Seja Bem Vindo!


Sua visita me deixou muito feliz...

Sua visita me deixou  muito feliz...

Amor & Emoção x Razão


terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Encontro de dois corações...concentração de energia cósmica

Willian Shaekspeare estava certo ao afirmar : ...
*..."Há mais coisas entre o céu e a terra que a nossa vã filosofia pode alcançar"
Um bom exemplo é toda a mágica energia que provém do Universo quando dois corações se encontram, há uma modificação de todo o ambiente, mesmo antes deles se encontrarem, o sol surge com uma tonalidade mais viva e incandescente, o dia adquire uma luminosidade, um brilho radiante, os passarinhos chilream entoando um canto harmonioso de felicidade. Durante o encontro nada mais existe a não ser o bater descompassado ditado pela emoção de sentir o calor e a energia transmitida pelo outro. Após o encontro nova modificação surge, só que desta vez é interna, fazendo com que a pessoa sinta-se com uma vitalidade diferente, chegando mesmo a se surpreender com suas atitudes e reações, de levar na esportiva, inclusive até rir da situação, sem se deixar abater ou afetar pela mesma, mantendo o equilíbrio e a paz interior, que em outras ocasiões seriam motivos de stress, de irritação, de uma "trovoada" ou "tempestade furiosa" ou de perder a "estribeira".
O mais surpreendente de tudo isso, é que a pessoa está envolvida na sua rotina sem que haja nenhum tipo de lembrança ou pensamento que possa originar tal transformação, só quando se apercebe da mudança é que toma consciência da relação causa e efeito produzido pelo encontro de outrora e aí sim as lembranças afloram em sua mente, confirmando esse pressuposto, porque:

*..."Quando fala o amor, a voz de todos os deuses deixa o céu embriagado de harmonia"

*..."O tempo é muito lento para os que esperam. Muito rápido para os que tem medo. Muito longo para os que lamentam. Muito curto para os que festejam. Mas, para os que amam, o tempo é eterno".
Realmente estas frases sintetizam bem a velocidade do tempo de acordo com a perspectiva utilizada...como o tempo demora a passar, quando se espera por alguém, parece que os ponteiros do relógio não andam, mas quando dois corações se encontram o tempo deixa de existir momentaneamente, para depois se tornar eterno, porque ficarão para sempre unidos por um fio invisível, mesmo quando estiverem afastados.
*..."Guarda teu amigo sob a chave de tua própria vida".
O amigo entra na nossa vida de forma inesperada, pouco a pouco passa a ser uma parte de nós mesmos, tem um cantinho reservado no nosso coração, por isso quando sorri nós sorrimos, quando chora, nós choramos, quando ele sofre, nós também sofremos, se o magoarmos ou ferirmos estamos ferindo a nós próprios.

Como explicar tudo isso a luz da razão?
Impossível faz parte dos mistérios que a vida encerra, aliás, a própria vida já é um mistério que a nossa razão não consegue desvendar.


sábado, 31 de janeiro de 2009

Chegada de um amigo...emoção e ansiedade!

A perspectiva da chegada de um amigo é sempre acompanhada de muita emoção e ansiedade. Só nessa hora é que temos a real noção de que a saudade e a falta que sentimos com a sua partida, é muito maior do que supúnhamos. Graças, lá está, aos nossos mecanismos de defesa que entraram em ação, para que pudéssemos ultrapassar essa ausência, sem que se tornasse insuportável e originasse comportamentos inadequados que não fossem bem aceites pelo amigo.
Na partida de uma amigo,uma tristeza nos invade, as lágrimas rolam quando vemos que ele já não as vê, porque está de costas para nós, rumo ao horizonte.

Ante a sua chegada, uma alegria imensa faz com que nosso coração dispare e a nossa cabeça fique a mil por hora, para saber como correu, o que fez enquanto esteve ausente, que aventuras teve, que emoções viveu, se houve mudanças na aparência, na forma de pensar, que planos tem, que metas visa alcançar, se conheceu lugares bonitos, se visitou lugares já conhecidos, enfim, tudo que aconteceu ou que viveu nesse tempo em que esteve ausente. Ouvir as histórias, os relatos, é o reviver das aventuras e emoções, de quem as viveu, e para quem as ouve, a oportunidade de sentir as mesmas sensações vividas por quem as conta.

