
Na tentativa de responder a 3ª pergunta feita no
Post sobre a
3ª inteligência: Existe alguma eventual ligação do QS com o mundo onírico dos sonhos ou do subconsciente?Devemos lembrar da:
1-Complexidade do cérebro (Internet humana)
o cérebro humano é muito complexo, difícill de ser estudado, principalmente de forma isolada ou setorizada, porque existe uma rede de comunicação entre as diversas regiões que o compõe, digamos que é a "Internet humana" (Talvez a Internet tenha sido concebida inspirada no funcionamento do cérebro, mais especificamente na rede de conecção neuronal).
2- Origem ou controle dos sonhos
Do pouco que se sabe parece que apesar de normalmente o movimento ocular e os sonhos acontecerem juntos no sono, estas duas actividades são reguladas por sistemas independentes do cérebro. Também alguns estudos parecem evidenciar que o lobo occipital do cérebro está envolvida no processamento visual de rostos e paisagens, assim como as emoções e memórias visuais e tem sua lógica para uma região supostamente estaria relacionada à origem ou ao controle dos sonhos.
3- Teoria do cérebro/encéfalo triuno postulada por Paul Maclean : Na verdade existiriam 3 encéfalos, dispostos em camadas que foram sofrendo mutações ao longo dos anos:
1-Encéfalo reptiliano ou também “Complexo-R”, corresponde ao cerebelo e ao tronco encefálico (mesencéfalo, ponte de Varólio e bulbo raquidiano)=> responsável pelos processos de auto-sustentação do corpo, como a respiração, o batimento cardíaco e o sono, assim como pelos rituais imutáveis de aproximação, ataque, vôo e acasalamento, processos que não requerem controle consciente, mas que são essenciais à vida do animal, tanto que o encéfalo reptiliano jamais para de funcionar, nem durante o sono profundo =comportamento mecânico, puramente instintivo.
2- Encéfalo paleomamífero contem o sistema límbico (o hipotálamo, o tálamo, o hipocampo e a amígdala), considerado responsável pelas emoções e instintos emocionais como comportamentos relacionados à alimentação, competição e sexo. Essas emoções são importantes tanto para o indivíduo quanto para a espécie. O encéfalo paleomamífero é capaz de aprender, pois retém memórias de emoções que resultam das experiências onde o animal sentiu prazer ou dor em maior ou menor grau. cabendo-lhe as funções dependentes de afectividade e do bom ou mau humor e que associado ao desenvolvimento das glândulas endócrinas, suplantou os meros actos automáticos e involuntários que os diferenciaram dos répteis, juntando-lhes o factor emoção = comportamento emocional.
3- Encéfalo neomamífero=> neocórtex, córtex é o encéfalo principal dos primatas, que foram dos últimos mamíferos a aparecerem. Ele constitui cerca de cinco sextos da massa total do encéfalo humano, tendo evoluído no último milhão de anos. Todos os mamíferos possuem neocórtex, mas somente nos primatas e cetáceos ele é particularmente importante. É responsável pelas funções cognitivas mais nobres, como a linguagem e o raciocínio. tornou-se a sede da inteligência, da criatividade, da racionalidade e da estética, e ainda do discernimento, ponderação e consciência, tendo assim o papel gerador de pensamentos e ideias ao mesmo tempo que ganhou a missão frenadora dos outros dois cérebros moderando a sua actividade quando ela se tornava excessiva = comportamento racional.
4- Formação da Memória
Outros estudos apontam para a formação da memória ser no hipocampo, parte integrante do sistema límbico (significa “fronteira”): conjuntos de neurônios muito ligados entre eles mesmos. Esses conjuntos estão localizados exatamente nas fronteiras dos hemisférios cerebrais, entre o neocórtex e o complexo reptiliano ou cérebro primitivo. Contudo, apesar da memória ser formada no hipocampo, ela é armazenada algures no neocórtex. Durante o sono a comunicação atravessa as camadas cerebrais.
Segundo os pesquisadores a memória é a aquisição =aprendizado, o armazenamento e a evocação=recordação, lembrança ou recuperação de informações. Existem certas experiências que vivenciamos, as quais não esquecemos. Por exemplo, uma visita às Cataratas da Foz do Iguaçu ( exuberância da natureza combinada com a abundância e a fúria das águas), pois a memória mescla experiências vividas no ambiente com as nossas vivências interiores.O conjunto de memórias de cada um determina aquilo que se denomina personalidade ou forma de ser.
