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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Consciência...essa juíza implacável

O sistema nervoso humano normalmente é capaz de desenvolver capacidades complexas: perceber, aprender, lembrar, planejar, decidir, realizar ações, assim como de estar acordado, adormecer, sonhar, prestar atenção e estar consciente. "Através da atitude reflexiva, o indivíduo tem contato direto com o seu mundo interno, mas apenas àquilo do seu mundo interno que está na consciência. Esse contato direto é sem intermediações e abre para o indivíduo todo o seu campo subjetivo consciente".

A consciência é o reconhecimento do eu, do mundo que o rodeia e da própria existência, como o filósofo René Descartes disse "penso logo existo".

A consciência está associada muitas vezes a juízo de valores, julgar o que é certo ou errado, discernir entre o bem e o mal, por isso também associado ao pecado e em consequência a culpa, gerando nestes casos ter a "consciência pesada". Neste contexto a consciência pode ser um carrasco implacável, dependendo do grau de importância que nós estabelecemos ou grau de exigência que nos imputamos, levando muitas vezes a nos punirmos e flagelarmos de forma injusta para connosco próprio, ou toldemos o nosso discernimento da realidade. Exemplicando, um aluno que estudou para o exame, realiza esse exame, mas por ter tido dúvida a cerca de alguma questão, acaba por apagar de sua mente toas as outras questões em que teve bom desempenho e se lhe for perguntado como correu op exame acaba por dizer desanimado, chateado, por vezes sofrendo por antecipação, que correu mal, mas, quando o resultado sai, revela, muito satisfeito, ter tido uma boa nota. Neste caso sofreu inutilmente.

Outro exemplo, ainda dentro da relação estudo-avaliação, é o aluno que faz o exame sem ter dificuldade em nenhuma questão ou quando muito alguma dúvida, quando sai do exame, afirma ter corrido bem, mas para seu deânimo, desalento e frustração a nota foi pior do que tinha consciência.

Ainda dentro dessa relação um outro exemplo do aluno que durante o estudo para o exame tem consciência de que aprendeu, mas na hora do exame sente dificuldade como se não tivesse estudado.

Estes 3 exemplos mostram como a consciência enquanto juíza de valores a cerca de nossas ações em relação ao mundo que nos cerca, pode ser ela própria a nos tornar inconscientes de nós mesmos em relação à realidade.


Ernest Hilgard (1977) forneceu suporte teórico e empírico à afirmação de que dentro de todos nós existe uma “multiplicidade de sistemas funcionais hierarquicamente organizados mas que podem ficar dissociados uns dos outros.” A dissociação se refere ao aparecimento de barreiras de comunicação transientes entre a meta-conciência e outros compartimentos mentais.Os psicólogos concordam, contudo, que a mente contém sistemas paralelos que podem conduzir tarefas simultaneamente, cada qual com suas próprias sensações e intenções. Muita coisa interessante ocorre fora da camada de auto-consciência, mas a consciência executiva geralmente só fica cônscia dos produtos dessas deliberações inconscientes, não dos processos em si. Se necessário for, ela pode desviar a atenção para algumas dessas operações paralelas, trazendo-as temporariamente à consciência.Qualquer coisa que interrompa os mecanismos cerebrais responsáveis pela auto-consciência, ou acesso à sua base informativa, nos fará sentir muito estranhos – a marca inconfundível de um EAC
Contudo, a consciência é muito mais do que juíza de valores, é principalmente a ponte de ligação entre o nosso meio interno e o meio exterior e, como tal, apresenta vário graus ou níveis, que são aferidos quando uma pessoa sofre, por exemplo, um traumatismo crâneo-encefálico, que vai definir o prognóstico desse traumatismo, no serviço de urgência e unidades de cuidados intensivos, é utilizada a escala de Glasgow , onde são avaliadas as respostas aos estímulos verbais e dolorosos, de forma quantitativa :
Abertura Ocular(varia de 4, se espontaneamente até 1, se ausente)

Melhor Resposta Motora (varia de 6, se normal, até 1, se ausente)

Melhor Resposta Verbal (varia de 5, se orientada, até 1, se ausente)

Os valores fornecidos pelo somatório dos três indicadores da escala variam de 3 a 15. O total de 15 pontos indica um indivíduo neurofisiologicamente normal no que se refere ao nível de consciência. Paciente é considerado comatoso quando não obedece às ordens, não emite palavras, não abre os olhos.

