não o era e deixar de priorizar o que seria  essencial, que era aproveitar os momentos na companhia de quem realmente era importante, enquanto estivesse presente. Agora que não está mais presente,  as prioridades deixaram de existir, na altura "andar sem rumo definido numa tarde de sol" era um "desperdício de tempo" porque tinha muita coisa para fazer, pelo menos era o pensamento na altura, neste momento continua a existir coisas para serem feitas, mas não são e o tempo é desperdiçado, em grande parte, justamente  andando sem rumo independente de haver sol ou chuva ou estando parado em frente ao "muro das lamentações" derramando lágrimas inúteis. em termos de fazer o tempo voltar atrás, mas muito necessárias para o ser não sucumbir sufocado pela angústia das dolorosas recordações que marcaram os últimos 3 meses e meio.






domingo, 6 de janeiro de 2019

Cor e Sintomas do Luto

A imagem colocada num dos "post" desse "cantinho Razão x Emoção" continha  a seguinte frase: "Visto o luto para homenagear quem partiu até as lágrimas secarem…." É justamente assim com quem veste o luto por sentimento e não por convenção, só deixa de usar o luto quando as lágrimas secarem, o que é muito vago, como a razão é soberana, esta, determinou  o parâmetro" se passarem 7 dias em que  não seja derramado nenhuma lágrima e/ou não houver lembranças que apontem para sentir remorso ou culpa, então, é sinal  de que o luto começa a ser aliviado e assim, ainda que lentamente, a vida que até então estivera suspensa, possa seguir em frente, embora nem sempre seja a continuação do rumo anterior e,  sim um novo rumo, apesar de não haver rumo definido ou perspectivas do rumo a tomar, apenas a certeza de que o caminho de outrora, não poderá ser retomado por não estarem reunidas as condições que permitam continuar mantendo a honra e dignidade que até então foram as marcas deixadas pelos passos nesse anterior caminho.
O luto (do latim luctu) é um conjunto de reações a uma perda significativa, geralmente pela morte de outro ser. Segundo John Bowlby (Edward John Mostyn Bowlby foi um psicólogo, psiquiatra e psicanalista britânico, notável por seu interesse no desenvolvimento infantil e por seu trabalho pioneiro na teoria do apego), quanto maior o apego ao objeto perdido (que pode ser uma pessoa, animal, fase da vida, status social etc.), maior o sofrimento do luto. O luto tem diferentes formas de expressão em culturas distintas
O luto pode ser expresso sob a forma de diversas cores, que variam de país para país. As mais usuais são o preto e o branco, mas há exceções. Na África do Sul, por exemplo, é habitual envergar-se o vermelho para se mostrar que se chora a morte de alguém. Já no Egito, é o amarelo. Na Índia, pode ser o castanho ou o branco. Na Tailândia, é o roxo. No Irã, é o azul. Ou seja: a cor do luto é um ato cultural muito diversificado. A regra, no entanto, divide-se entre o branco, mais usual nas civilizações orientais, como China e Japão, e o preto, nos países cristãos. A origem do costume ocidental de vestir de negro por ocasião de uma morte é ancestral: já os antigos egípcios usavam esta cor com esse significado. Dos egípcios, a tradição passou para os romanos, que vestiam uma toga preta, sem ornamentos, nessas circunstâncias. A tradição espalhou-se pelos quatro cantos do Império Romano e foi adotada pela Igreja Católica. No entanto, o branco e o roxo também são identificados com o luto na nossa civilização. 
Sintomas do processo de luto:
• Depressão
• Ansiedade
• Culpa
• Raiva e hostilidade
• Falta de prazer
• Solidão
• Agitação
• Fadiga
• Desamparo
• Distúrbio do sono
• Perda de energias
• Queixas somáticas (no corpo)
• Aumento do uso de psicotrópicos, bebidas alcoólicas e fumo
• Aumento da suscetibilidade a doenças
• Lentidão de pensamento e de concentração
• Mudança no hábito alimentar
• Dificuldade de manter relacionamentos
A ausência de alguém amado tem implicações profundas na mente e no corpo. Que é inevitável que, após uma perda, siga um processo de rearranjo que demore um pouco. Muitas vezes se trata apenas de permitir que esses processos ocorram. Confiar no fato de que viemos projetados para recuperar o equilíbrio. (Teoria do processo oponente das emoções do psicólogo Richard Solomon: Explica que duas coisas ocorrem quando uma pessoa recebe um estímulo que provoca uma reação emocional positiva ou negativa imediata: A reação emocional positiva ou negativa imediata é sentida. Ocorre uma segunda reação emocional que tem um sentimento oposto ao inicialmente experimentado. Havendo posteriormente o equilíbrio)
A todos cujas as lágrimas, pela perda de um ente querido, não secaram, um forte abraço de quem vestiu o luto e suas lágrimas ainda estão longe de secar …
http://www.casacostatintas.com.br/psicologia-das-cores-e-suas-representacoes-pelo-mundo/
https://amenteemaravilhosa.com.br/cerebro-diante-da-ausencia-de-um-ente-querido/

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Breves Lembranças...uma Singela Homenagem