Existem várias classificações da memória:
*Declarativas (aquelas para fatos ou eventos e qualquer informação que possa ser expressa conscientemente) =>O processamento envolve o hipocampo, córtex entorrinal, além de outras estruturas corticais. Aquelas que são mais "carregadas" emocionalmente (aversivas, emocionais) são fortemente moduladas pela amígdala (conjunto de núcleos nervosos situados nos lobos temporais). Sofrem influência do estresse, do humor e da motivação.
* Procedurais ou implícitas, as quais envolvem basicamente habilidades motoras e/ou sensoriais, também chamadas de hábitos. São adquiridas gradativamente e, além disso, evocadas de modo inconsciente. São as nossas habilidades de montar quebra-cabeças, andar de bicicleta, nadar. Sofrem pouca modulação pelas emoções e estados de ânimo.
5- Modulação da Memória
Existem substâncias, os neuromoduladores que moldulam a memória: a serotonina, a dopamina, a acetilcolina, a noradrenalina, estão diretamente relacionados com o processamento das emoções, com o nível de alerta e estados de ânimo. É fácil aprender ou evocar algo quando estamos atentos e de bom humor, ao contrário, custa aprender qualquer coisa ou até lembrar coisas simples quando estamos cansados, deprimidos ou muito estressados. Todo esse processo é regulado por sinapses noradrenérgicas, dopaminérgicas e serotonérgicas.
Além dos moduladores, a consolidação (armazenamento) da memória de longa duração sofre influência dos "hormônios do estresse", ß- endorfina, adrenocorticotropina (ACTH), os corticóides, adrenalina, noradrenalina e vasopressina circulantes. Todos esses hormônios atuam através do núcleo basolateral da amígdala (responsável pela mediação de memórias emocionais). Com excecção da ß- endorfina, que inibe a consolidação da memória em qualquer dose, os demais "hormônios do estresse" melhoram a consolidação em níveis moderados e a inibem em doses ou concentrações elevadas. Isso explica o que chamamos de "branco" quando estamos excessivamente estressados.
O que acontece quando realizamos uma experiência?
Um neurotransmissor (glutamato), contido em vesículas dentro da parte terminal de um axônio, é liberado na fenda sináptica, atingindo receptores na superfície do dendrito. Em muitos casos, essa interação ativa "segundos mensageiros", que intermedeiam a ligação do neurotransmissor com o efeito final (o íon cálcio ou o cAMP), ativando enzimas que estimulam a síntese de mRNA, e determinam a produção de certas proteínas, as quais podem ser proteínas de adesão celular, receptores que modificam a estrutura e a função das sinapses. Este processo é chamado de plasticidade neuronal. Apresentado de uma maneira simples este é o mecanismo pelo qual a memória de longa duração é consolidada. Todo esse processo requer de 2-6 horas, por isso a memória de longa duração não é adquirida imediatamente na sua forma final, sendo extremamente lábil nas primeiras horas depois de adquirida.
Embora possamos armazenar tantas experiências quanto possível, podemos dizer que tão importante quanto o armazenamento de informações é o seu esquecimento. O fenômeno do esquecimento é fisiológico e desempenha um papel adaptativo. Porém pode haver o esquecimento patológico (estados demenciais).
Contudo, está bastante claro que o exercício contínuo da memória em suas diversas formas pode prevenir ou ao menos retardar o aparecimento das demências e da doença de Alzheimer.
6- Memória extinta
As memórias extintas, ao contrário das esquecidas, podem ser evocadas. A extinção se produz no hipocampo e na amígdala basolateral e requer expressão gênica, síntese de proteínas e vários outros processos bioquímicos e tem uma clara aplicação terapêutica no tratamento de fobias: síndrome do pânico, ansiedade generalizada e, sobretudo, estresse pós-traumático. Assim, se um paciente for exposto a uma versão amenizada da situação que lhe causou a fobia ou o trauma, acompanhado de psicoterapia apropriada, pode levar a eventual extinção da memória dessa situação.