Os níveis de consciência são
*Estado de alerta – Ativo, responde apropriadamente aos mínimos estímulos, perceptível ao meio;

*Letárgico – Lento ao falar, responde aos estímulos tátil e verbal, podendo apresentar confusão mental;

*Estado de obnubilação – Resposta lenta aos estímulos sensoriais profundos (dolorosos). A resposta pode ser verbal, com poucas palavras que não fazem sentidos; se caracteriza pela diminuição da sensopercepção, lentidão da compreensão e da elaboração das impressões sensoriais. Há ainda lentificação no ritmo e alteração no curso do pensamento, prejuízo da fixação e da evocação da memória, algum grau de desorientação e sonolência mais ou menos acentuada. Devido ao prejuízo na fixação da memória, possivelmente devido também à alteração da atenção, a qual, embora possa ser despertada por estímulos sensoriais não representa um ponto inicial de alguma progressão psíquica, o paciente obnubilado não se lembra de quase nada do que se passa ou se passou consigo. Na consciência obnubilada nada de novo pode ser acrescentado. Há também deterioração do pensamento conceptual, que se torna incoerente e fragmentário. Com freqüência surgem formas alucinatórias, pseudo-alucinatórias ou delirantes. Embora o paciente não tenha condições de apresentar qualquer queixa somática, é possível verificar, pela expressão fisionômica, algum sentimento de sofrimento, inquietação, ansiedade, depressão, habilidade emocional ou irritabilidade. Em muitos casos, a obnubilação da consciência pode representar o primeiro grau da confusão mental ou pode constituir a fase inicial da instalação do coma.

*Estado de torpor – Não ocorre resposta verbal ao estímulo doloroso profundo, podendo apresentar movimentos inespecíficos;

*Estado de coma – Definido como estado de abolição de respostas ou respostas reduzidas e alteradas. O paciente tem perda completa da percepção do meio ambiente e de si próprio e do qual não pode ser despertado. É o estado mais grave de perda da consciência e geralmente se acompanha de algum comprometimento neurológico e/ou somático grave. A vida de relação, os reflexos e os automatismos costumam estar bastante alterados, variando de acordo com a intensidade do estado comatoso. Havendo alguma atividade psíquica presente, ainda que confusa, fala-se de coma vigil. No estado comatoso a consciência se acha profundamente alterada ou quase abolida, tanto assim que o doente não dispõe da capacidade de se manter atento ao mundo externo e, desse modo, ter consciência do que está sendo vivido.
Outra perspectiva sobre a consciência é dado por Susan Greenfield, pesquisadora da Universidade de Oxford, para ela a consciência não é um lampejo, mas um contínuo de conexões dos seus neurônios, que vão ocorrendo do momento em que você nasce até o fim da sua vida. A cada nova experiência, seu cérebro faz uma representação mental que é armazenada em sua memória. Ao comer uma comida diferente, por exemplo, surgiria uma mudança nas conexões do seu cérebro. Quanto mais o mundo passa a ter significado para você, mais conexões são feitas em seu cérebro, diz Greenfield. http://super.abril.com.br/revista/240a/materia_especial_261544.shtml?pagina=1

Para muitos a consciência foi "plantada" por Deus nos nossos cérebros como um canal de ligação, onde Ele fala connosco através dela, como num exemplo relatado por um médico: Um funcionário de um banco que o procurou em seu consultório apresentando sintomas de epilepsia. O paciente contou que se sentia inseguro, que suas pernas tremiam, que ele sempre tropeçava e que sentia muito medo de cair na rua. Os exames mostraram que ele era fisicamente saudável, mas o médico percebeu sintomas de agitação interior. Então disse francamente ao bancário que ele havia tirado dinheiro do caixa do banco. Apavorado, o funcionário concordou com a acusação. Mas disse que já havia reposto todo o dinheiro, porém continuava com muito medo de ver seu erro descoberto. Depois de um aconselhamento espiritual, onde ele confessou sua culpa e declarou-se disposto a assumir as conseqüências de seu ato, sentiu-se imediatamente aliviado e liberto de sua "epilepsia".


Deus colocou a consciência em nós fazendo-a funcionar como acusador e como canal através do qual Ele fala conosco. Mas a consciência pode ser manipulada e, em casos extremos, usada pelo próprio Diabo. Por isso é vitalmente importante sabermos a quem nossa consciência está sujeita e a quem ela é submissa. Existe a possibilidade de nossa consciência tornar-se insensível com o passar do tempo: "os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza" (Ef 4.19).


Muitos "bombardeiam" sua consciência, negam-se a ouvir sua voz porque ela incomoda, pois ela fica advertindo e alertando constantemente. Mas um dia a pessoa se vê confrontada com o resultado dessa atitude e percebe que tudo está perdido, que naufragou na fé por ter deixado de ouvir sua própria consciência http://www.chamada.com.br/mensagens/consciencia.html


A língua inglesa permite diferenciar dois tipos de consciência :

*Conscience - que é a consciência em seu sentido moral

*Consciousness, traduzindo seu sentido psiconeural.

O idioma português dispõe apenas de uma palavra para atender esses dois significados. Em neurociência é considerado o sentido psiconeural do vocábulo, o consciousness da lingua inglesa. Pelo conceito clássico, consciência é aquele estado em que a pessoa está ciente de suas ações físicas e mentais. O que só ocorreria, se ela estiver acordada e alerta ou não, se estivesse dormindo, em coma, ou sob anestesia geral.
A consciência em si, diz respeito à excitabilidade do sistema nervoso central aos estímulos externos e internos sob o ponto de vista quantitativo e, sob o ponto de vista qualitativo, à capacidade de integração harmoniosa destes estímulos internos-externos, passados e presentes. Portanto, em psiquiatria, perguntar se a pessoa está ou não consciente tem uma conotação muito diferente da mesma questão tratada neurologicamente. Na psiquiatria o que se quer saber é se o indivíduo tem capacidade de integrar dinamicamente e coerentemente suas vivências, na neurologia quer se saber se ele está vigil, desmaiado ou em coma.