Breves lembranças, geradas a partir das palavras pronunciadas pelo padre, na missa de corpo presente, e que retrataram a essência deste ente querido, cujo Crepúsculo da Vida, aconteceu no dia 12/11/2018 e, entre as virtudes ressaltadas, a dedicação à família” resume o que foi a vida desse Imigrante Guerreiro de fibra, nascido no dia 12 de Maio de 1933, na localidade Tulhas, freguesia de Cárquere. Dotado de uma inteligência apurada e invejável, que, associado ao trabalho árduo, sacrifícios, preocupações excessivas, dedicação à família, honestidade, sabedoria, generosidade, compreensão, Fé em Deus, conhecimentos de cálculos financeiros, de economia e do ser humano de forma geral, adquiridos ao longo de sua existência, autodidata em saúde (se tivesse tido oportunidade de estudar teria sido um excelente médico), formado na escola da vida com louvor e distinção conseguiu singrar no mar da vida por mérito próprio. O Crepúsculo da Vida colocou um ponto final nessa trajetória de vida admirável, sem que dela desfrutasse, mas com a certeza de ter vencido a maioria das suas batalhas, principalmente o ter cumprido bem a missão que lhe foi destinada. E por isso Deus o levou: Para dar-lhe a recompensa (alcançar a Luz Divina) merecida pelo modelo de ser humano, de amor ao próximo, de amigo e companheiro que foi nesta vida terrena.
Por tudo, obrigado, meu Pai!
Nas breves recordações por acaso (será mesmo?) numa pesquisa na Internet surgiu a carta escrita no dia do pai do ano de 2017  (publicada no "cantinhodelux") que se ajusta ao presente momento, se mudar os tempos verbais da segunda frase e retirar a penúltima frase:
Querido pai!

Tenho muito orgulho de ser sua filha... Obrigada por ser esse pai maravilhoso, por tudo que me deu (dá) e continua dando ao longo da vida!

Obrigada por todo o sacrifício que fez, as necessidades porque passou, os sonhos que deixou de realizar, para não deixar faltar nada à família e pela mesa farta (não só de pão, mas de elevados valores humanos e ensinamentos) que sempre nos proporcionou...

Sei que não sou e nem fui a filha que desejaria ou merecia, por isso hoje peço perdão, assim como peço perdão pelas vezes que precisou e não obteve ajuda, embora por não ter percebido que precisava de ajuda sem que pedisse, pois nunca iria pedir ajuda, sempre foi auto suficiente quer porque foi obrigado pelas circunstâncias da vida, quer porque sempre deixou passar a imagem de uma fortaleza, resistente as intempéries da vida. Peço perdão também pelas decepções, injustiças ou ingratidão que lhe possa ter causado, mas saiba que cada decepção, cada mágoa que possa lhe ter causado se doeu em si, doeu muito mais em mim quando tomei consciência de ter cometido tal falta que na altura não consegui evitar por ser "pavio curto" ou "ferver em pouca água" ou por não conseguir conter a mágoa de receber uma injustiça no preciso momento...

Tenha um bom dia, feliz e com saúde, paz e harmonia...

Com amor, carinho, gratidão e admiração...



Sua filha



sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Luto pela Perda do Pai (Estrela-Guia)...Sofrimento Imensurável


O sofrimento causado pela perda de um ente querido é grande, principalmente se for o pai,  mãe ou  ambos. Nas celebrações fúnebres as palavras mais transmitidas aos enlutados são: "Força, eu já passei por isso...", claro que sempre vai ter alguém que já passou por essa situação, pois o Crepúsculo da Vida chega para todos, porém, o desabafo do irmão, neste momento de dor e sofrimento , expressa uma verdade e sabedoria: "Que todos tem um pai ou uma mãe para perder é certo, ninguém é filho de chocadeira, mas depende do sentimento que se tinha pelo pai ou pela mãe, tem pessoas que até nos pais batiam ou abandonaram num lar ou asilo e "vem dizer eu sei o que é isso... eu também perdi o meu pai ou a minha mãe", estas pessoas não sabem o que é perder um pai que era um amigo, um companheiro, são várias perdas..." aqui cabe complementar, com o que se passa no momento interior, ...várias perdas para além das mencionadas:
Perda do rumo da vida, pela perda da Estrela Guia que norteou a vida inteira; 
Perda do "modelo de referência";
Perda do conselheiro sábio, cuja sabedoria aprendeu na "escola da vida";
Perda de quem mais nos amou e amparou na vida, de forma graciosa, generosa, compreensiva e tolerante, sem esperar nada em troca, com o objetivo  de proporcionar felicidade, bem-estar e encaminhamento na vida aos seus filhos, mesmo quando recebia, por vezes, ingratidão pela imaturidade, inexperiência ou vivência destes.
Perda de quem muitos sacrifícios passou para dar aos seus filhos o que não teve: Uma mesa farta (nasceu no seio de uma família de lavradores pobre, humilde) e formação universitária (tendo apenas a 4ª Classe, se tivesse oportunidade de seguir os estudos, seria um excelente médico, como foi um excelente gestor/administrador, sem ter tido formação específica nessa área).
Tudo isso demonstra a dimensão do sofrimento, neste momento de luto, que assume proporções aumentadas, imensurável, chegando por vezes a ser insuportável, quando na nossa mente:
Vem a lembrança do sofrimento atroz que o ente querido passou e que não conseguimos proporcionar alívio desse sofrimento, o muito que procuramos fazer, foi insuficiente e por vezes. ainda que, involuntariamente, até possa ter contribuído para aumentar esse sofrimento (por exemplo ao ajudar nos movimentos, tocando em pontos dolorosos, por desconhecimento dos mesmos, ou quando incentivamos ou insistimos em que fizesse algo , o recomendado, mas que não podia ou não era de sua vontade,  etc..).
 Recordamos, com remorsos, que  deixamos de fazer algo em pró do ente querido durante à vida antes do sofrimento chegar, dos momentos que não desfrutamos da sua companhia e sabedoria porque estávamos "ocupados" com nossos interesses pessoais ou profissionais, com nosso egoísmo ou egocentrismo.
Achamos que por nossa culpa, ainda que de forma involuntária ou indireta, por falta de capacidade, por confiar na capacidade dos profissionais, por desconhecimento ou outras razões, permitimos  ou não fizemos nada para impedir que esse sofrimento se desse.
Surge uma revolta ao lembrar de todo o sacrifício que passou na vida, de tudo que proporcionou não só aos filhos como à família de um modo geral, da luta sem tréguas na vida, sem que desfrutasse desse sacrifício ou luta e nos seus derradeiros dias ter um sofrimento atroz desses...
Lágrimas impedem de continuar...
Meus Deus!  
 Imploro que o sofrimento atroz que a minha "Estrela-Guia" (Pai) passou nos seu derradeiros momentos  e todo o sacrifícios durante a vida terrena, o conduza para a Luz Divina, em Paz sem sofrimento.
Peço que recompense e abençoe ao filho, pela dedicação, que abdicou de sua  própria vida, não medindo esforços ou sacrifícios , ainda que  para isso  tenha ignorado sua própria saúde física, mental, financeira ou bem-estar pessoal e da sua  própria família, para dar conforto, carinho e alívio do sofrimento nos derradeiros dias do Pai.
Amém!

