
A preocupação é uma palavra muito proferida, reflete sempre um medo ou um receio, uma angústia, embora desmembrando a palavra teríamos pré ocupação, o prefixo "pré" significa antes de, "ao pé da letra" seria antes da ocupação, o que não teria nenhum sentido e nem equivaleria ao significado que imprimimos ao expressar uma preocupação.
Segundo encontra-se descrito a "preocupação é, num certo sentido, um ensaio do que pode dar errado e como lidar com isso. Há na preocupação, pelo menos para o cérebro límbico primitivo, alguma coisa de mágico. Como um amuleto que afasta um mal previsto, a preocupação ganha psicologicamente o crédito de prevenir o perigo com o que se está obcecado". Se por um lado possa funcionar como amuleto, por outro pode funcionar como imã que atrai justamente o que não queremos. Por exemplo quando vamos para um exame a nível dos estudos e temos consciência de que não estudamos determinado tema, ficamos receosos que saia no exame exatamente aquilo que não estudamos e não dá outra coisa, no exame lá está exatamente aquilo que receávamos.
"Debruçando" sobre o assunto não há sentido algum na preocupação como uma angústia ou um medo que sentimos em relação principalmente para com quem amamos, menos ainda se houver uma distância se interpondo. É um desperdício de energia.
Não é por nos preocuparmos que evitaremos que os nossos medos e receios deixarão de acontecer e muito menos resolveremos nada com a preocupação. Porque o que tiver que ser será.
Assim como não tem sentido expressar ao outro a nossa preocupação, apenas estamos gerando preocupações aonde até nem existiam ou nos tornando cansativos e sufocantes para o outro.
Há um provérbio oriental que diz mais ou menos assim: " Se há solução para que serve a preocupação, se não há solução de que adianta a preocupação?"
Exemplificando: Se gostamos de alguém e esse alguém está distante, embora próximo pela comunicação entre ambos, se por alguma razão essa comunicação deixa de existir, logo surge a preocupação que possa ter acontecido alguma coisa, uma angústia por achar que possa estar precisando de ajuda e não estamos próximos para ajudar, amparar, confortar, aliviar algum sofrimento ou dor que possa existir, além da angústia maior de sabê-lo doente ou o receio de ter chegado a hora de partir.
Nunca nos passa pela cabeça que a pessoa possa estar bem, mas levando uma vida muito atribulada e que não sobra tempo para se comunicar mas está tranquilo porque que a outra pessoa confia que se não comunicou foi porque não houve possibilidades de o fazer. Também não pensamos que pode não ter acesso aos meios de comunicação (acesso dificultado a Internet, problemas com o servidor, avaria nos aparelhos, problemas de informática a qualquer nível. Enfim nada que diga respeito ao bem estar, a segurança ou ao estado de saúde do outro e sim circunstâncias externas e muitas vezes alheias à vontade do doutro.
Neste caso a única solução, embora difícil de por em prática, é aguardar paciente e serenamente que a comunicação seja restabelecida, lembrando que para tudo há uma explicação e uma razão de existir, além de tentar controlar os pensamentos negativos que surgem e que possam abalar essa serenidade e paz de espírito.
Se o motivo de preocupação estiver relacionado connosco (emprego, situação financeira, dívidas, projetos, etc) também não tem sentido a preocupação, de nada adiante só serve para atrapalhar e dificultar a resolução. Um exemplo de preocupação ou medo inútil, absurdo e sem sentido, é o doente em véspera de uma cirurgia não conseguir dormir com a preocupação de não acordar da anestesia, "ficar na mesa de operação", ora ir para a cirurgia é o mesmo que ir dormir, quando vamos dormir dizemos sempre até amanhã, sem nos preocupar que poderemos não acordar no dia seguinte, se não acordarmos não sentiremos, da mesma forma se não acordar da anestesia, não sentiremos. Contudo, esse pode ser motivo de preocupação ou medo da família, que se interroga como será se isso acontecer.
Há que equacionar a preocupação e buscar a solução, "dar tempo ao tempo", embora isso seja ´mais fácil de dizer do que de fazer, mas como disse alguém um dia "tudo dá certo no fim, se não deu é porque ainda não chegou o fim".
Devemos transformar a preocupação em ação ou ocupação útl, canalizando e direcionando a nossa energia evitando, assim, o seu desperdício.





