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Sua visita me deixou muito feliz...

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Amor & Emoção x Razão


quarta-feira, 1 de maio de 2019

1 de Maio...Maias... Muguet-du-bois...Lirio do Vale e Outras


Hoje, primeiro dia de Maio , um dia ensolarado com céu azul límpido por fora, Céu carregado de "nuvens negras" e "chuva de lágrimas" por dentro, Dia do Trabalhador e não só...Dia de algumas tradições, entre elas, uma que  todos os anos via uma Das Estrelas-Guias e depois a outra Estrela-Guia deu continuidade, quando a primeira partiu, colocar na porta da garagem um ramo de Maias (giesta amarela), porém este ano ficou esquecida (as Estrelas-Guias não estavam para avivar a memória), contudo os amigos fizeram recordar, quando enviaram duas mensagens de polos diferentes  do Globo Terrestre, de outra planta (Convallaria majalis) conhecida por vários nomes diferentes, tradicionalmente oferecidas em França neste dia, para desejar segundo uma mensagem: Prosperidade e sorte e segundo a outra mensagem: Sorte e Felicidade. Daí surgiu a necessidade de conhecer essas tradições:
Maias (Cytisus striatus) =>Segundo a tradição em parte do norte de Portugal, na noite de 30 de Abril para 1 de Maio, muitas pessoas colocam maias (giestas floridas) nas portas das casas para lembrarem o tempo da fuga de Jesus para o Egipto. Noutras terras colocam maias no ferrolho da porta para serem protegidos das doenças e dos espíritos maus. Nalgumas terras alega-se que esta tradição remonta ao tempo de Jesus, aquando da sua fuga para o Egipto devida à perseguição de Herodes que ordenara a procura e morte do menino Jesus. Segundo a lenda, tendo sido identificada a casa onde a sagrada família pernoitava, um denunciador teria colocado um ramo de giesta na porta daquela casa para que os soldados de Herodes, depois de avisados, pudessem identificar a casa e levá-lo. Por milagre, quando os soldados se dirigiram à cidade depararam com todas as portas enfeitadas com ramos de giesta florida. Assim os soldados não puderam cumprir a ordem do mal contra o bem. Noutras terras as maias recordam o caminho da sagrada família para o Egipto: Maria para se poder orientar no regresso terá colocado giestas no seu caminho. Quando a natureza acorda para a juventude, celebra-se, com festas e ritos, a vida, a luz, o fogo e esconjura-se a treva. Estes ritos ganham expressão em tradições como a das maias, Florais, o burro, a rainha de Maio, coroa das maias, leilão de donzelas, a festa do mastro/árvore (esta festa também da virilidade encontra-se no norte da Europa e em Penafiel – costume celta?), etc. No Norte da Europa há lugares onde se comemora a chegada de Maio onde, outrora, moças em idade de casar eram apresentadas no leilão de Maio. As celebrações em honra de Flora (panteão romano) – Flora é a potência da natureza que faz florir as árvores e preside a “tudo que floresce”. Era honrada quer por populações itálicas não latinas como latinas. Esposa de Zéfiro e deusa das flores
 Muguet du bois ou Lírio do Vale (Convallaria majalis) uma planta  vários nomes e duas histórias com várias histórias e lendas:
1- O dia 1° de maio na França, não é só comemorado o dia do trabalhador, mas também é o dia para presentear as pessoas de quem gostamos com a flor muguet, que pode ser branca ou cor-de-rosa.(Na França, neste dia de feriado, muitos comerciantes vendem nas calçadas pequenos buquês de Muguet. Normalmente, o dia é ensolarado e nos faz lembrar que o inverno já ficou finalmente para trás e que bons dias de sol virão. No plano político, após o fim da Segunda Guerra Mundial, a flor muguet tomou o lugar da rosa vermelha, representando a resistência, e passou a ser símbolo do dia 1º de maio na França, quando também foi decretado o Dia do Trabalho. Todos os anos, exclusivamente nessa data, a prefeitura de Paris permite a venda de muguets nas calçadas como forma de gerar renda para as pessoas que estão desempregadas. Hoje, os franceses oferecem flores muguets àqueles que amam como forma de demonstrar carinho e desejar felicidades. ) A tradição vem de um tempo muito distante: Na Roma antiga, as comemorações em homenagem a Flora, a deusa das flores, tinham seu apogeu em 1° de maio (. Os celtas celebravam o início do verão no mesmo dia. Eles dançavam em volta de uma árvore para espantar os maus espíritos e acreditavam que o muguet trazia sorte. Em 1560, o rei Charles IX, em visita à Drôme com sua mãe, Catherine de Médicis, ganhou um muguet do cavaleiro Louis de Girard de Maisonforte, colhido no seu jardim em Saint-Paul-Trois-Châteaux. O rei, então, decidiu presentear a partir do dia 1° maio de 1561, todos os anos, as damas da corte com a flor. Foi aí que o costume nasceu. No dia 1° de maio de 1895, o cantor francês Félix Mayol (autor de "Viens, Poupoule!") chegava a Paris. Sua amiga Jenny Cook lhe deu um buquê de muguets. Ele colocou a flor na sua lapela no primeiro show no Concert Parisien. A série de shows foi um sucesso. Mayol transformou, então, o muguet no seu emblema. Muito popular na época, o cantor relançou a tradição. Em 1° de maio de 1900, durante uma festa organizada pelos grandes estilistas parisienses, todas as mulheres receberam um ramo de muguets. Os estilistas, então, passaram a presentear as suas clientes todos os anos com a flor. Christian Dior, inclusive, transformou o muguet no emblema da sua marca.A flor apenas foi associada ao Dia do Trabalho sob o governo de Vichy, regime que colaborou com a Alemanha Nazista. No dia 24 de abril de 1941, o marechal Pétain oficializou o 1° de maio como a "Festa do Trabalho e da Conciliação Social". A rosa vermelha, símbolo do Dia do Trabalho desde 1891 e muito vinculada à esquerda, foi então substituída pelo muguet.

(A flor Muguet é uma planta herbácea, de regiões temperadas, que floresce na primavera. Aglomerada em forma de sinos e muito perfumada, a sua presença é natural na zona temperada europeia.
A tradição de oferecer o Muguet, no dia primeiro de maio é desde antiguidade. Nesta época, esta data era o momento que os marinheiros voltavam ao mar. Durante a Renascença, sob o regime Charles IX, o Muguet tem uma reputação de boa sorte. Uma tradição que dura até hoje.)
2- A Lenda do Lírio-do-Vale
Dos meses de Primavera, Maio é sem dúvida um dos mais propícios ao desabrochar das flores.
Por tradição, no primeiro de Maio oferece-se um ramo de lírio-do-vale para dar sorte, pois esta flor floresce normalmente por volta dessa data; mas parece que só os raminhos de lírio-do-vale que tenham naturalmente treze flores é que dão realmente sorte...
O nome científico do lírio-do-vale ~ maialis ou majalis ~ significa "o que pertence a Maia". Com efeito, segundo os antigos livros de astrologia grega ou romana, esta flor tinha a proteção de Hermes (para os Gregos) ou Mercúrio (para os Romanos), o filho da deusa Maia.
O lírio-do-vale é a flor da felicidade. Conta a lenda que uma flor de lírio-do-vale um dia se tomou de amores por um rouxinol que vinha todos os dias ao vale e, poisado no ramo de uma árvore, alegrava tudo em redor com o seu canto maravilhoso. Como a flor do lírio-do-vale era muito tímida, escondia-se por entre as ervas para o ouvir cantar. Mas, um dia, o rouxinol deixou de aparecer. O lírio-do-vale esperou-o dia após dia, em vão. Cheio de tristeza, o lírio-do-vale deixou então de florir; e só voltou a dar flores em Maio, quando o seu amigo rouxinol regressou ao vale, o que encheu de felicidade o lírio-do-vale que, na linguagem das flores, assim se tornou a flor da felicidade.
O lírio-do-vale é um símbolo de humildade que aparece muitas vezes reproduzido em pinturas religiosas. Existe também um simbolismo religioso ligado ao lírio-do-vale, pois segundo uma lenda cristã foram as lágrimas de Nossa Senhora que se transformaram em flor enquanto ela chorava aos pés da cruz a morte de seu filho Jesus. É por esta razão que a flor é também conhecida em algumas línguas pelo nome de "lágrimas de Maria".
O rei Salomão, célebre na antiguidade pelo seu sentido de justiça, fala-nos também do lírio-do-vale em algumas poesias de amor do seu livro bíblico “O Cântico dos Cânticos”.
Esta planta, ao mesmo tempo modesta mas cheia de beleza, é fonte inspiradora de esperança num mundo melhor, pois há quem acredite que ela simboliza uma segunda vinda de Jesus Cristo à Terra. Na linguagem das flores, o lírio-do-vale significa o “regresso da felicidade”.
Lírio-do-vale - Volta da felicidade - doçura - humildade - pureza perfeita