Além das emoções, da ansiedade, a perspectiva da chegada do amigo é acompanhada de um profundo desejo de o abraçar para lhe dizer: Amigo querido que tenha um bom regresso! Que a rotina do seu dia-a-dia seja suave e tranquila! Que haja muitos sorrisos, poucas preocupações e nenhuma contrariedade ou aborrecimento. Se precisar eu estou aqui, conta comigo sempre!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O Eu interior nas fases da vida

Na infância o eu interior é indivisível com o eu exterior=> a criança é o que pensa que é, não tem limites, barreiras, fronteiras, estes são colocados pelos adultos que a cercam. Um exemplo, uma criança deficiente não o é para si mesma e nem para as outras crianças, até que é incutido na cabeças delas essa deficiência. Muitas vezes na tentativa dos adultos de protegê-las, acabam acentuando e reforçando a deficiência ou limitação existente e assim as crianças passam a ter essa percepção.

"O bebê nasce com um self que é um fenômeno biológico, não psicológico, acredita ele. O ego, em contrapartida, é uma organização mental que se desenvolve à medida que a criança cresce. O senso de self ou a consciência do self nasce quando o ego (o “eu” mental) passa a estar definido através da autoconsciência, da auto-expressão e do autocontrole. Mas esses termos referem-se à sensibilidade – à consciência, expressão e domínio das sensações. O self, portanto, pode ser definido como um aspecto sensível do corpo".
Na adolescência o eu interior é suplantado pelo eu exterior => é um período de muita mudança, principalmente a nível exterior; O egoísmo e o egocentrismo vigoram, os adolescentes são voltados para si mesmos, porém não são voltados para dentro de si, pouco ou nada param para "ouvir a voz" do seu interior, escutam apenas a voz do eu pertencente ao grupo em que estão inseridos ou tentam estar inseridos.
"Os obstáculos interiores são a ignorância e a fraqueza. O que não sabe o que tem de fazer só tem liberdade para errar, mas não para acertar. E aquele que é fraco, deixa que a desordem dos seus sentimentos ou a coacção externa lhe arrebatem a liberdade. A ignorância deixa a consciência às escuras: não pode decidir bem porque lhe faltam as bases, porque está deformada ou porque foi pouca formada, fica condicionada por qualquer influência ou ideia. Também as várias manifestações da fraqueza pressionam ou abafam a voz da consciência, quer por acção das paixões desordenadas, quer por causa da preguiça". http://artedeviver.no.sapo.pt/amorverdade.htm

Na vida adulta o eu interior começa a se manifestar=> Passado o "furor", a superficialidade, a crise de identidade da adolescência, o jovem adulto começa a se ouvir mais, já não sente o pertencer ao grupo como sendo prioritário, procura "ouvir" mais o seu eu interior do que propriamente o "eu" do grupo, passa a ser o seu "eu" e o "eu" do grupo, o eu interior mais o eu exterior, este último acaba prevalecendo, diferente do eu exterior da adolescência, para atender as exigências feitas pela sociedade, onde está inserido, obrigando a assumir responsabilidades cada vez maiores: Formação profissional, absorção no mercado de trabalho, aquisição de bens materiais, conquista de sua independência, progressão laboral, em alguns casos, constituição de sua família.

"Para alcançar a liberdade interior é preciso vencer a ignorância e as diferentes manifestações de fraqueza. Assim a consciência vai descobrindo a verdade e pondo em ordem os bens e os deveres. Daí a importância de ter verdadeiro amor à verdade".http://artedeviver.no.sapo.pt/amorverdade.htm