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Sofrimento à Luz da Ciência (3)...Relação Médico-Doente

 


O sofrimento que a Estrela-Guia (Pai) passou nos seu derradeiros dias, levou a questionar o porque de tanto sofrimento? Entre uma série de outros questionamentos:
1- Porque Deus quis que seu filho Jesus sofresse tanto? Qual o sentido? Purificação e expiar os pecados? mas Jesus Cristo não tinha pecado e era puro, seria para mostrar ao homem que a  consequência do pecado é o sofrimento?

2-Porque muitos antes de morrerem tem um sofrimento atroz e outros simplesmente fecham os olhos e não mais acordam?

3- Porque a morte para alguns é sinal de sofrimento prévio e para outros é a sequência natural, é o Crepúsculo da Vida?
4- Porque quando termina o "prazo de Validade da Vida" não poderia ser simplesmente fechar os olhos?
Estes questionamentos automaticamente condicionaram o surfar nas ondas do Mar Internet, desta vez à luz da ciência:

Sofrimento e tempo O sofrimento possui ligação peculiar com o tempo. Assim, a antecipação de experiência de dor (diante de diagnóstico de paramiloidose, por exemplo, em pessoa que já cuidou de um familiar morto devido a essa doença neurodegenerativa) pode causar sofrimento e raramente dor. Pode também antecipar experiências de sofrimento: “se a dor que tenho deriva de um câncer, vou morrer”. O fato de podermos sofrer pelo que iremos, supostamente, viver no futuro pode ser usado inversamente, ou seja, podemos diminuir o sofrimento utilizando a sua estreita ligação à dimensão pessoal. Assim, por exemplo, um doente terminal pode diminuir o seu sofrimento atual estabelecendo pequenas metas a curto prazo em que realiza ou vê acontecer determinados fatos; por exemplo, assegurar que os estudos dos seus filhos menores sejam pagos com dinheiro entregue para esse fim a alguém de confiança. É a noção de tempo que relaciona as imagens (…) e que lhes dá a luz e o tom que as datam e as tornas significantes. (…) Porque a memória, aprendi por mim, é indispensável para que o tempo não só possa ser medido como sentido.
Doenças crônicas Até meados do século XX, a doença que mais matava na Europa era a tuberculose, mas com o sucesso antibacteriano conseguiu-se controlar sua expansão . A partir dos anos 1950, as neoplasias começaram a aumentar em todo o mundo, com incidência epidemiológica crescente, até nossos dias. Em Portugal, as neoplasias são ultrapassadas pelas doenças de foro coronário – lá se verifica o êxito no controle das doenças infecciosas, bem como o aumento de tempo médio de vida daí decorrente. Existem ainda outras causas para essa situação, como modificações alimentares, a entrada das mulheres no mundo do trabalho remunerado, as alterações climáticas e demográficas etc. Entre as consequências dessa mudança, assinalamos a necessidade de maior (e mais longo) contato clínico com pacientes: o número de doentes que um médico (em contexto hospitalar, por exemplo) diagnostica, medicamenta e nunca mais vê está diminuindo extraordinariamente em Portugal. Em contrapartida, existem cada vez mais pessoas que se sentem quase membros das famílias dos enfermeiros e médicos por quem são cuidados há anos.
Relação médico-paciente A formação de cuidadores de saúde formais exige, pois, crescente atenção quanto à relação Para compreender o sofrimento humano  médico-paciente. Daí o movimento em todo o mundo de (re)inserir o estudo das humanidades na formação médica. Nesse sentido, órgãos estadunidenses e europeus determinaram que o princípio do bem-estar do enfermo está baseado na dedicação em servir o interesse do paciente. Altruísmo contribui para a confiança que é central à relação médico-doente. Forças de mercado, pressões sociais, e exigências administrativas não devem comprometer este princípio. Outra questão que as doenças crônicas acarretam é a compreensão de que os cuidadores formais de saúde devem desenvolver humildade, que deveria ser estimulada nos anos de formação. Grande número de doenças crônicas está catalogado como sendo de foro autoimune, sobre o que muito pouco se conhece. Para ampla variedade delas, o que a medicina oferece é de carácter paliativo, e não de tratamento. A reabilitação de pacientes (ainda que não total) não é suficientemente estimulada, contrariamente a outras doenças crônicas cujos mecanismos de funcionamento são mais claros, biologicamente falando (diabetes, doenças coronárias etc.). A formação médica assenta, contudo, na dimensão curativa ou – quando curar não é possível – em manter os organismos vivos a todo custo. Essas situações ocorriam até então, sobretudo no que concerne a doentes terminais, mas as doenças crônicas vieram mudar essa situação. Diante desse quadro, a função dos médicos será, sobretudo, cuidar de pessoas