Nome Científico: Convallaria majalis
Sinonímia: Convallaria keiskei
Nome Popular: lírio-do-vale, convalária, lírio-convale, lírio-de-maio, muguet
Família: Ruscaceae
Divisão: Angiospermae
Origem: Europa e Ásia
Ciclo de Vida: Perene
Outras histórias, tradições ou  práticas mágico-profilácticas e supersticiosas que o povo continua a manter (bebidas e manjares cerimoniais), tendo por objectivo a sublimação e erradicação do «Maio», igualmente chamado o «carrapato» ou o «burro», identificado com o mal e a doença – mascarando, assim, discretamente, a personificação do nome temido: o demónio. A identificação do Maio com o burro, poderá, eventualmente e por sobreposição de conceitos, representar o tributo, designado «cavalo de Maio», pago na Idade Média, no dia 1 de Maio, por todos aqueles «que não possuíam um cavalo em boas condições para a guerra». Por outro lado, «burro», é também o nome que se dá em certas localidades de Trás-os-Montes a uma espécie de aranha, popularmente designada por «arranhola», bichinho que ataca as palheiras. Por isso se dizia em Bragança que se deviam colocar as «maias» – neste caso simbolizadas não por flores, mas por castanhas – nos currais e nos celeiros. Este e outros rituais cíclicos do calendário aparecem, por vezes, associados às Florais, festas em louvor de Flora, deusa das flores e dos jardins e mãe da Primavera, realizadas em Roma nos dias 1, 2 e 3 de Maio. Outra das tradições desta data consistia na «coroa das maias» (feita, por vezes, com flores de papel e enfeitada com laços e fitas de cores), que os rapazes depunham à porta das raparigas tendo, como significado, uma declaração amorosa. Com a mesma intenção, no Alto Alentejo, havia o uso de «deitar a maia», ou seja, de os rapazes atirarem um ramalhete de flores pelas aberturas das casas das namoradas, como testemunho amoroso.Os «maios», na configuração de bonecos vestidos ao gosto de cada um, continuam a encontrar-de um pouco por todo o País, embora mais acentuadamente no Sul.Os bonecos representam pastores, cantoneiros, lavadeiras, entre outras profissões, retratando tradições e ofícios antigos e mesmo figurações actuais. A sua origem perde-se nos tempos e corresponde às Florálias celebradas entre os romanos e dedicadas a Flora, deusa das flores e da Primavera, a quem consagravam os jogos florais. Durante três dias consecutivos, as mulheres dançavam ao som de trombetas, sendo coroadas de flores as que logravam ganhar os jogos, adornando-se desse modo à semelhança da própria divindade a que prestavam culto. Aliás, é precisamente aos romanos que se atribui a implantação de tal costume na Península Ibérica, tendo a mesma alcançado especial aceitação na região do Algarve.
A Igreja católica declarou Maio como o mês de Maria, a mãe e rainha. Dos 54 países que celebram o Dia da Mãe, 36 festejam-no em Maio.

https://antonio-justo.eu
http://entreaestoriaeahistoria.blogspot.com/2007/04/as-maias.html
br.rfi.fr/franca/20150501-saiba-origem-da-relacao-entre-flor-muguet-e-o-1-de-maio-na-franca
https://www.parciparla.com.br/o-muguet-e-simbolo-de-sorte/
http://www.afcampinas.com.br/index.php/1o-de-maio-na-franca-e-tradicao-de-presentear-com-muguet/
http://www.dulcerodrigues.info/lendas/pt/lendas_lirio_vale_pt.html
http://www.mulhervirtual.com.br/flor/lirodovale.html
https://sarrabal.blogs.sapo.pt/46397.html
https://auren.blogs.sapo.pt/os-maios-e-as-maias-origens-e-2375436

domingo, 28 de abril de 2019

Dor na Alma nem o Tempo Cura

A dor na Alma é uma dor para a qual a Morfina (potente analgésico extraído do ópio) ou outro analgésico (=químico utilizado para cortar a percepção ou bloquear os estímulos dolorosos nas vias nervosas aferentes da dor), é uma dor que nem o tempo, que é o remédio para tudo, consegue curar. Torna-se muitas vezes agravada quando é a própria pessoa quem a diagnostica e a razão a todo  o instante revela detalhes que reverbera a dor quando a emoção tenta atenuar, abrandar ou "colocar para escanteio" através de leituras de autoajuda retidas na memória interiorizadas e retidas ao longo dos tempos, ou recentes como estas 7 "dicas" encontradas hoje:
Fale Sobre o Que Está Sentindo
Uma das melhores maneiras de aliviar a sua dor emocional é falar a respeito do que está sentindo. Seja com um amigo de confiança ou com um profissional, expressar o seu sofrimento através de palavras irá te ajudar a enxergá-lo com maior clareza e, também, diminuir o peso do fardo que está carregando. Evite sofrer calado e guardar tudo para si, mesmo que seja uma pessoa reservada, faça esse esforço pelo seu próprio bem, pois a fala é um dos caminhos para se chegar à cura.
A razão concorda que falar sobre o que se sente é um passo para aliviar uma dor emocional e acrescenta que "falar com os dedos" ou seja, escrever sobre não só o que percebe que está sentindo como o que se está passando na mente de forma livremente, sem se preocupar com o conteúdo, nexo, ortografia ou gramática, também propicia bons e até melhores e mais eficazes resultados nas pessoas introvertidas e/ou reservadas, porque estão "tirando de dentro" como se estivessem verbalizando com alguém, só que neste caso o "ouvinte" é o papel, com a vantagem de estar seguro e tranquilo, sem correr o risco de ser mal interpretado, julgado, criticado, ridicularizado, porém a mercê de seu próprio julgamento  o que pode acabar por agravar, uma dor emocional, mais ainda se for na Alma, contudo esse agravamento também pode ocorrer se estiver falando com uma pessoa que se revele não merecedora da nossa confiança
Responsabilize-se Sem Se Culpar
Assumir sua responsabilidade pelo que sente é uma atitude que irá lhe permitir entender melhor seus sentimentos, assumir o controle e buscar soluções. Entretanto, é essencial saber diferenciar responsabilidade de culpa. Enquanto a primeira lhe dá autonomia, a segunda faz com que se mantenha preso ao passado, inerte. Portanto, escolha enxergar a sua dor na alma com sabedoria, sem se lamentar, porque é assim que conseguirá vencê-la.
A razão concorda que o assumir da responsabilidade é um passo que poderá ajudar a melhorar uma dor emocional, quando vem acompanhada pela busca da solução, porém a responsabilidade por um ato implica uma culpa, apontada por si mesmo ou pelos outros, contudo, a sua intensidade poderá ser em maior ou menor dimensão consoante o grau de correção, ou a solução encontrada. Se não houver como consertar o "estrago" feito agravará a dor na Alma ao invés de aliviar. Recentemente alguém, um religioso, contou uma história e sugeriu que sempre que tiver feito algo e não tiver como consertar ou tiver deixado de fazer algo que já não possa mais fazer, pedir a Deus que complete o que faltou fazer. Esta sugestão devolve a esperança e dá uma "lufada" de ar fresco, uma brisa no deserto árido em que a Alma se encontra, ao fazer isso por instantes sente-se um alívio e algum momento de paz,  embora não cure ou cicatrize essa dor.
Conheça as Suas Emoções
Ao invés de simplesmente sentir, questione-se a respeito de suas dores e emoções, buscando respostas para encontrar a origem de cada uma delas e superar seus reflexos negativos. Esse é o caminho para se entender e se descobrir e para assumir o controle sobre os reflexos daquilo que sente. Obviamente, continuará sendo como qualquer ser humano, que se entristece e se alegra, mas com a diferença que conseguirá lidar com tudo de forma mais positiva e confiante e sem se deixar abater por emoções negativas.
A razão concorda que conhecer sobre a causa das sores e o que motivou as emoções e consequentes reflexos negativos ajuda a encontrar a solução e criar mecanismos de prevenir e adaptar para poder controlar as consequências do que se sente, porém nem sempre as respostas encontradas são promotoras de alívio da dor na Alma, muitas vezes são reforços que agravam de forma sustentada essa dor.
Cuide da Sua Autoestima e Se Ame
Por mais que existam tratamentos para curar as dores da alma, existem coisas que apenas você pode fazer por si mesmo. A primeira delas é reconhecer o seu valor e se amar. Lembre-se de que o primeiro amor que devemos sentir é o amor-próprio. Apenas quando você se valoriza e se trata com carinho e respeito é que se torna pronto para amar outras pessoas de uma forma positiva e saudável, sem dependência.
A razão concorda que reconhecer o auto valor leva a pessoa a amar-se e amar ao outro sem dependência, porém se a pessoa descobrir que não é tão valiosa como pensava ou que possui pouco valor, não implica que não possa amar o outro, pelo contrário, acaba amando o outro porque reconhece o valor dele. Contudo se não é impeditivo de amar sem dependência, a descoberta da não existência ou do pouco valor é um fator de agravamento da dor da Alma.
Mude o Que Precisa Ser Mudado
Não existe uma fórmula pronta para se curar de uma dor na alma porque cada dor é única e tem suas razões para existir. Nesse sentido, é necessário que reflita a respeito da sua vida e identifique os pontos que precisam ser mudados. Se alguma circunstância externa te incomoda, veja o que pode transformar em si para contribuir para uma melhora. Evite esperar atitudes de outras pessoas, dê o primeiro passo e faça a sua parte, porque é assim que grandes transformações acontecem.
A razão concorda que mudar o que precisa ser mudado é o caminho para aliviar a dor emocional, principalmente, mudar o que está dentro de si corroendo a Alma, mas e se souber que o que está corroendo as entranhas do ser  não tiver como se mudado ou transformado ou não tiver um sentido ou  um motivo para ser mudado é um fator de continuar reverberando a dor da Alma
Encontre um Significado Para a Sua Vida
Uma das melhores maneiras de curar uma dor emocional é mostrando para si mesmo que é mais forte do que ela. Para isso, é importante que encontre um significado maior para a sua vida, para que tenha motivos para reagir e superar. Cada um de nós tem um propósito, uma missão aqui na Terra, descubra qual é a sua. Tenho a certeza de que se conscientizar a respeito disso irá te proporcionar ânimo e motivação para continuar sua caminhada. 
A razão concorda cem por cento  que o analgésico para a  dor emocional, é descobrir o  significado da vida e o fundamento da sua existência, mas fica dividida quando a dor da Alma é provocada  por presenciar, mas desconhecer o motivo do sofrimento atroz porque um ser humano passa na vida,  como por exemplo o sofrimento de Jesus Cristo na Cruz, em que  não se teve a capacidade de impedir ou tornar menor, ou até mesmo involuntariamente, ser se o responsável por tamanho sofrimento, neste caso, o remédio  não é suficiente, chega a ser somente um paliativo, um sedativo momentâneo ou um placebo.
Tire Lições do Que Está Vivendo
Todas as experiências que vivemos têm algum tipo de lição a nos ensinar e, geralmente, os maiores ensinamentos são aqueles que vêm através da dor. Por isso, ao invés de se culpar e se perguntar porque isso tinha que acontecer contigo, analise a situação como um todo. Em algum momento irá encontrar pontos positivos de tudo isso, se não for agora será no futuro.
Os fins, por mais dolorosos que pareçam, são grandes oportunidades para renascer, recomeçar e fazer diferente. Permita-se ressignificar o que está sentindo e verá como é possível encontrar uma luz no final do túnel.