Depois de muitos séculos tentando delimitar um sítio cerebral específico para a sede da consciência, tudo acabou indicando que esta não esteja circunscrita à nenhuma área cerebral específica, mas se espalha difusamente pelo cérebro, sendo, simultaneamente, uni-temporal e múlti-espacial. Essa visão global da consciência se alicerça na recente teoria das assembléias neuronais.
A teoria baseada nas assembléias neuronais representa um modelo muito convincente para a formulação de uma hipótese a respeito da consciência. Segundo essa teoria, o pensamento consciente é gerado quando vários neurônios de diversas colunas se unem funcionalmente e, atuando harmonicamente e em conjunto, constroem uma assembléia, iniciando assim a formação de um determinado estado consciente .
Essa teoria tem sido corroborada por constatações de que os neurônios são capazes de se associarem rapidamente, formando grupos (assembléias) funcionais para realizarem uma determinada tarefa. Uma vez que esta tarefa esteja terminada, o grupo se dissolve e os neurônios estão novamente aptos a se engajarem em outras assembléias, para cumprirem uma nova tarefa .

Ao dirigirmos um carro, por exemplo, nossa consciência pode estar focada em vários pensamentos (conscientes) e, ao mesmo tempo estamos cientes do trânsito e manobrando o veículo. Essas atitudes mentais seriam como que automáticas, das quais não estamos tomando ciência absoluta.
Pesquisas neurofisiológicas demonstraram que o Sistema Reticular Ativador é o principal mecanismo responsável pelo estado de vigília e de sono. Estando em conexão íntima com os centros hipotalâmicos da vigília e do sono, o Sistema Reticular Ativador é o responsável pela regulação do nível de vigilância. Nesse particular, as diferentes gradações da vigilância correspondem a diferentes graus de consciência, que podem ir, gradualmente, da completa lucidez da consciência à inconsciência.
Embora não se consiga definir a consciência facilmente em fisiologia, podemos afirmar que a tomada de consciência necessita, no mínimo, de dois mecanismos; um de análise, baseado na atividade cortical, possivelmente através da assembléia neuronal, e outro, o reticular, que é representado pelo grau de vigilância (atividade funcional) necessário à atividade do primeiro.
O simples eletroencefalograma já mostrava que em estado de completa relaxação, com ausência de estímulos exteriores, a atividade elétrica cortical se processa num ritmo de 8 a 92 ciclos por segundo, o que corresponde ao ritmo alfa. Esse ritmo de base tende a modificar-se no sentido de uma aceleração nos estados de grande tensão psíquica, como também pode tornar-se lento, com um registro de 2 a 3 ciclos por segundo, ou ainda mais lento nos estados de coma .
Pode ser chamada de vigilância um estado de reatividade da consciência à situação atual, podendo esta reatividade estar à um nível elevado, corresponde a uma atividade consciente crítica, ou estar num baixo nível de vigilância, correspondendo a uma reatividade automática de conservação.
Além da vigilância necessária à ativação da consciência há também processos de direcionamento da atividade consciente e, contrapondo-se à excitação do sistema nervoso central que origina o movimento incessante da consciência, há também uma certa inibição, cuja finalidade seria regular e dirigir em determinado sentido a atividade desta ou daquela função. Nesse particular, desempenha papel de grande significação a interdependência entre o córtex e a região subcortical. Desde Pavlov acredita-se que a tonicidade do córtex cerebral provém da região subcortical, que tem grande importância para a conservação do tônus geral e afetivo.
http://www.psiqweb.med.br/site/?


A consciência é uma das mais complexas actividades cerebrais que o ser humano desenvolve, tanto no seu aspecto moral, quanto no seu aspecto neuro-psico-fisiológico, há muita dificuldade em ser entendida, ainda mais por existir actividades cerebrais paralelas que não estão localizadas no campo consciente que pode influenciar todo o processo da tomada de consciência, representando uma ameaça invisível ou não perceptível, igual ao que fazem os pilotos de avião ao voarem em baixas atitudes de forma a não serem captados pelo radar por que estão se protegendo quando são procurados ou quando têm intenção de efetuar um ataque surpresa. Ou por exemplo quando se está de olhos vendados não percebemos os obstáculos e nem dos perigos que nos rodeiam, neste caso os ninjas e os detentores do conhecimento das artes marciais, em particular treinam para ampliarem campo da consciência, através do aprimoramento dos sentidos e da percepção de si mesmos.

Em termos morais, de acordo com o código de valores que cada um segue, a consciência pode ser uma juíza implacável que pode interfirir com o cotidiano da vida de cada um, por isso que as pessoas em paz com a sua consciência afirmam: "eu coloco a cabeça no travesseiro e durmo tranquilamente".

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