que vivem quotidiano quase idêntico ao de não doentes, dado que muitos deles trabalham, desempenham funções familiares, utilizam seu tempo de ócio etc. – eles não estão doentes, são doentes  . Formação Como referido anteriormente, a formação médica usualmente não foca o treino de competências relevantes para a prática clínica com doentes crônicos por se alicerçar em crenças que impossibilitam tal investimento. Abordar-se-ão algumas, de foro epistemológico. Como se sabe, a medicina foi, até muito tarde, uma arte aliada ao saber escolástico próprio das universidades europeias, sobretudo mediterrâneas. Daí seu estatuto epistemológico de ciência aplicada . Le Breton apelida-a de ciência do corpo doente  , que nos remete diretamente a sua visão profundamente patogênica do ser humano, explicada e compreendida em função do paradigma mecanicista da física moderna. A formação médica assenta na crença da causalidade linear, ou formal/eficiente, em termos aristotélicos  . Como vimos, acredita-se ainda que a causa de um sinal, de uma sintomatologia, reside sempre numa disfunção em termos fisiológicos, em termos macro ou micro, por mais ínfimos que sejam. Daí que se sujeitem pacientes a exames contínuos, de crescente precisão, com certeza usualmente inabalável que essa causa única e fisiológica será encontrada . Em vários tipos de doenças crônicas, porém, não se encontram quaisquer deformações estruturais nos órgãos suspeitos, mas no modo como esses órgãos desempenham sua esperada função orgânica. As de tipo autoimune muito usualmente apresentam sintomatologia tão diversificada, que se torna impossível assumir-se uma só causa orgânica. Ou se considera essa origem única existente no imaginário do paciente (ou de foro mental, como identificamos) ou se assume que deverá existir uma variedade de causas para a multiplicidade tipológica de mal-estar. Esse tipo de doença remete ainda para a possibilidade de causalidade circular, e, se isso não é compreendido, pode-se tomar causa por efeito e vice-versa. Os médicos (cuja formação assenta na investigação laboratorial e científica) raramente assumem que são observadores em sua atuação profissional. Essa dificuldade existe por esse tipo de formação usualmente assentar na crença de que o conhecimento produzido corresponde à realidade (teoria da correspondência com o real, em termos epistemológicos), ainda que o doente não se identifique com ele . Treinam-se profissionais de saúde que acreditam atuar sem crenças ou representações psicossocioespirituais, que creem que aquilo a que seus corpos foram sujeitados em sua existência não influencia o modo de cuidar dos outros. Defende-se o maior autocontrole emocional possível e, de preferência, a inexistência de emoções perante o sofrimento humano. Sabemos que isso é impossível; o observador representa resultados (por ele avaliados) de suas interações com outros, e felizmente isso já é assumido em alguns manuais de apoio a cuidadores não formais, e mesmo formais : Através de interações recorrentes com os seus próprios estados linguísticos, um sistema pode permanecer assim sempre em situação de interagir com as representações (…) das suas interações. Tal sistema é um observador . Assim, a classe médica encontra-se em situação contraditória quanto a doenças crônicas. Se, por um lado, em nível da investigação científica, a  bioquímica tem investido bastante nesse tipo de enfermidade, no que se refere ao cuidado de doentes crônicos há, porém, longo caminho a percorrer na formação médica e na prática clínica. É necessário que sejamos educados face à nossa vulnerabilidade e nosso sentimento de vulnerabilidade, é necessário que a educação tome como sua responsabilidade este aspecto. Cuidados e comunidade Não caberia às comunidades nas quais os doentes crônicos vivem o cuidado desse mal-estar? Sim e não, pois muito do sofrimento dos doentes crônicos tem origem em seus relacionamentos comunitários. Quando do diagnóstico desse tipo de doenças, o enfermo é usualmente atingido por uma onda de solidariedade por parte de familiares e amigos. Tratando-se, no entanto, de doenças “em longo prazo”, com o tempo essa onda vai diminuindo; os cuidadores cansam das lamúrias (que também vão diminuindo diante da redução de pessoas que os procuram), familiarizam-se com as dificuldades motoras, alimentares etc., e pouco a pouco se esquecem que lidam com pessoas acometidas por aflições enormes, sendo a maior de todas a de não poder simplesmente ser como os outros. Enquanto doenças, como elas têm sido consideradas classicamente, estão confinadas ao corpo e às suas partes, a dolência de uma pessoa pode ser acompanhada por desordem em todo o sistema da pessoa – por exemplo, associados à família, ou até à comunidade .