A razão concorda que as experiências são lições  a aprender ou aprendidas  e serem retidas e por isso oportunidades para renascer, recomeçar e fazer diferente, o remédio para a dor emocional e encontrar a luz no final do túnel, porém quando não se consegue ver o sentido dos acontecimentos ou se perdeu o rumo  ou a carruagem da vida a dor da Alma é tão intensa  que a sua negritude impede de vislumbrar qualquer centelha de luz no final do túnel, pois nada faz sentido.
O  taoísmo, existente há mais de 5 mil anos, afirma que uma alma volta à terra para buscar a evolução e perfeição, para depois atingir seu objetivo final, que é voltar ao Tao – uma espécie de paraíso onde somente estão as almas purificadas e evoluídas. Portanto, uma alma velha é aquela já passou por 5 idades, e com isso possuem graus elevados de percepção, de sensibilidade, são mais experientes que as demais, mais espiritualizadas. As pessoas que possuem uma alma velha são:
 *Pessoas mais experientes, sensíveis e maduras do que as demais da sua idade. Normalmente uma alma velha costuma se dar bem com pessoas mais velhas do que ela, por serem mais evoluídas.
*Pessoas que adoram a intelectualidade, o conhecimento, a sabedoria. Estão sempre desejando estudar, aprender algo novo e têm interesse em diversas áreas do saber.
*Pessoas que apreciam as coisas simples da vida, e estão sempre buscando fazer coisas que lhes deixam felizes e plenas espiritualmente e emocionalmente. 
*Pessoas que tendem a ser solitárias, gostam de estar sozinhas e curtir a sua própria companhia. Precisam de momentos sozinhas.
*Pessoas muito sensíveis a toda e qualquer energia ao redor, são como ‘esponjas’, sentem e absorvem a energia emanada por pessoas e ambientes.
*Pessoas empáticas, emocionais, gostam de ajudar os outros e colocam-se sempre no lugar dos demais antes de opinarem, procura evitar a todo custo ferir ou magoar alguém. 
*Pessoas muito intuitivas e gostam de se guiar por elas. Costumam dar conselhos baseados em intuição e tendem a acertar em previsões.
*Pessoas que normalmente não têm a mesma opinião e ideia que seus familiares, mas prevalece o respeito acima de tudo.
*Pessoas que normalmente são pessoas que têm problema com a própria autoestima, se cobram demais e são perfeccionistas.
*São pessoas que não são nada materialistas. Não ambicionam grandes fortunas, fama, ou muitos bens, procuram valorizar o real sentido da vida.
*Pessoas que possuem um dom especial: o perdão. São pessoas que conseguem perdoar de fato, sem guardar mágoas (o que mostra a sua evolução como uma alma velha).
Os sentimentos que acompanham uma alma velha: tranquilidade, serenidade, paciência e desconfiança no mundo de hoje.
Foram crianças muito curiosas, daquelas que queriam saber de tudo. Que abriam coisas para saber o que tem por dentro, como eram feitas. Que faziam perguntas que os adultos não sabiam como responder. Podem mesmo ser consideradas rebeldes pelos pais, e conversa como um adulto desde criança.
Será que a dor da Alma, única dor que o tempo não cura, significa a consolidação e confirmação da sua velhice ou será o anúncio de sua impureza e imperfeição?

https://www.jrmcoaching.com.br/blog/o-que-e-dor-na-alma-ela-tem-cura/
http://www.wemystic.com.br/artigos/voce-e-uma-alma-velha-descubra/




