Sua visita me deixou muito feliz...

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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Olhos d'Alma...um comentário!



Aprecio a interação entre autor e leitor, como esta, que achei interessante, relativa ao livro Olhos d'Alma, que é a resposta da autora (uma amiga íntima) ao mail que um leitor (seu nome foi preservado a pedido da autora) lhe escreveu, a azul são as palavras do leitor e púrpura é a resposta da autora.


Olá querida amiga Bárbara Aslan! Bem disposta?


Já li o seu 4.º livro há já algum tempo, pelo que a congratulo pelo seu progresso no discurso de argumentação. Contudo, só agora me foi possível tecer alguns comentários. Desta vez, senti a necessidade de fazer apenas estas três observações:


O primeiro comentário reporta-se à página 16, quando a Bárbara faz alusão à eventual “conspiração” do Universo para que dois corações, ainda que separados pela distância, se ajudem um ao outro, quando um se encontra mais fragilizado e/ou carente. Neste contexto, já muitas vezes, em diversas circunstâncias, reflecti acerca de Deus, através (e ironizando um pouco a situação) das elipsoidais trajectórias dos planetas, deve escrever direito por linhas tortas, os destinos e Karmas de todos os seres vivos (vulgo quiromancias, astrologias e horóscopos), a fim de essas “conspirações” confluírem para que o amor entre os Homens (homens e mulheres) simplesmente aconteça.



Amigo leitor gostei da sua reflexão:”… acerca de Deus, através (e ironizando um pouco a situação) das elipsoidais trajectórias dos planetas, deve escrever direito por linhas tortas, os destinos e Karmas de todos os seres vivos, a fim de essas “conspirações” confluírem para que o amor entre os Homens (homens e mulheres) simplesmente aconteça…” agora faço-lhe uma pergunta: você já experimentou essa conspiração? Ou é simplesmente uma dedução sua ou intuição?




Quanto ao segundo comentário, reporta-se às páginas 115 e 116. Subordinado ao título , a Bárbara reporta-se ao um episódio algo “macabro” em que o cadáver de um ente querido de um amigo seu foi exumado. Segundo o seu texto, o seu amigo, experimentou um . Na verdade, e do meu ponto de vista, até faz todo o sentido! Antes de dar seguimento ao meu raciocínio, permita-me que lhe diga que grande parte da minha vida tenho lançado a mim mesmo este género de questões mais existenciais, principalmente nos últimos quase 3 anos (por motivos óbvios). Passo, pois, a explicar o meu ponto de vista: Depois de um corpo ficar sepultado (enterrado na terra ou “arquivado” num jazigo), o corpo (parte carnal) é, à luz da lei da natureza, e porque qualquer corpo animal é constituído maioritariamente (cerca de 70% a 75%) por água, o corpo é corrompido pelos mais variados elementos químicos em decomposição pela natureza. Portanto, todos os tecidos ditos “moles” (pele, carne/ músculos, tendões, cartilagens, talvez unhas e cabelos), simplesmente desaparecem. Ou seja, eles não foram ilusão; eles existiram; tiveram presença física. Tanto mais, que participaram do contacto físico entre nós seres humanos vivos, e constituem parte do nosso álbum de memórias e recordações. Por essa razão, quando o cadáver entra em processo de decomposição, de facto, a parte carnal deixa de existir. Ou seja, converte-se em pó. O que resta será a estrutura óssea, que é a parte do corpo que se apresenta mais resistente. Além disso, faz sentido que a nomenclatura óssea não desapareça juntamente com a carne, visto que, procedendo a uma análise mais dissecada ao interior de um esqueleto/osso poderá ser interpretado (pelo menos do ponto de vista histórico e arqueológico) como um “arquivo inactivo/ histórico” revelando na medula óssea o historial clínico/ “autobiografia” desse indivíduo enquanto era vivo.
Além disso, e prestando atenção às suas duas últimas frases da página 116, permita-me refutar-lhe os seus argumentos… =) mas é que nem tudo poderá estar perdido! Creio que há uma explicação, apesar de não haver provas científicas! É neste contexto, que posso adiantar que poderá haver uma explicação metafísica!



Para o efeito, devo evocar à minha memória, a última semana de Dezembro de 2011, onde eu tive o privilégio e a honra e ter privado uma conversa (privada) com uma pessoa, igualmente confinada a questões metafísicas (confesso que jamais pensei em servir-me do teor daquela conversa para sustentar este comentário). Segundo esta personalidade tão marcante da Igreja Católica, toda a parte espiritual de cada indivíduo (personalidade, sentimentos, emoções, ideais, aspirações, sonhos, etc.) constituem a esfera espiritual, ou seja, trata-se de “software” arquivado na alma. Contudo, a alma e o espirito não nos pertencem (pertencem sim, a Deus). O que acontece é que, (e peço perdão por usar linguagem típica analógica dos computadores), quando nascemos, é-nos “instalada” a alma para que tenhamos a sua tutela e respectiva responsabilidade enquanto formos/ somos vivos. Assim sendo, à medida que crescemos, que somos educados e colectores de toda a formação cívica, somos instruídos para connosco mesmos e para com a nossa personalidade, nossos ideais, emoções, sentimentos, aspirações, sonhos, etc, incrementando, assim, no “nosso” espírito e na “nossa” alma emprestadas, a informação adicional ao longo da nossa vida terrena. 