Sofrimento crônico Na maior parte das doenças, o sofrimento perdura menos que o tratamento que leva à cura; uma das razões mais importantes para o alívio do sofrimento deriva da analgesia que uma primeira consulta ao médico proporciona. Por contraposição, doenças crônicas acarretam sofrimento crescente conforme as pessoas vão se sentindo um fardo cada vez mais pesado na vida de seus cuidadores informais. Sua identidade está profundamente ligada à vida daqueles a quem amam reciprocamente. Sentir que lhes tolhem a vida, que os limitam com suas limitações, é algo que se torna dramático quando tal situação se revela definitiva. Essas pessoas vivem usualmente sofrimento mesclado a culpa e medo de serem abandonadas. Quase inevitavelmente começam a pensar que o cuidador atua por obrigação e não por amor. Sobrecarregar quem os ama os divide em sua própria identidade. Essa situação acarreta dificuldades relacionais acrescidas, que se refletem, por exemplo, na vida sexual dos doentes crônicos, quer tenham dores, dificuldades motoras, insuficiências respiratórias, vasculares etc. No caso de mulheres, o sofrimento acentua-se facilmente dada a complexidade de fatores implicada em sua sexualidade. Representações sociais Em sociedades em que se valorizam pessoas com elevada emulação, que sejam admiradas pelos outros, quem se sente diminuído por seu sofrimento (físico, afetivo, espiritual etc.) sente-o aumentar exatamente por se considerar um fracasso para si próprio, para outros e até para entidades transcendentes em que acredita. Muitas pessoas vivem em contínuo duplo constrangimento , oscilando entre sentirem-se injustiçadas e não conseguirem ser como os outros (ou como acreditam que os outros sejam, sobretudo devido às imagens com que somos bombardeados pela mídia). Por razões desse tipo, o envelhecimento se tornou motivo de sofrimento para quase todos nós. Cada vez se torna mais difícil perceber a sabedoria existencial que a idade acarreta, focados como estamos na falta de vitalidade, produtividade, beleza estandardizada etc. Não podemos subestimar o impacto dessas representações sociais nas pessoas. Com efeito, a vontade de ser reconhecido como normal, igual, está sempre presente, ainda que não de forma consciente. Assumi-la, compreendê-la criticamente e perceber os custos que implica devem fazer parte de uma educação para o sofrimento. A importância da aceitação foi abordada por Kübler-Ross , entre outros. O sofrimento de uma pessoa doente é muito variável, mesmo em termos ontogenéticos, pelas razões anunciadas. Quanto maior a intensidade com que se sente a dor, maior é, em princípio, o sofrimento percebido pela pessoa. Daí os doentes crônicos associarem muitas vezes de forma linear seu sofrimento à dor provocada pela doença . Quando questionados com pormenor sobre essa correlação, verificamos que muito do sofrimento se relaciona antes com falta de sentido interno de coerência (SOC – Sense of Coherence) e falha na criação/gestão de recursos de resistência (GRR), colocando as pessoas em processos desidentitários. A negação ou a raiva diante da doença não proporciona sofrimento ou desenvolvimento de SOC/GRR . Muitas vezes, essa dificuldade é observada em cuidadores de doentes . O SOC refere-se à capacidade de atribuição de sentido na vida de cada um de nós, estruturando-nos diante das perturbações internas, ou (percepcionadas como) externas. Nem sempre quem mais sofre consegue reverter (lentamente) a situação em aprendizado; isso ocorre com pessoas que já atribuíram (e construíram) sentido no seu cotidiano, em outras vivências experienciadas anteriormente ao sofrimento em questão. No entanto, encontramos em estudos outras pessoas que diante de doenças crônicas graves não veem acrescido seu sofrimento, pois integram em suas vidas as dores a elas associadas. Isso se verifica em pessoas que conseguem atribuir sentido (ou SOC) a suas vivências dolorosas . Dimensão comunitária Na teoria da autopoiesis , seres humanos são sistemas vivos de terceira ordem, significando que a dimensão comunitária é intrínseca a sua identidade biológica. Construir níveis complexos de significação autopoiética pressupõe, pois, a inclusão daqueles que amamos nessa construção. Com essas pessoas, constituímo-nos uns aos outros em torno de padrões auto-organizativos que nos fazem atribuir sentido e valor semelhante ao sofrimento. Para tal, ajudamo-nos uns aos outros a encontrar formas de resistir ao sofrimento, mas também de aceitá- -lo, apoiando-nos nos recursos que as comunidades em que vivemos nos proporcionam . Os sistemas autopoiéticos podem interagir entre si, sem perder a sua identidade, enquanto as suas respectivas modalidades de autopoiesis constituam fonte de perturbações compensáveis . Cuidar informalmente de alguém está no domínio das comunidades às quais se pertence. A valorização social dessa dimensão corre risco de se perder, devido às sociedades altamente competitivas nas quais vivemos, que vinculam pessoas quase exclusivamente ao mundo laboral . Cuidar de alguém que sofre exige paciência, humildade, compaixão, despojamento. Caso o sofrimento esteja associado a dores, poderá exigir também cuidados profissionais de técnicos de saúde, mas os cuidados informais permanecem insubstituíveis na recuperação da pessoa .