domingo, 24 de fevereiro de 2019

Crepúsculo da Vida da Estrela Guia...Dor Profunda, Abafada pela Razão das Ações

O Crepúsculo da Vida de um ente querido, nomeadamente do pai ou da mãe, além da dor da perda da saudade, por vezes do remorso e da culpa, traz uma enxurrada de providências a tomar:
1- Tratar do Funeral junto da Funerária
Esta providenciará junto ao hospital, se o falecimento nele ocorreu, a certidão de Óbito passada pelo Notariado do Registro Civil, sem o qual  não pode ser sepultado; Vestirá o falecido (com o traje levado pela família, muitas vezes o falecido já o tinha separado para esse dia ou  o que a família leva o traje que o ente querido gostava) e o ajeitará de forma a estar bem apresentado para que a família e amigos se sintam confortados de que o ente querido está em paz, (como aconteceu com a minha Estrela Guia, que estava com a aparência serena, em nada deixando transparecer o sofrimento atroz que tivera nos últimos dias antes do Crepúsculo da Vida chegar, diferente da outra Estrela Guia que partira alguns antes, onde o estigma do sofrimento se manteve) diminuindo o impacto do choque, nos casos de mortes violentas ou traumáticas e o colocará na "cama eterna" (caixão) que a família escolheu.
Esta fará a publicação do óbito, hora do funeral  e Missa de Sétimo Dia (muitos dizem que não existe essa missa) no jornal que tem uma página desse gênero);
Esta comunicará o óbito à Segurança Social para que a família possa ser reembolsada  ou receber o auxílio para as despesas do funeral. Indicando quem será o "Cabeça do Casal" (geralmente o filho mais velho ou quem viveu com o falecido nos últimos meses de vida do falecido, ser o "Cabeça do Casal" implica responsabilidades acrescida, muitas das vezes tem que resolver problemas, tem que ficar à frente de tudo relacionado aos bens do falecido, inclusive o pagamento dos débitos se existirem) 
Providenciará  também o translado (como foi o caso das Estrelas Guias) para o cemitério da terra onde nasceu o falecido.
2- Comunicar o óbito ao Instituto de Pensões fora do país  (caso o falecido auferisse pensão no estrangeiro)
3- Fazer a Habilitação de Herdeiros num notário ("Cabeça do Casal")
4- Solicitar ao Banco Central a declaração das contas bancárias, aplicações financeiras, créditos abertos, dívidas
5- Solicitar ao banco (ou bancos se tiver uma conta em outro banco) a declaração do saldo existente na (s) conta(s) e  Ações (se tiver) à data do óbito, nessa altura o banco bloqueia de imediato a (s) conta (s) até que seja entregue a carta das partilhas  contendo a divisão do saldo pelos respectivos herdeiros . Se os herdeiros tiverem acesso a conta e precisarem ou quiserem, de comum acordo retirar o saldo antes da conta ser bloqueada, devem , antes de fazer a distribuição, abrir uma conta dos herdeiros, principalmente se houver uma soma avultada, para então ser transferido para cada um dos herdeiros, sem problemas e sem ter que pagar a mesma taxa de transferência em duplicado, triplicado (consoante o número de herdeiros), reunir todos os bens e fazer a relação de bens
6- Comunicar o óbito às Finanças 
O prazo é até 90 dias (em Portugal) ou até 60 dias (se for no Brasil)
Será fornecido a certidão ou declaração de quitação do imposto sucessório (em Portugal é isento de imposto a transmissão de bens aos herdeiros, no Brasil é necessário contratar um advogado e proceder ao inventário e seguir os trâmites legais). Normalmente (em Portugal) é o "Cabeça do Casal" que participa óbito, preenchendo o "Modelo 1" onde consta a relação dos bens.
7- Apresentar a certidão das Finanças de quitação dos impostos e da distribuição dos bens monetários ao banco que fará a transferência dos bens monetários conforme a certidão de distribuição fornecida pelas Finanças
Tudo isso é muito desgastante para os familiares, principalmente para o "Cabeça do Casal",  por estar lidando com o material, quando deveria estar lidando com o espiritual e com o emocional, se bem que em grande parte é justamente tratar do lado material, do racional que ajuda a atravessar esse momento extremamente doloroso da perda do ente querido,  dando, ainda que fugaz ou a curto prazo, um sentido, um rumo onde tudo na vida perdera o sentido, principalmente quando o sofrimento atroz antecedera o Crepúsculo da vida, embora por vezes esse lidar com o material /racional  atenue a dor, momentaneamente, porém outras vezes acabe por acentuar ainda mais essa dor profunda, porque é a confirmação de que o ente querido não voltará mais.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Dia de São Brás...Lembranças, Descobertas e Afinidades

Hoje, dia de São Brás (protetor dos males da garganta),  lembranças, descobertas e afinidades depois de tantos anos: 
1- São Brás, nasceu mais ou menos nos anos 300 foi um médico valoroso, não só curava as pessoas de suas doenças, mas também dos males da alma. Num certo tempo começou a questionar a sua profissão de médico, porque queria servir a Deus e não sabia como, tornou-se um eremita e ficar em constante oração, ao mesmo tempo que curou um menino que tinha um espinho na garganta, com uma bênção sobre a garganta, morreu tendo sido morto por uma espada na garganta no dia 3 de Fevereiro. De médico, passou a sacerdote, bispo e tornou-se Santo protetor contra os males da garganta: 
Um dia, uma mãe desesperada o procurou porque seu filho estava quase morrendo com um espinho encravado na garganta. São Brás olhou para o céu, rezou e, em seguida, fez o sinal da cruz na garganta do menino. No mesmo instante, ele ficou milagrosamente curado. Por esse milagre, até os dias de hoje São Brás é invocado para curar os males da garganta.
Em todos os lugares do mundo, quando uma criança ou qualquer pessoa se engasga, a invocação direta ao Santo logo é rezada: "São Brás te proteja." Ou simplesmente: "São Brás."
e dos animais (quando tornou-se eremita, vivia numa gruta e convivia com os animais selvagens em harmonia: Um dia Agricola mandou seus soldados buscarem feras, leões, tigres, para servirem de espetáculo no martírio dos cristãos presos. Quando os soldados chegaram perto da gruta do santo, viram todo o tipo de animal da floresta convivendo em harmonia com ele. Com espanto geral correram para contar ao prefeito Agricola o que estava acontecendo
2- São Lucas, evangelista e patrono dos pintores e médicos, ele é o autor do terceiro livro dos evangelhos que tem o seu nome e do Atos dos Apóstolos. Um médico, São Lucas é tido como sendo um grego da Antiópia (moderna Turquia). Que era medico é confirmado por uma passagem em Colossians (4,14) na qual São Paulo descreve Lucas como “amado medico”. Um convertido na nova fé, ele acompanhou São Paulo na sua segunda jornada missionária em torno dos anos 51 DC e permaneceu 6 anos em Philippi, na Grécia e foi na terceira jornada com Paulo, que incluiu o famoso naufrágio as costas de Malta. Ele permaneceu com Paulo durante sua prisão. Paulo escreveu três vezes sobre Lucas no Novo Testamento: em Colosians, em Timoteo e em Philomon. É possível deduzir a presença de Lucas com Paulo nas jornada missionarias pelas varias passagens no “Atos dos Apóstolos” (16,10-17; 20,5-21,18; 27,1-28,16). Em 66 DC, Lucas voltou para a Grécia onde se acredita que veio a falecer com a idade de 84 anos “repleto do Espirito Santo”. Vários “Atos” relatam que foi martirizado, embora vários escolares acreditam que isto seriam lendas não confiáveis. Ele é tido como tendo visitado a Virgem Maria e se acredita que ele teria pintado vários quadros da Virgem Maria em especial o lindo quadro conhecido como o de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Seu trabalho estaria preservado em Roma na “Santa Maria Magiore”, embora as datas das pinturas seriam bem depois dos tempos apostólicos. O seu evangelho definidamente foi escrito para os gentios. Um dos aspectos mais interessantes de Lucas é que frequentemente fazia a justaposição de um história de um homem com a de uma mulher. Por exemplo, a cura dos demoníaco (Lc 4,31-37) e seguida da cura da sogra de Pedro (4,39-39), o escravo do centurião é curado(7,1-11) e o filho da viúva de Naim é curado, o Geranese demoníaco é curado (8,26-39) seguido pela cura da filha de Jairus e da mulher com hemorragia (8,40-56). 
3-  O símbolo da medicina é representado pelo Bastão de Asclépio (ou Esculápio), o qual consiste em um bastão, varinha ou haste, com uma cobra entrelaçada. Na mitologia grega antiga Asclépio é o deus da cicatrização, ou da própria medicina. O Centauro Quíron lhe teria essa ciência, o qual se destacando rapidamente sobressaiu em relação ao seu mestre. Sua capacidade de curar era tão notável que ganhou a reputação de ressuscitar doentes. Isso porque Asclépio sabia dosar perfeitamente as misturas do sangue de Górgona. Dada a capacidade de trocar de pele, a cobra constante no símbolo representa o renascimento, bem como a fertilidade. Ela traz uma simbologia complexa, uma vez que representa também a morte e destruição, em oposição à vida e a ressurreição (ou a cicatrização em oposição ao veneno). O bastão, por sua vez, é um símbolo de autoridade. Ele representa o poder divino, a quem, apesar dos esforços e habilidades médicas, cabe decidir sobre a vida ou a morte de alguém. Assim, Zeus - deus dos deuses e deus do reino dos espíritos - não aceitou o fato de Asclépio ressuscitar pacientes e os levar embora do seu reino. Por esse motivo, Zeus mata o deus da medicina demostrando a sua autoridade. Em uma lenda, Zeus matou Asclepius com um raio por perturbar a ordem natural do mundo, ressuscitando os mortos, enquanto outra versão indica que Zeus o matou como punição por aceitar dinheiro em troca da realização de uma ressurreição. Depois que ele morreu, Zeus colocou Asclepius entre as estrelas como a constelação de Ophiuchus, o Serpentário, ou “portador da serpente”.Pelo fato de representar a Medicina, é comum que estudantes desse curso demonstrem forte intenção em tatuar o bastão de Asclépio como forma de comemorar o fato de conseguir entrar no curso de tão difícil acesso. Assim, a tatuagem reflete satisfação pessoal. Na verdade, existem duas versões do símbolo. A versão alada é conhecida como um Caduceu, e a vara é um bastão que foi conduzido pelo deus do Olimpo Hermes. Na mitologia grega, Hermes foi um mensageiro entre os deuses e os humanos (o que explica as asas) e um guia para o submundo (o que explica o cajado). Hermes era também o padroeiro dos viajantes, o que torna a sua ligação com a medicina adequada, pois antigamente os médicos tinham que percorrer grandes distâncias a pé para visitar seus doentes.Em uma das versões do mito de Hermes, ele recebe o bastão de Apolo, o deus da cura. Em outra versão, ele recebe do rei dos deuses, Zeus, entrelaçado a duas fitas brancas. As fitas foram substituídas mais tarde por serpentes, já que a história diz que Hermes usou a vara para separar uma briga entre duas cobras, que então se enrolaram nele e permaneceram lá em harmonia e equilíbrio.
4- Dois médicos, ambos martirizados, ambos canonizados, ambos seguram a Bíblia, ambos com duas profissões, um questiona a profissão de médico e torna-se eremita, embora continue exercendo circunstancialmente, o outro sobressai não como médico mas como artista (escritor e pintor), a Medicina tem dois símbolos (Bastão de Asclépio e Caduceu ambos tem em comum a serpente, que por sua vez representa a dualidade: Vida-morte. Haver uma dualidade existencial cria de imediato uma afinidade, já que a dualidade existencial foi sempre uma constante  ao longo da vida, talvez fruto do signo  dual, Gêmeos, mas no momento esta dualidade está muito acentuada, talvez um dos dois possa ajudar no rumo a ser seguido ou no fortalecimento da decisão tomada para pô-la em pática e assim acabar com essa dualidade existencial (ser mas na verdade não ter capacidade para ser, ter mas  sem ter condições de ter) que mantém a vida suspensa embora o tempo continue a passar.
https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-sao-bras/132/102/
https://cleofas.com.br/quem-foi-sao-lucas-evangelista/
https://www.dicionariodesimbolos.com.br/simbolo-medicina
http://will-verdadesocultas.blogspot.com/2011/03/porque-o-simbolo-da-medicina-e-uma.html

