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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O Eu interior nas fases da vida

Na infância o eu interior é indivisível com o eu exterior=> a criança é o que pensa que é, não tem limites, barreiras, fronteiras, estes são colocados pelos adultos que a cercam. Um exemplo, uma criança deficiente não o é para si mesma e nem para as outras crianças, até que é incutido na cabeças delas essa deficiência. Muitas vezes na tentativa dos adultos de protegê-las, acabam acentuando e reforçando a deficiência ou limitação existente e assim as crianças passam a ter essa percepção.

"O bebê nasce com um self que é um fenômeno biológico, não psicológico, acredita ele. O ego, em contrapartida, é uma organização mental que se desenvolve à medida que a criança cresce. O senso de self ou a consciência do self nasce quando o ego (o “eu” mental) passa a estar definido através da autoconsciência, da auto-expressão e do autocontrole. Mas esses termos referem-se à sensibilidade – à consciência, expressão e domínio das sensações. O self, portanto, pode ser definido como um aspecto sensível do corpo".
Na adolescência o eu interior é suplantado pelo eu exterior => é um período de muita mudança, principalmente a nível exterior; O egoísmo e o egocentrismo vigoram, os adolescentes são voltados para si mesmos, porém não são voltados para dentro de si, pouco ou nada param para "ouvir a voz" do seu interior, escutam apenas a voz do eu pertencente ao grupo em que estão inseridos ou tentam estar inseridos.
"Os obstáculos interiores são a ignorância e a fraqueza. O que não sabe o que tem de fazer só tem liberdade para errar, mas não para acertar. E aquele que é fraco, deixa que a desordem dos seus sentimentos ou a coacção externa lhe arrebatem a liberdade. A ignorância deixa a consciência às escuras: não pode decidir bem porque lhe faltam as bases, porque está deformada ou porque foi pouca formada, fica condicionada por qualquer influência ou ideia. Também as várias manifestações da fraqueza pressionam ou abafam a voz da consciência, quer por acção das paixões desordenadas, quer por causa da preguiça". http://artedeviver.no.sapo.pt/amorverdade.htm

Na vida adulta o eu interior começa a se manifestar=> Passado o "furor", a superficialidade, a crise de identidade da adolescência, o jovem adulto começa a se ouvir mais, já não sente o pertencer ao grupo como sendo prioritário, procura "ouvir" mais o seu eu interior do que propriamente o "eu" do grupo, passa a ser o seu "eu" e o "eu" do grupo, o eu interior mais o eu exterior, este último acaba prevalecendo, diferente do eu exterior da adolescência, para atender as exigências feitas pela sociedade, onde está inserido, obrigando a assumir responsabilidades cada vez maiores: Formação profissional, absorção no mercado de trabalho, aquisição de bens materiais, conquista de sua independência, progressão laboral, em alguns casos, constituição de sua família.

"Para alcançar a liberdade interior é preciso vencer a ignorância e as diferentes manifestações de fraqueza. Assim a consciência vai descobrindo a verdade e pondo em ordem os bens e os deveres. Daí a importância de ter verdadeiro amor à verdade".http://artedeviver.no.sapo.pt/amorverdade.htm

Na meia idade o eu interior supera o eu exterior =>tempo de balanço de vida, faz-se um apanhado do passado; Contraste entre o passado e o presente, se houve algum acontecimento negativo marcante no presente, surge uma melancolia ou saudade do passado e uma falta de perspectivas para o futuro. Cada vez mais o eu interior é "ouvido", muitas vezes gerando conflitos, porque o eu interior que se vai conhecendo contrasta com o eu exterior, como se aquele não passasse de um mero desconhecido, há uma incongruência entre os dois, interior e exterior, como se existissem duas pessoas numa mesma pessoa, a que se conheceu ou pensasse que se conheceu a vida inteira e a que vamos conhecendo ou pensasse que se vai conhecendo. ora perplexos pela descoberta dos horizontes que estavam latentes, ora decepcionados por estar iludido em relação a si mesmo.
"A nossa identidade dual assenta em nossa capacidade para formar uma imagem do self em nossa percepção consciente do self corporal. Numa pessoa saudável, as duas identidades são congruentes. A imagem ajusta-se à realidade do corpo como uma luva à mão de seu dono. Quando existe falta de congruência entre a imagem do self e o self, ocorre então um distúrbio de personalidade. A seriedade desse distúrbio está em proporção direta ao grau de incongruência. A discrepância é extremamente marcada na esquizofrenia, onde a imagem quase não tem relação alguma com a realidade. “As instituições psiquiátricas abrigam muitas pessoas que se consideram Jesus Cristo, Napoleão ou alguma outra figura célebre". (Lowen, 1993, p. 39)http://www.ligare.psc.br/leituras/self_des_saudavel_pg7.htm
"O nosso eu interior ou a nossa identidade pofunda se esconde atrás de muitas máscaras que a vida nos impõe. Pois a vida é um teatro no qual desempenhamos muitos papéis.Mas há um momento em que tudo isso é relativizado e vira pura palha. Então deixamos o palco, tiramos as máscaras e nos perguntamos: Afinal, quem sou eu? Que sonhos me movem? Que anjos que habitam? Que demônios me atormentam? Qual é o meu lugar no desígnio do Mistério? Na medida em que tentamos, com temor e tremor, responder a estas indagações vem à lume o homem interior. A resposta nunca é conclusiva; perde-se para dentro do Inefável".http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=650&class=06

Na velhice existe somente o eu sozinho => o eu exterior passa a ter muitas limitações que também vão limitando o eu interior, tornando -se isolado, solitário, muitos são considerados inúteis para a sociedade, que acha que o velho não é produtivo; Estorvo ou um peso para algumas famílias. Todo o seu conhecimento, sua experiência ao longo da vida, cai no esquecimento, originando um mergulhar forçado no seu interior, ficando cada vez mais submerso e perdido nos seus pensamentos. Talvez por isso a demência se instale e daí que muitos associam a velhice com a demência.

Contudo, seria bom se pudéssemos encarar essa etapa assim:"A velhice é a última chance que a vida nos oferece para acabar de crescer, madurar e finalmente terminar de nascer. Neste contexto, é iluminadora a palavra de São Paulo: "na medida em que definha o homem exterior, nesta mesma medida rejuvenesce o homem interior"(2Cor 4,16). A velhice é uma exigência do homem interior. Que é o homem interior? É o nosso eu profundo, o nosso modo singular de ser e de agir, a nossa marca registrada, a nossa identidade mais radical. Esta identidade devemos encará-la face a face.

O importante é preparar o grande Encontro. A vida não é estruturada para terminar na morte, mas para se transfigurar através da morte. Morremos para viver mais e melhor, para mergulhar na eternidade e encontrar a Última Realidade, feita de amor e de misericórdia. Aí saberemos finalmente quem somos e qual é o nosso verdadeiro nome". - Leonardo Boff http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=650&class=06


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