O processamento da memória ocorre por reverberação de sinais nervosos tálamo-cortical=> circuito de Papez
A consolidação da memória é o processo que transforma as memórias de curta duração em memórias de longa duração
Modelo de consolidação da memória: o lobo temporal interno exerce papel de ligação temporária entre múltiplas zonas do neocórtex que armazenam uma representação do acontecimento vivido. (1) A ativação conjunta e repetida destas regiões por intermédio do lobo temporal interno cria e reforça gradualmente as interconexões neocorticais. (2) Quando a consolidação se completa, as interconexões que representam o acontecimento tornam-se permanentes. A reativação da lembrança é, então, independente do lobo temporal interno.
O lobo temporal é considerado como suporte para a formação de novas memórias, além de não apagar a maior parte da memória declarativa formada no decorrer de toda a vida. É necessário ressaltar que a região do hipocampo é importante para a consolidação da nova informação (na memória) de longa duração, não sendo repositório de conhecimento, além de estar envolvido com o reconhecimento de novidades e a relação espacial (como lembrar de um local já visitado antes, por exemplo). A amígdala, por sua vez, faz a conexão entre o tálamo e as regiões sensoriais do córtex, participando no armazenamento de informações vindas do meio externo juntamente com estímulos sensoriais. A memória de longa duração é armazenada, principalmente, no córtex frontal, o qual também é responsável pela resolução de problemas e planejamento de comportamento.
Tudo isto corrobora com o que foi dito inicialmente sobre a complexidade do funcionamento do cérebro, há uma trama de interligações que veiculam a informação neuronal, difícil de ser explicada e mais ainda de ser entendida. Portanto, o sonho faz parte dessa trama não desvendada na sua totalidade ou de forma concreta.
Apesar do meu conhecimento ser limitado e muito reduzido, acredito que o sonho seja a evocação involuntária de uma informação consciente ou não, que foi processada e armazenada, mas tornou-se extinta ou latente, mas que algo aconteceu que fizesse acionar o gatilho e desse um "clik no cérebro"evocando essa informação, expressando-se através do sonho. O teor e qualidade da informação, dependendo do coeficiente ou vivência espiritual fará com que os sonhos sejam agradáveis ou se transformem em pesadelo. Cada vez estou mais inclinada a acreditar que muitos sonhos são revelações, são "mensagens" enviadas pelo Universo, um "sussurro de Deus", porque é nesse momento em que a nossa "razão" está distraída e o nosso espírito vagueia livremente ou está mais receptivo, podendo estabelecer-se uma intercomunicação com outros planos superiores que só é possível nesta dimensão para quem atingiu um grau elevado de desenvolvimento espiritual.
Na Bíblia encontramos várias passagens aonde mostra justamente a comunicação de Deus com alguns, através dos sonhos, não foi assim que aconteceu aos 3 Reis Magos depois que visitaram o Menino Jesus? "...avisados em sonho para que retornassem por outro caminho diferente". Não existe um ditado popular que diz " o travesseiro é o melhor conselheiro"? Quantas vezes temos um problema e não encontramos a solução, adormecemos e quando acordamos encontramos a solução que antes não encontrávamos, não terá havido essa interligação com o plano superior através do sonho ? mas que não conseguimos recordar, apenas temos a solução na cabeça, esta não terá sido um "sussurro de Deus" enquanto dormíamos.
Somos parte integrante do Universo, nosso espírito é imortal, embora o nosso corpo seja perecível, será que não teríamos armazenado informações do Universo em nosso espírito, ou seja memória cósmica e quando este liberta-se do corpo, com a chegada do crepúsculo da vida, atingindo um plano superior de energia, não carregaria consigo as memórias consolidadas antes de desencarnar somando as já existentes no plano que atinge?
Uma simples pergunta (uma resposta complexa que requer uma interpretação pessoal, podendo ou não ser conclusiva da mesma) deu origem a percorrer alguns caminhos desse fantástico puzzle chamado cérebro, quanto mais peças encaixamos, mais peças sobram para serem encaixadas, quanto mais achamos que conhecemos o seu funcionamento, mais temos para conhecer, poderíamos até trocar a resposta da advinha: O que é o que é quanto mais se tira, maior fica? em lugar de buraco, que seria a resposta, poderíamos colocar: o funcionamento do cérebro.