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

"Muro" das Lamentações







"Muro" das Lamentações

Este local, assim como a pomba mostra é um autêntico "muro de lamentações", as paredes são feitas de uma cortina de água corrente. porque "muro" porque separa dois mundos, do lado de lá o mundo exterior, a realidade como ela é observada por todos (prédios, árvores, carros, pessoas a passarem), do lado de cá o  mundo interior, a realidade sentida no âmago do ser, invisível aos olhos dos outros.

 
"Muro das lamentações" porque foi o lugar eleito de forma intuitiva num momento em que as lágrimas teimavam em rolar, parecia querer juntar-se as águas que jorravam, a partir daí todas as vezes que surgia a necessidade de entrar em sintonia com Deus ou de extravasar o que sufocava ou aprisionava a Alma, ou  ainda a necessidade de pedir perdão ou  simplesmente de deixar a mente e as emoções fluírem livremente sem a interferência da razão, o que neste caso poderia dizer as lamentações, as lamúrias de um espírito atormentado pela saudade, pela culpa, talvez superdimensionada, pelos remorsos e arrependimento de ter dado prioridade ao que achava que seria, quando na verdade não o era e deixar de priorizar o que seria  essencial, que era aproveitar os momentos na companhia de quem realmente era importante, enquanto estivesse presente. Agora que não está mais presente,  as prioridades deixaram de existir, na altura "andar sem rumo definido numa tarde de sol" era um "desperdício de tempo" porque tinha muita coisa para fazer, pelo menos era o pensamento na altura, neste momento continua a existir coisas para serem feitas, mas não são e o tempo é desperdiçado, em grande parte, justamente  andando sem rumo independente de haver sol ou chuva ou estando parado em frente ao "muro das lamentações" derramando lágrimas inúteis. em termos de fazer o tempo voltar atrás, mas muito necessárias para o ser não sucumbir sufocado pela angústia das dolorosas recordações que marcaram os últimos 3 meses e meio.






domingo, 6 de janeiro de 2019

Cor e Sintomas do Luto

A imagem colocada num dos "post" desse "cantinho Razão x Emoção" continha  a seguinte frase: "Visto o luto para homenagear quem partiu até as lágrimas secarem…." É justamente assim com quem veste o luto por sentimento e não por convenção, só deixa de usar o luto quando as lágrimas secarem, o que é muito vago, como a razão é soberana, esta, determinou  o parâmetro" se passarem 7 dias em que  não seja derramado nenhuma lágrima e/ou não houver lembranças que apontem para sentir remorso ou culpa, então, é sinal  de que o luto começa a ser aliviado e assim, ainda que lentamente, a vida que até então estivera suspensa, possa seguir em frente, embora nem sempre seja a continuação do rumo anterior e,  sim um novo rumo, apesar de não haver rumo definido ou perspectivas do rumo a tomar, apenas a certeza de que o caminho de outrora, não poderá ser retomado por não estarem reunidas as condições que permitam continuar mantendo a honra e dignidade que até então foram as marcas deixadas pelos passos nesse anterior caminho.
O luto (do latim luctu) é um conjunto de reações a uma perda significativa, geralmente pela morte de outro ser. Segundo John Bowlby (Edward John Mostyn Bowlby foi um psicólogo, psiquiatra e psicanalista britânico, notável por seu interesse no desenvolvimento infantil e por seu trabalho pioneiro na teoria do apego), quanto maior o apego ao objeto perdido (que pode ser uma pessoa, animal, fase da vida, status social etc.), maior o sofrimento do luto. O luto tem diferentes formas de expressão em culturas distintas
O luto pode ser expresso sob a forma de diversas cores, que variam de país para país. As mais usuais são o preto e o branco, mas há exceções. Na África do Sul, por exemplo, é habitual envergar-se o vermelho para se mostrar que se chora a morte de alguém. Já no Egito, é o amarelo. Na Índia, pode ser o castanho ou o branco. Na Tailândia, é o roxo. No Irã, é o azul. Ou seja: a cor do luto é um ato cultural muito diversificado. A regra, no entanto, divide-se entre o branco, mais usual nas civilizações orientais, como China e Japão, e o preto, nos países cristãos. A origem do costume ocidental de vestir de negro por ocasião de uma morte é ancestral: já os antigos egípcios usavam esta cor com esse significado. Dos egípcios, a tradição passou para os romanos, que vestiam uma toga preta, sem ornamentos, nessas circunstâncias. A tradição espalhou-se pelos quatro cantos do Império Romano e foi adotada pela Igreja Católica. No entanto, o branco e o roxo também são identificados com o luto na nossa civilização. 
Sintomas do processo de luto:
• Depressão
• Ansiedade
• Culpa
• Raiva e hostilidade
• Falta de prazer
• Solidão
• Agitação
• Fadiga
• Desamparo
• Distúrbio do sono
• Perda de energias
• Queixas somáticas (no corpo)
• Aumento do uso de psicotrópicos, bebidas alcoólicas e fumo
• Aumento da suscetibilidade a doenças
• Lentidão de pensamento e de concentração
• Mudança no hábito alimentar
• Dificuldade de manter relacionamentos
A ausência de alguém amado tem implicações profundas na mente e no corpo. Que é inevitável que, após uma perda, siga um processo de rearranjo que demore um pouco. Muitas vezes se trata apenas de permitir que esses processos ocorram. Confiar no fato de que viemos projetados para recuperar o equilíbrio. (Teoria do processo oponente das emoções do psicólogo Richard Solomon: Explica que duas coisas ocorrem quando uma pessoa recebe um estímulo que provoca uma reação emocional positiva ou negativa imediata: A reação emocional positiva ou negativa imediata é sentida. Ocorre uma segunda reação emocional que tem um sentimento oposto ao inicialmente experimentado. Havendo posteriormente o equilíbrio)
A todos cujas as lágrimas, pela perda de um ente querido, não secaram, um forte abraço de quem vestiu o luto e suas lágrimas ainda estão longe de secar …
http://www.casacostatintas.com.br/psicologia-das-cores-e-suas-representacoes-pelo-mundo/
https://amenteemaravilhosa.com.br/cerebro-diante-da-ausencia-de-um-ente-querido/

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Breves Lembranças...uma Singela Homenagem