Assim sendo, enquanto o corpo, após sepultado, desaparece pela via da decomposição, toda a “parte incorpórea” que (a)dimensiona a alma, transitará para dimensão espiritual. 


Muito interessante essa sua reflexão, porém, cabe aqui um ponto discordante ao mesmo tempo corroborante, você disse “…eles não foram ilusão; eles existiram; tiveram presença física…” em relação a pele, aos cabelos, músculos, etc.. é aqui o ponto discordante que surgiu em minha mente no exato momento em que acabara de lê-lo: Isso tudo é uma ilusão e como tal passageiro, aliás como o é toda matéria, o que vem a reforçar aquela frase popular “as aparências enganam” e que é muito explorada nos filmes de ficção cientifica em se tratando de seres Extra Terrestres, que aproximam-se dos “terráqueos” sob a aparência humana. A partir dessa reflexão, surge outra: grande parte dos Seres Humanos vivem de aparência, cultuam o físico, a beleza exterior, sem se preocupar ou cultivar o espírito, logo vivem de ilusão e como tal perecem quando “a capa” deixa de existir.
Por outro lado quando você refere:”… faz sentido que a nomenclatura óssea não desapareça juntamente com a carne, visto que, procedendo a uma análise mais dissecada ao interior de um esqueleto/osso poderá ser interpretado (pelo menos do ponto de vista histórico e arqueológico) como um “arquivo inactivo/ histórico”…” pensando bem é a única prova da existência da vida de um animal na face da Terra, é a partir de uma “ossada” que a história ou uma história é reconstruída. O que revela a Omnisciência, Omnipresença e a omnipotência do Criador.




Nesta altura do campeonato do meu discurso, creio que o postulado de Antoine Lavoisier, por si, Bárbara, citado continua a fazer sentido! Ou seja, se a parte imaterial do corpo (personalidade, sentimentos, emoções, sonhos, aspirações, etc) em vida do indivíduo já era invisível (mas sabia-se que existia, porque se manifestava por acções), invisível continua. Apenas acontece que transitou para outra dimensão. E penso que a melhor forma de saber que existe algo para além desta vida, é, na minha opinião, continuar acreditar que um dia estaremos juntos dos nossos entes queridos que já partiram, ainda que se trate da dita outra dimensão espiritual. Ou seja, continuar a acreditar em Deus e a ter Fé.


Gostaria, igualmente, de ressalvar uma nota importante para deixar bem claro e sublinhado que (apesar de conhecer, em termos gerais, os alicerces de algumas religiões), eu, pessoalmente, sou Católico Apostólico Romano Dominicano (contudo, não frequento a Eucaristia), mas não abdico de prestar culto aos meus entes queridos que já partiram, bem como participar do silêncio, bom conselheiro, que proporciona uma Igreja, Capela, Sé, Catedral, quando vazias, para que eu possa sorver/nutrir-me do aparente monólogo que se estabelece entre mim e Deus - Juíz Supremo de todo o Universo sem termo!


A terceira observação, respeita ao facto de na página 280 figurar, incorrectamente, (e segundo o meu download), o seu endereço de e-mail. Ou seja, encontra-se grafado barbara.salan@gmail.com, quando o correcto seria barbara.aslan@gmail.com .




Agradeço a correção. Por mais que se reveja o texto que escrevemos, sempre escapa algum erro, ainda mais, que alguns autores salientam que uma palavra pode estar escrita errada que mentalmente o nosso cérebro corrige e acabamos não notando o erro.


Para terminar, gostava de lhe apresentar mais uma vez os parabéns pelo seu quarto livro! 
Aguardo mais novidades literárias da sua parte, uma vez que se têm revelado deliciosas! =) =)
Muito obrigado! Obrigado por existir! =) =)
Muitos beijinhos! =) =




Agradeço suas gentis palavras, agradeço por ter lido o livro, por ter interagido, de forma a fomentar novas reflexões sobre as já existentes. 
É muito gratificante quando escrevemos alguma coisa e alguém lê, mais ainda se expressa o seu ponto de vista a partir do que leu, ou tece um comentário, ou uma critica sobre o tema escrito.
Com carinho


Bárbara Aslan

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