Considerações finais Aprender com o sofrimento decorre de uma flexibilização lenta de padrões, que não pode levar a sua ruptura, sob risco de desagregação identitária. Daí a importância de formação de cuidadores que assuma a dimensão observacional, ou seja, a capacidade de lidar com suas representações mentais sobre as pessoas das quais cuida como se essas representações tivessem realidade ontológica, isto é, como se elas fossem o espelho daqueles de quem cuida. Mantendo isso em mente, os cuidadores tentarão compreender modos de pontuação da realidade tornados padrões de atribuição de significado no (ao) mundo dos sofredores (recorrendo às histórias de vida e a outro tipo de narrativas, por exemplo). Para tal, terão que estabelecer relações alicerçadas em empatia, humildade e confiança que possibilitem acoplamentos estruturais , quer com os doentes, quer com seus cuidadores informais. Para compreender o sofrimento humano  Pode acontecer que pessoas doentes com dores não estejam em sofrimento, caso aceitem sua condição e com ela tenham aprendido a reforçar o sentido da vida. Somente as conhecendo como seres humanos, e não só como pacientes, poderemos identificar se há, ou não, sofrimento, e de que tipo se trata. Os cuidadores informais são imprescindíveis para tal, e qualquer profissional de saúde deveria ter treino comunicacional, antropológico e ético para saber identificar situações nas quais seus doentes precisam de ajuda para além de medicamentos e tratamentos, mais ou menos invasivos . É impossível (não meramente difícil, mas impossível) basear decisões clínicas sólidas unicamente na evidência científica porque, como toda a ciência, a evidência sobre generalidades e pacientes são indivíduos particulares, únicos . O quase domínio da dor no século passado criou a crença em muitos profissionais (e até no público em geral) de que o sofrimento humano se encontra também controlado. Porém, isso não aconteceu, devido inclusive à dimensão simbólica que o sofrimento possui para cada pessoa, para cada comunidade e até para uma cultura civilizacional . A criação de matérias da área humanística não garante, por si só, formação mais integral e humanizadora dos profissionais de saúde 51, por causa de vários fatores, como o poder do paradigma mecanicista biomédico na academia do dito mundo civilizado. Estudos indicam que profissionais de saúde que tiveram formação nessa área a subestimaram de tal modo que, quando da sua prática clínica, não conseguem recordar que muito da formação de que sentem falta lhes foi oficialmente ministrado nas academias. O ideal do médico cinco estrelas se encontra muito longe de ser atingido, e a epidemia de negligência médica em alguns países assim o demonstra . Os próprios profissionais, aliás, são vítimas de uma formação que os treina para serem autômatos sem emoções, conduzindo-os por vezes para o esgotamento em todos os níveis . Por fim, é necessário que cuidadores informais, além dos formais, lembrem que pode existir sofrimento sem dor . Viver desestruturado, sem identidade e sentido para a vida constitui perigo não só para as pessoas em causa, mas também para comunidades .
Referências 1. Saunders C, Summers DH, Teller N, editores. Hospice: the living idea. Philadelphia: Saunders; 1981. 2. Munson P. Stricken: Voices from the hidden epidemic of chronic fatigue syndrome. New York: Haworth Press; 2000. 3. Coutinho JF, Fernandes SV, Soares JM, Maia L, Gonçalves OF, Sampaio A. Default mode network dissociation in depressive and anxiety states. Brain Imaging Behav. 2016;10(1):147-57. 4. Damásio A. The feeling of what happens: body and emotion in the making of consciousness. Nova York: Harcourt-Brace; 1999. 5. Varela FJ, Thompson E, Rosch E. The embodied mind. Cambridge: MIT; 1992. 6. Portugal. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Controlo da Dor. Lisboa: Ministério da Saúde; 2008. p. 6. 7. Cantista M. A dor e o sofrimento. Porto: Campo das Letras; 2001. p. 217. 8. Fricker J. Pain in Europe: a 2003 report. [Internet]. Cambridge: Mundipharma; 2003 [acesso 27 jan 2015]. Disponível: http://bit.ly/1UMyzW0 9. Le Breton D. Compreender a dor. Lisboa: Estrela Polar; 1995. 10. Groopman J. The anatomy of hope. Nova York: Random House; 2004. 11. Pfizer. Pro
 