Breves lembranças, geradas a partir das palavras pronunciadas pelo padre, na missa de corpo presente, e que retrataram a essência deste ente querido, cujo Crepúsculo da Vida, aconteceu no dia 12/11/2018 e, entre as virtudes ressaltadas, a dedicação à família” resume o que foi a vida desse Imigrante Guerreiro de fibra, nascido no dia 12 de Maio de 1933, na localidade Tulhas, freguesia de Cárquere. Dotado de uma inteligência apurada e invejável, que, associado ao trabalho árduo, sacrifícios, preocupações excessivas, dedicação à família, honestidade, sabedoria, generosidade, compreensão, Fé em Deus, conhecimentos de cálculos financeiros, de economia e do ser humano de forma geral, adquiridos ao longo de sua existência, autodidata em saúde (se tivesse tido oportunidade de estudar teria sido um excelente médico), formado na escola da vida com louvor e distinção conseguiu singrar no mar da vida por mérito próprio. O Crepúsculo da Vida colocou um ponto final nessa trajetória de vida admirável, sem que dela desfrutasse, mas com a certeza de ter vencido a maioria das suas batalhas, principalmente o ter cumprido bem a missão que lhe foi destinada. E por isso Deus o levou: Para dar-lhe a recompensa (alcançar a Luz Divina) merecida pelo modelo de ser humano, de amor ao próximo, de amigo e companheiro que foi nesta vida terrena.
Por tudo, obrigado, meu Pai!
Nas breves recordações por acaso (será mesmo?) numa pesquisa na Internet surgiu a carta escrita no dia do pai do ano de 2017  (publicada no "cantinhodelux") que se ajusta ao presente momento, se mudar os tempos verbais da segunda frase e retirar a penúltima frase:
Querido pai!

Tenho muito orgulho de ser sua filha... Obrigada por ser esse pai maravilhoso, por tudo que me deu (dá) e continua dando ao longo da vida!

Obrigada por todo o sacrifício que fez, as necessidades porque passou, os sonhos que deixou de realizar, para não deixar faltar nada à família e pela mesa farta (não só de pão, mas de elevados valores humanos e ensinamentos) que sempre nos proporcionou...

Sei que não sou e nem fui a filha que desejaria ou merecia, por isso hoje peço perdão, assim como peço perdão pelas vezes que precisou e não obteve ajuda, embora por não ter percebido que precisava de ajuda sem que pedisse, pois nunca iria pedir ajuda, sempre foi auto suficiente quer porque foi obrigado pelas circunstâncias da vida, quer porque sempre deixou passar a imagem de uma fortaleza, resistente as intempéries da vida. Peço perdão também pelas decepções, injustiças ou ingratidão que lhe possa ter causado, mas saiba que cada decepção, cada mágoa que possa lhe ter causado se doeu em si, doeu muito mais em mim quando tomei consciência de ter cometido tal falta que na altura não consegui evitar por ser "pavio curto" ou "ferver em pouca água" ou por não conseguir conter a mágoa de receber uma injustiça no preciso momento...

Tenha um bom dia, feliz e com saúde, paz e harmonia...

Com amor, carinho, gratidão e admiração...



Sua filha



sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Luto pela Perda do Pai (Estrela-Guia)...Sofrimento Imensurável


O sofrimento causado pela perda de um ente querido é grande, principalmente se for o pai,  mãe ou  ambos. Nas celebrações fúnebres as palavras mais transmitidas aos enlutados são: "Força, eu já passei por isso...", claro que sempre vai ter alguém que já passou por essa situação, pois o Crepúsculo da Vida chega para todos, porém, o desabafo do irmão, neste momento de dor e sofrimento , expressa uma verdade e sabedoria: "Que todos tem um pai ou uma mãe para perder é certo, ninguém é filho de chocadeira, mas depende do sentimento que se tinha pelo pai ou pela mãe, tem pessoas que até nos pais batiam ou abandonaram num lar ou asilo e "vem dizer eu sei o que é isso... eu também perdi o meu pai ou a minha mãe", estas pessoas não sabem o que é perder um pai que era um amigo, um companheiro, são várias perdas..." aqui cabe complementar, com o que se passa no momento interior, ...várias perdas para além das mencionadas:
Perda do rumo da vida, pela perda da Estrela Guia que norteou a vida inteira; 
Perda do "modelo de referência";
Perda do conselheiro sábio, cuja sabedoria aprendeu na "escola da vida";
Perda de quem mais nos amou e amparou na vida, de forma graciosa, generosa, compreensiva e tolerante, sem esperar nada em troca, com o objetivo  de proporcionar felicidade, bem-estar e encaminhamento na vida aos seus filhos, mesmo quando recebia, por vezes, ingratidão pela imaturidade, inexperiência ou vivência destes.
Perda de quem muitos sacrifícios passou para dar aos seus filhos o que não teve: Uma mesa farta (nasceu no seio de uma família de lavradores pobre, humilde) e formação universitária (tendo apenas a 4ª Classe, se tivesse oportunidade de seguir os estudos, seria um excelente médico, como foi um excelente gestor/administrador, sem ter tido formação específica nessa área).
Tudo isso demonstra a dimensão do sofrimento, neste momento de luto, que assume proporções aumentadas, imensurável, chegando por vezes a ser insuportável, quando na nossa mente:
Vem a lembrança do sofrimento atroz que o ente querido passou e que não conseguimos proporcionar alívio desse sofrimento, o muito que procuramos fazer, foi insuficiente e por vezes. ainda que, involuntariamente, até possa ter contribuído para aumentar esse sofrimento (por exemplo ao ajudar nos movimentos, tocando em pontos dolorosos, por desconhecimento dos mesmos, ou quando incentivamos ou insistimos em que fizesse algo , o recomendado, mas que não podia ou não era de sua vontade,  etc..).
 Recordamos, com remorsos, que  deixamos de fazer algo em pró do ente querido durante à vida antes do sofrimento chegar, dos momentos que não desfrutamos da sua companhia e sabedoria porque estávamos "ocupados" com nossos interesses pessoais ou profissionais, com nosso egoísmo ou egocentrismo.
Achamos que por nossa culpa, ainda que de forma involuntária ou indireta, por falta de capacidade, por confiar na capacidade dos profissionais, por desconhecimento ou outras razões, permitimos  ou não fizemos nada para impedir que esse sofrimento se desse.
Surge uma revolta ao lembrar de todo o sacrifício que passou na vida, de tudo que proporcionou não só aos filhos como à família de um modo geral, da luta sem tréguas na vida, sem que desfrutasse desse sacrifício ou luta e nos seus derradeiros dias ter um sofrimento atroz desses...
Lágrimas impedem de continuar...
Meus Deus!  
 Imploro que o sofrimento atroz que a minha "Estrela-Guia" (Pai) passou nos seu derradeiros momentos  e todo o sacrifícios durante a vida terrena, o conduza para a Luz Divina, em Paz sem sofrimento.
Peço que recompense e abençoe ao filho, pela dedicação, que abdicou de sua  própria vida, não medindo esforços ou sacrifícios , ainda que  para isso  tenha ignorado sua própria saúde física, mental, financeira ou bem-estar pessoal e da sua  própria família, para dar conforto, carinho e alívio do sofrimento nos derradeiros dias do Pai.
Amém!

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Sofrimento à Luz da Ciência (3)...Relação Médico-Doente

 


O sofrimento que a Estrela-Guia (Pai) passou nos seu derradeiros dias, levou a questionar o porque de tanto sofrimento? Entre uma série de outros questionamentos:
1- Porque Deus quis que seu filho Jesus sofresse tanto? Qual o sentido? Purificação e expiar os pecados? mas Jesus Cristo não tinha pecado e era puro, seria para mostrar ao homem que a  consequência do pecado é o sofrimento?

2-Porque muitos antes de morrerem tem um sofrimento atroz e outros simplesmente fecham os olhos e não mais acordam?