http://www.scielo.br/pdf/bioet/v24n2/1983-8034-bioet-24-2-0225.pdf

Sofrimento...à Luz da Ciência (1)


O sofrimento que a Estrela-Guia (Pai) passou nos seu derradeiros dias, levou a questionar o porque de tanto sofrimento? Entre uma série de outros questionamentos:
1- Porque Deus quis que seu filho Jesus sofresse tanto? Qual o sentido? Purificação e expiar os pecados? mas Jesus Cristo não tinha pecado e era puro, seria para mostrar ao homem que a  consequência do pecado é o sofrimento?

2-Porque muitos antes de morrerem tem um sofrimento atroz e outros simplesmente fecham os olhos e não mais acordam?

3- Porque a morte para alguns é sinal de sofrimento prévio e para outros é a sequência natural, é o Crepúsculo da Vida?

4- Porque quando termina o "prazo de Validade da Vida" não poderia ser simplesmente fechar os olhos?
Estes questionamentos automaticamente condicionaram o surfar nas ondas do Mar Internet, desta vez à luz da ciência:

Cientificamente falando (transcrição de  um artigo encontrado- referido o "site"no final, cujo o teor  corresponde às noções teóricas conhecidas, ensinadas, estudadas e aprendidas no passado, mas que no presente momento teria sido difícil redigir com a clareza e objetividade coo neste artigo)
" Para compreender o sofrimento humano É muito usual identificarmos dor com sofrimento, ainda que, em termos rigorosos, se tratem de realidades distintas. Enquanto a dor possui sempre suporte fisiologicamente detectável, no sofrimento muitas vezes não é assim. Saunders  (nos anos 1960) propôs o conceito de “dor total”, mas as concepções mais contemporâneas de sofrimento são ainda mais completas do que a da fundadora do movimento Hospice. Isso se deve, sobretudo, às inovações tecnológicas que permitiram compreender melhor, por exemplo, mecanismos fisiológicos produtores da dor.  refletir sobre a possibilidade de existir descontinuidade ôntica entre dor e sofrimento,  contribuir para melhor compreensão dessas vivências humanas, e melhor embasar a formação de cuidadores de saúde mais perspicazes e compassivos.
A definição de dor mais comum na prática clínica identifica-a, de modo mais ou menos consciencializado, como sinal fornecido por tecidos corporais alterados. A dor existe sempre como manifestação de alterações fisiológicas, cuja causa técnicas auxiliares de diagnóstico usualmente identificam. A maior parte das vezes em que isso não acontece, é dito às pessoas que se queixam de dor que ela não decorre de acontecimento no seu corpo, mas de “fatores psicológicos” . Esse aparente diagnóstico manifesta outra crença difundida entre profissionais de saúde: O que é do nível psicológico não existe, é imaginado, é apenas mental, ou seja, a mente não é de ordem fisiológica, não vive imersa num corpo. O pressuposto aqui encontrado é o da divisão mente-corpo; essa crença (frequentemente não consciencializada) desmerece situações nas quais há dor sem disfunção detectável, como no caso de dores fantasma, aperto no coração etc. Dada a impossibilidade de serem avaliadas como dores viscerais ou somáticas, são por vezes enunciadas como mentais ou psicológicas pelos profissionais de saúde, desvalorizando-as por não serem (nessa linha de raciocínio) de ordem fisiológica. Diante desse tipo de diagnóstico, os usuários comumente realizam essa mesma leitura. Muitos não efetuam consultas adicionais; outros são enviados para psiquiatras, onde costumam ser avaliados apenas em nível cerebral , ainda que o funcionamento neurológico abranja todo o corpo humano .
Definição Atentos aos problemas que esse tipo de crença sobre a dor acarreta, a Associação Internacional de Estudo da Dor (cuja sigla em inglês é Iasp) definiu dor, há quase 20 anos, como experiência sensorial e emocional desagradável associada a dano tecidular atual ou potencial, ou descrita em termos de tal dano . Assume-se que a dor possui dimensão profundamente subjetiva, por tratar-se de vivência. O paradigma que impera nos cuidados de saúde formal é o biomédico, sendo uma de suas caraterísticas a produção de conhecimento descritivo e objetivável. Essa definição continua a vincular dor apenas a sua dimensão disfuncional em nível fisiológico, não colocando como hipótese haver dores de foro não fisiológico, tout court. Admite essa existência apenas enquanto a ciência não possui instrumentos/ conhecimento para identificar a causa linear de todo tipo de dor. É curioso que a argumentação desse raciocínio se vincule à linguagem aristotélica (potencial ou atual). Porém a inclusão pela Iasp da dimensão emocional na definição de dor representa mudança, permitindo que esse aspecto, de pendor fortemente subjetivo, se alie à dimensão fisiológica presente (e tradicional) na definição de dor. Quando não é possível identificar causa para uma queixa de dor, será mais sensato admitir ignorância que implicitamente avaliar essa percepção como irreal, apelidando de “psicológica” ou “somática”. A classe médica, por vezes, impõe aos doentes de tal modo suas representações e significados sobre o sofrimento, que os enfermos acabam optando pelas soluções que derivam desses pressupostos, e para as quais são pressionados. É um imaginário de origem tecnocientífica que determina a atual percepção da dor e do sofrimento e explica muitos dos nossos comportamentos, como no caso daquelas mulheres que, a partir de testes genéticos de cancro, optam pela solução mais radical, não escapando, afinal, a novas formas de sofrer  . Sejam quais forem as causas da dor, elas ocorrem num corpo em que o sistema nervoso tem papel muito importante. Estudo europeu sobre dor crônica  , realizado com cerca de 46 mil pessoas de dez países, constatou que um em cada cinco adultos sofre de dores crônicas, que se prolongam em média por sete anos, podendo atingir vinte anos ou mais. Em outro estudo  , 40% dos doentes crônicos assinalam o impacto da dor nas suas vidas cotidianas. Muitos desses doentes não foram avaliados ou diagnosticados, nem suas dores foram convenientemente monitoradas. Para compreender o sofrimento humano  É muito usual identificarmos dor com sofrimento, ainda que, em termos rigorosos, se tratem de realidades distintas. Enquanto a dor possui sempre suporte fisiologicamente detectável, no sofrimento muitas vezes não é assim. Saunders  (nos anos 1960) propôs o conceito de “dor total”, mas as concepções mais contemporâneas de sofrimento são ainda mais completas do que a da fundadora do movimento Hospice. Isso se deve, sobretudo, às inovações tecnológicas que permitiram compreender melhor, por exemplo, mecanismos fisiológicos produtores da dor. Empreendemos esta pesquisa para ) refletir sobre a possibilidade de existir descontinuidade ôntica entre dor e sofrimento, ) contribuir para melhor compreensão dessas vivências humanas, e ) melhor embasar a formação de cuidadores de saúde mais perspicazes e compassivos. Da dor A definição de dor mais comum na prática clínica identifica-a, de modo mais ou menos consciencializado, como sinal fornecido por tecidos corporais alterados. A dor existe sempre como manifestação de alterações fisiológicas, cuja causa técnicas auxiliares de diagnóstico usualmente identificam. A maior parte das vezes em que isso não acontece, é dito às pessoas que se queixam de dor que ela não decorre de acontecimento no seu corpo, mas de “fatores psicológicos”  . Esse aparente diagnóstico manifesta outra crença difundida entre profissionais de saúde: o que é do nível psicológico não existe, é imaginado, é apenas mental, ou seja, a mente não é de ordem fisiológica, não vive imersa num corpo. O pressuposto aqui encontrado é o da divisão mente-corpo; essa crença (frequentemente não consciencializada) desmerece situações nas quais há dor sem disfunção detectável, como no caso de dores fantasma, aperto no coração etc. Dada a impossibilidade de serem avaliadas como dores viscerais ou somáticas, são por vezes enunciadas como mentais ou psicológicas pelos profissionais de saúde, desvalorizando-as por não serem (nessa linha de raciocínio) de ordem fisiológica. Diante desse tipo de diagnóstico, os usuários comumente realizam essa mesma leitura. Muitos não efetuam consultas adicionais; outros são enviados para psiquiatras, onde costumam ser avaliados apenas em nível cerebral 3 , ainda que o funcionamento neurológico abranja todo o corpo humano . Definição Atentos aos problemas que esse tipo de crença sobre a dor acarreta, a Associação Internacional de Estudo da Dor (cuja sigla em inglês é Iasp) definiu dor, há quase 20 anos, como experiência sensorial e emocional desagradável associada a dano tecidular atual ou potencial, ou descrita em termos de tal dano . Assume-se que a dor possui dimensão profundamente subjetiva, por tratar-se de vivência. O paradigma que impera nos cuidados de saúde formal é o biomédico, sendo uma de suas caraterísticas a produção de conhecimento descritivo e objetivável. Essa definição continua a vincular dor apenas a sua dimensão disfuncional em nível fisiológico, não colocando como hipótese haver dores de foro não fisiológico, tout court. Admite essa existência apenas enquanto a ciência não possui instrumentos/ conhecimento para identificar a causa linear de todo tipo de dor. É curioso que a argumentação desse raciocínio se vincule à linguagem aristotélica (potencial ou atual). Porém a inclusão pela Iasp da dimensão emocional na definição de dor representa mudança, permitindo que esse aspecto, de pendor fortemente subjetivo, se alie à dimensão fisiológica presente (e tradicional) na definição de dor. Quando não é possível identificar causa para uma queixa de dor, será mais sensato admitir ignorância que implicitamente avaliar essa percepção como irreal, apelidando de “psicológica” ou “somática”. A classe médica, por vezes, impõe aos doentes de tal modo suas representações e significados sobre o sofrimento, que os enfermos acabam optando pelas soluções que derivam desses pressupostos, e para as quais são pressionados. É um imaginário de origem tecnocientífica que determina a atual percepção da dor e do sofrimento e explica muitos dos nossos comportamentos, como no caso daquelas mulheres que, a partir de testes genéticos de cancro, optam pela solução mais radical, não escapando, afinal, a novas formas de sofrer  . Sejam quais forem as causas da dor, elas ocorrem num corpo em que o sistema nervoso tem papel muito importante. Estudo europeu sobre dor crônica  , realizado com cerca de 46 mil pessoas de dez países, constatou que um em cada cinco adultos sofre de dores crônicas, que se prolongam em média por sete anos, podendo atingir vinte anos ou mais. Em outro estudo  , 40% dos doentes crônicos assinalam o impacto da dor nas suas vidas cotidianas. Muitos desses doentes não foram avaliados ou diagnosticados, nem suas dores foram convenientemente monitoradas.  (Cont...)
http://www.scielo.br/pdf/bioet/v24n2/1983-8034-bioet-24-2-0225.pdf