3- Porque a morte para alguns é sinal de sofrimento prévio e para outros é a sequência natural, é o Crepúsculo da Vida?
4- Porque quando termina o "prazo de Validade da Vida" não poderia ser simplesmente fechar os olhos?
Estes questionamentos automaticamente condicionaram o surfar nas ondas do Mar Internet, desta vez à luz da ciência:

Sofrimento e tempo O sofrimento possui ligação peculiar com o tempo. Assim, a antecipação de experiência de dor (diante de diagnóstico de paramiloidose, por exemplo, em pessoa que já cuidou de um familiar morto devido a essa doença neurodegenerativa) pode causar sofrimento e raramente dor. Pode também antecipar experiências de sofrimento: “se a dor que tenho deriva de um câncer, vou morrer”. O fato de podermos sofrer pelo que iremos, supostamente, viver no futuro pode ser usado inversamente, ou seja, podemos diminuir o sofrimento utilizando a sua estreita ligação à dimensão pessoal. Assim, por exemplo, um doente terminal pode diminuir o seu sofrimento atual estabelecendo pequenas metas a curto prazo em que realiza ou vê acontecer determinados fatos; por exemplo, assegurar que os estudos dos seus filhos menores sejam pagos com dinheiro entregue para esse fim a alguém de confiança. É a noção de tempo que relaciona as imagens (…) e que lhes dá a luz e o tom que as datam e as tornas significantes. (…) Porque a memória, aprendi por mim, é indispensável para que o tempo não só possa ser medido como sentido.
Doenças crônicas Até meados do século XX, a doença que mais matava na Europa era a tuberculose, mas com o sucesso antibacteriano conseguiu-se controlar sua expansão . A partir dos anos 1950, as neoplasias começaram a aumentar em todo o mundo, com incidência epidemiológica crescente, até nossos dias. Em Portugal, as neoplasias são ultrapassadas pelas doenças de foro coronário – lá se verifica o êxito no controle das doenças infecciosas, bem como o aumento de tempo médio de vida daí decorrente. Existem ainda outras causas para essa situação, como modificações alimentares, a entrada das mulheres no mundo do trabalho remunerado, as alterações climáticas e demográficas etc. Entre as consequências dessa mudança, assinalamos a necessidade de maior (e mais longo) contato clínico com pacientes: o número de doentes que um médico (em contexto hospitalar, por exemplo) diagnostica, medicamenta e nunca mais vê está diminuindo extraordinariamente em Portugal. Em contrapartida, existem cada vez mais pessoas que se sentem quase membros das famílias dos enfermeiros e médicos por quem são cuidados há anos.
Relação médico-paciente A formação de cuidadores de saúde formais exige, pois, crescente atenção quanto à relação Para compreender o sofrimento humano  médico-paciente. Daí o movimento em todo o mundo de (re)inserir o estudo das humanidades na formação médica. Nesse sentido, órgãos estadunidenses e europeus determinaram que o princípio do bem-estar do enfermo está baseado na dedicação em servir o interesse do paciente. Altruísmo contribui para a confiança que é central à relação médico-doente. Forças de mercado, pressões sociais, e exigências administrativas não devem comprometer este princípio. Outra questão que as doenças crônicas acarretam é a compreensão de que os cuidadores formais de saúde devem desenvolver humildade, que deveria ser estimulada nos anos de formação. Grande número de doenças crônicas está catalogado como sendo de foro autoimune, sobre o que muito pouco se conhece. Para ampla variedade delas, o que a medicina oferece é de carácter paliativo, e não de tratamento. A reabilitação de pacientes (ainda que não total) não é suficientemente estimulada, contrariamente a outras doenças crônicas cujos mecanismos de funcionamento são mais claros, biologicamente falando (diabetes, doenças coronárias etc.). A formação médica assenta, contudo, na dimensão curativa ou – quando curar não é possível – em manter os organismos vivos a todo custo. Essas situações ocorriam até então, sobretudo no que concerne a doentes terminais, mas as doenças crônicas vieram mudar essa situação. Diante desse quadro, a função dos médicos será, sobretudo, cuidar de pessoas que vivem quotidiano quase idêntico ao de não doentes, dado que muitos deles trabalham, desempenham funções familiares, utilizam seu tempo de ócio etc. – eles não estão doentes, são doentes  . Formação Como referido anteriormente, a formação médica usualmente não foca o treino de competências relevantes para a prática clínica com doentes crônicos por se alicerçar em crenças que impossibilitam tal investimento. Abordar-se-ão algumas, de foro epistemológico. Como se sabe, a medicina foi, até muito tarde, uma arte aliada ao saber escolástico próprio das universidades europeias, sobretudo mediterrâneas. Daí seu estatuto epistemológico de ciência aplicada . Le Breton apelida-a de ciência do corpo doente  , que nos remete diretamente a sua visão profundamente patogênica do ser humano, explicada e compreendida em função do paradigma mecanicista da física moderna. A formação médica assenta na crença da causalidade linear, ou formal/eficiente, em termos aristotélicos  . Como vimos, acredita-se ainda que a causa de um sinal, de uma sintomatologia, reside sempre numa disfunção em termos fisiológicos, em termos macro ou micro, por mais ínfimos que sejam. Daí que se sujeitem pacientes a exames contínuos, de crescente precisão, com certeza usualmente inabalável que essa causa única e fisiológica será encontrada . Em vários tipos de doenças crônicas, porém, não se encontram quaisquer deformações estruturais nos órgãos suspeitos, mas no modo como esses órgãos desempenham sua esperada função orgânica. As de tipo autoimune muito usualmente apresentam sintomatologia tão diversificada, que se torna impossível assumir-se uma só causa orgânica. Ou se considera essa origem única existente no imaginário do paciente (ou de foro mental, como identificamos) ou se assume que deverá existir uma variedade de causas para a multiplicidade tipológica de mal-estar. Esse tipo de doença remete ainda para a possibilidade de causalidade circular, e, se isso não é compreendido, pode-se tomar causa por efeito e vice-versa. Os médicos (cuja formação assenta na investigação laboratorial e científica) raramente assumem que são observadores em sua atuação profissional. Essa dificuldade existe por esse tipo de formação usualmente assentar na crença de que o conhecimento produzido corresponde à realidade (teoria da correspondência com o real, em termos epistemológicos), ainda que o doente não se identifique com ele . Treinam-se profissionais de saúde que acreditam atuar sem crenças ou representações psicossocioespirituais, que creem que aquilo a que seus corpos foram sujeitados em sua existência não influencia o modo de cuidar dos outros. Defende-se o maior autocontrole emocional possível e, de preferência, a inexistência de emoções perante o sofrimento humano. Sabemos que isso é impossível; o observador representa resultados (por ele avaliados) de suas interações com outros, e felizmente isso já é assumido em alguns manuais de apoio a cuidadores não formais, e mesmo formais : Através de interações recorrentes com os seus próprios estados linguísticos, um sistema pode permanecer assim sempre em situação de interagir com as representações (…) das suas interações. Tal sistema é um observador . Assim, a classe médica encontra-se em situação contraditória quanto a doenças crônicas. Se, por um lado, em nível da investigação científica, a  bioquímica tem investido bastante nesse tipo de enfermidade, no que se refere ao cuidado de doentes crônicos há, porém, longo caminho a percorrer na formação médica e na prática clínica. É necessário que sejamos educados face à nossa vulnerabilidade e nosso sentimento de vulnerabilidade, é necessário que a educação tome como sua responsabilidade este aspecto. Cuidados e comunidade Não caberia às comunidades nas quais os doentes crônicos vivem o cuidado desse mal-estar? Sim e não, pois muito do sofrimento dos doentes crônicos tem origem em seus relacionamentos comunitários. Quando do diagnóstico desse tipo de doenças, o enfermo é usualmente atingido por uma onda de solidariedade por parte de familiares e amigos. Tratando-se, no entanto, de doenças “em longo prazo”, com o tempo essa onda vai diminuindo; os cuidadores cansam das lamúrias (que também vão diminuindo diante da redução de pessoas que os procuram), familiarizam-se com as dificuldades motoras, alimentares etc., e pouco a pouco se esquecem que lidam com pessoas acometidas por aflições enormes, sendo a maior de todas a de não poder simplesmente ser como os outros. Enquanto doenças, como elas têm sido consideradas classicamente, estão confinadas ao corpo e às suas partes, a dolência de uma pessoa pode ser acompanhada por desordem em todo o sistema da pessoa – por exemplo, associados à família, ou até à comunidade .
Sofrimento crônico Na maior parte das doenças, o sofrimento perdura menos que o tratamento que leva à cura; uma das razões mais importantes para o alívio do sofrimento deriva da analgesia que uma primeira consulta ao médico proporciona. Por contraposição, doenças crônicas acarretam sofrimento crescente conforme as pessoas vão se sentindo um fardo cada vez mais pesado na vida de seus cuidadores informais. Sua identidade está profundamente ligada à vida daqueles a quem amam reciprocamente. Sentir que lhes tolhem a vida, que os limitam com suas limitações, é algo que se torna dramático quando tal situação se revela definitiva. Essas pessoas vivem usualmente sofrimento mesclado a culpa e medo de serem abandonadas. Quase inevitavelmente começam a pensar que o cuidador atua por obrigação e não por amor. Sobrecarregar quem os ama os divide em sua própria identidade. Essa situação acarreta dificuldades relacionais acrescidas, que se refletem, por exemplo, na vida sexual dos doentes crônicos, quer tenham dores, dificuldades motoras, insuficiências respiratórias, vasculares etc. No caso de mulheres, o sofrimento acentua-se facilmente dada a complexidade de fatores implicada em sua sexualidade. Representações sociais Em sociedades em que se valorizam pessoas com elevada emulação, que sejam admiradas pelos outros, quem se sente diminuído por seu sofrimento (físico, afetivo, espiritual etc.) sente-o aumentar exatamente por se considerar um fracasso para si próprio, para outros e até para entidades transcendentes em que acredita. Muitas pessoas vivem em contínuo duplo constrangimento , oscilando entre sentirem-se injustiçadas e não conseguirem ser como os outros (ou como acreditam que os outros sejam, sobretudo devido às imagens com que somos bombardeados pela mídia). Por razões desse tipo, o envelhecimento se tornou motivo de sofrimento para quase todos nós. Cada vez se torna mais difícil perceber a sabedoria existencial que a idade acarreta, focados como estamos na falta de vitalidade, produtividade, beleza estandardizada etc. Não podemos subestimar o impacto dessas representações sociais nas pessoas. Com efeito, a vontade de ser reconhecido como normal, igual, está sempre presente, ainda que não de forma consciente. Assumi-la, compreendê-la criticamente e perceber os custos que implica devem fazer parte de uma educação para o sofrimento. A importância da aceitação foi abordada por Kübler-Ross , entre outros. O sofrimento de uma pessoa doente é muito variável, mesmo em termos ontogenéticos, pelas razões anunciadas. Quanto maior a intensidade com que se sente a dor, maior é, em princípio, o sofrimento percebido pela pessoa. Daí os doentes crônicos associarem muitas vezes de forma linear seu sofrimento à dor provocada pela doença . Quando questionados com pormenor sobre essa correlação, verificamos que muito do sofrimento se relaciona antes com falta de sentido interno de coerência (SOC – Sense of Coherence) e falha na criação/gestão de recursos de resistência (GRR), colocando as pessoas em processos desidentitários. A negação ou a raiva diante da doença não proporciona sofrimento ou desenvolvimento de SOC/GRR . Muitas vezes, essa dificuldade é observada em cuidadores de doentes . O SOC refere-se à capacidade de atribuição de sentido na vida de cada um de nós, estruturando-nos diante das perturbações internas, ou (percepcionadas como) externas. Nem sempre quem mais sofre consegue reverter (lentamente) a situação em aprendizado; isso ocorre com pessoas que já atribuíram (e construíram) sentido no seu cotidiano, em outras vivências experienciadas anteriormente ao sofrimento em questão. No entanto, encontramos em estudos outras pessoas que diante de doenças crônicas graves não veem acrescido seu sofrimento, pois integram em suas vidas as dores a elas associadas. Isso se verifica em pessoas que conseguem atribuir sentido (ou SOC) a suas vivências dolorosas . Dimensão comunitária Na teoria da autopoiesis , seres humanos são sistemas vivos de terceira ordem, significando que a dimensão comunitária é intrínseca a sua identidade biológica. Construir níveis complexos de significação autopoiética pressupõe, pois, a inclusão daqueles que amamos nessa construção. Com essas pessoas, constituímo-nos uns aos outros em torno de padrões auto-organizativos que nos fazem atribuir sentido e valor semelhante ao sofrimento. Para tal, ajudamo-nos uns aos outros a encontrar formas de resistir ao sofrimento, mas também de aceitá- -lo, apoiando-nos nos recursos que as comunidades em que vivemos nos proporcionam . Os sistemas autopoiéticos podem interagir entre si, sem perder a sua identidade, enquanto as suas respectivas modalidades de autopoiesis constituam fonte de perturbações compensáveis . Cuidar informalmente de alguém está no domínio das comunidades às quais se pertence. A valorização social dessa dimensão corre risco de se perder, devido às sociedades altamente competitivas nas quais vivemos, que vinculam pessoas quase exclusivamente ao mundo laboral . Cuidar de alguém que sofre exige paciência, humildade, compaixão, despojamento. Caso o sofrimento esteja associado a dores, poderá exigir também cuidados profissionais de técnicos de saúde, mas os cuidados informais permanecem insubstituíveis na recuperação da pessoa .
Considerações finais Aprender com o sofrimento decorre de uma flexibilização lenta de padrões, que não pode levar a sua ruptura, sob risco de desagregação identitária. Daí a importância de formação de cuidadores que assuma a dimensão observacional, ou seja, a capacidade de lidar com suas representações mentais sobre as pessoas das quais cuida como se essas representações tivessem realidade ontológica, isto é, como se elas fossem o espelho daqueles de quem cuida. Mantendo isso em mente, os cuidadores tentarão compreender modos de pontuação da realidade tornados padrões de atribuição de significado no (ao) mundo dos sofredores (recorrendo às histórias de vida e a outro tipo de narrativas, por exemplo). Para tal, terão que estabelecer relações alicerçadas em empatia, humildade e confiança que possibilitem acoplamentos estruturais , quer com os doentes, quer com seus cuidadores informais. Para compreender o sofrimento humano  Pode acontecer que pessoas doentes com dores não estejam em sofrimento, caso aceitem sua condição e com ela tenham aprendido a reforçar o sentido da vida. Somente as conhecendo como seres humanos, e não só como pacientes, poderemos identificar se há, ou não, sofrimento, e de que tipo se trata. Os cuidadores informais são imprescindíveis para tal, e qualquer profissional de saúde deveria ter treino comunicacional, antropológico e ético para saber identificar situações nas quais seus doentes precisam de ajuda para além de medicamentos e tratamentos, mais ou menos invasivos . É impossível (não meramente difícil, mas impossível) basear decisões clínicas sólidas unicamente na evidência científica porque, como toda a ciência, a evidência sobre generalidades e pacientes são indivíduos particulares, únicos . O quase domínio da dor no século passado criou a crença em muitos profissionais (e até no público em geral) de que o sofrimento humano se encontra também controlado. Porém, isso não aconteceu, devido inclusive à dimensão simbólica que o sofrimento possui para cada pessoa, para cada comunidade e até para uma cultura civilizacional . A criação de matérias da área humanística não garante, por si só, formação mais integral e humanizadora dos profissionais de saúde 51, por causa de vários fatores, como o poder do paradigma mecanicista biomédico na academia do dito mundo civilizado. Estudos indicam que profissionais de saúde que tiveram formação nessa área a subestimaram de tal modo que, quando da sua prática clínica, não conseguem recordar que muito da formação de que sentem falta lhes foi oficialmente ministrado nas academias. O ideal do médico cinco estrelas se encontra muito longe de ser atingido, e a epidemia de negligência médica em alguns países assim o demonstra . Os próprios profissionais, aliás, são vítimas de uma formação que os treina para serem autômatos sem emoções, conduzindo-os por vezes para o esgotamento em todos os níveis . Por fim, é necessário que cuidadores informais, além dos formais, lembrem que pode existir sofrimento sem dor . Viver desestruturado, sem identidade e sentido para a vida constitui perigo não só para as pessoas em causa, mas também para comunidades .
Referências 1. Saunders C, Summers DH, Teller N, editores. Hospice: the living idea. Philadelphia: Saunders; 1981. 2. Munson P. Stricken: Voices from the hidden epidemic of chronic fatigue syndrome. New York: Haworth Press; 2000. 3. Coutinho JF, Fernandes SV, Soares JM, Maia L, Gonçalves OF, Sampaio A. Default mode network dissociation in depressive and anxiety states. Brain Imaging Behav. 2016;10(1):147-57. 4. Damásio A. The feeling of what happens: body and emotion in the making of consciousness. Nova York: Harcourt-Brace; 1999. 5. Varela FJ, Thompson E, Rosch E. The embodied mind. Cambridge: MIT; 1992. 6. Portugal. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Controlo da Dor. Lisboa: Ministério da Saúde; 2008. p. 6. 7. Cantista M. A dor e o sofrimento. Porto: Campo das Letras; 2001. p. 217. 8. Fricker J. Pain in Europe: a 2003 report. [Internet]. Cambridge: Mundipharma; 2003 [acesso 27 jan 2015]. Disponível: http://bit.ly/1UMyzW0 9. Le Breton D. Compreender a dor. Lisboa: Estrela Polar; 1995. 10. Groopman J. The anatomy of hope. Nova York: Random House; 2004. 11. Pfizer. Pro
 
http://www.scielo.br/pdf/bioet/v24n2/1983-8034-bioet-24-2-0225.pdf