Na meia idade o eu interior supera o eu exterior =>tempo de balanço de vida, faz-se um apanhado do passado; Contraste entre o passado e o presente, se houve algum acontecimento negativo marcante no presente, surge uma melancolia ou saudade do passado e uma falta de perspectivas para o futuro. Cada vez mais o eu interior é "ouvido", muitas vezes gerando conflitos, porque o eu interior que se vai conhecendo contrasta com o eu exterior, como se aquele não passasse de um mero desconhecido, há uma incongruência entre os dois, interior e exterior, como se existissem duas pessoas numa mesma pessoa, a que se conheceu ou pensasse que se conheceu a vida inteira e a que vamos conhecendo ou pensasse que se vai conhecendo. ora perplexos pela descoberta dos horizontes que estavam latentes, ora decepcionados por estar iludido em relação a si mesmo.
"A nossa identidade dual assenta em nossa capacidade para formar uma imagem do self em nossa percepção consciente do self corporal. Numa pessoa saudável, as duas identidades são congruentes. A imagem ajusta-se à realidade do corpo como uma luva à mão de seu dono. Quando existe falta de congruência entre a imagem do self e o self, ocorre então um distúrbio de personalidade. A seriedade desse distúrbio está em proporção direta ao grau de incongruência. A discrepância é extremamente marcada na esquizofrenia, onde a imagem quase não tem relação alguma com a realidade. “As instituições psiquiátricas abrigam muitas pessoas que se consideram Jesus Cristo, Napoleão ou alguma outra figura célebre". (Lowen, 1993, p. 39)http://www.ligare.psc.br/leituras/self_des_saudavel_pg7.htm
"O nosso eu interior ou a nossa identidade pofunda se esconde atrás de muitas máscaras que a vida nos impõe. Pois a vida é um teatro no qual desempenhamos muitos papéis.Mas há um momento em que tudo isso é relativizado e vira pura palha. Então deixamos o palco, tiramos as máscaras e nos perguntamos: Afinal, quem sou eu? Que sonhos me movem? Que anjos que habitam? Que demônios me atormentam? Qual é o meu lugar no desígnio do Mistério? Na medida em que tentamos, com temor e tremor, responder a estas indagações vem à lume o homem interior. A resposta nunca é conclusiva; perde-se para dentro do Inefável".http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=650&class=06

Na velhice existe somente o eu sozinho => o eu exterior passa a ter muitas limitações que também vão limitando o eu interior, tornando -se isolado, solitário, muitos são considerados inúteis para a sociedade, que acha que o velho não é produtivo; Estorvo ou um peso para algumas famílias. Todo o seu conhecimento, sua experiência ao longo da vida, cai no esquecimento, originando um mergulhar forçado no seu interior, ficando cada vez mais submerso e perdido nos seus pensamentos. Talvez por isso a demência se instale e daí que muitos associam a velhice com a demência.

Contudo, seria bom se pudéssemos encarar essa etapa assim:"A velhice é a última chance que a vida nos oferece para acabar de crescer, madurar e finalmente terminar de nascer. Neste contexto, é iluminadora a palavra de São Paulo: "na medida em que definha o homem exterior, nesta mesma medida rejuvenesce o homem interior"(2Cor 4,16). A velhice é uma exigência do homem interior. Que é o homem interior? É o nosso eu profundo, o nosso modo singular de ser e de agir, a nossa marca registrada, a nossa identidade mais radical. Esta identidade devemos encará-la face a face.

O importante é preparar o grande Encontro. A vida não é estruturada para terminar na morte, mas para se transfigurar através da morte. Morremos para viver mais e melhor, para mergulhar na eternidade e encontrar a Última Realidade, feita de amor e de misericórdia. Aí saberemos finalmente quem somos e qual é o nosso verdadeiro nome". - Leonardo Boff http://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=650&class=06


quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Esquecimento ... um mecanismo psicológico de defesa

O ser humano possui mecanismos de defesa para poder superar situações de angústia, estes, são :
Ações subconscientes ou inconscientes que são ativadas quando algum tipo de manifestação é tido como ameaça para o ego. São utilizados como fuga da realidade quando o indivíduo está frente a angústias.(http://www.brasilescola.com/psicologia/mecanismos-defesa.htm)
Os mecanismos de defesa podem ser considerados as ações que têm por finalidade, reduzir qualquer manifestação que possa colocar em perigo a integridade do indivíduo, ou seja, o Ego procura se proteger de situações ameaçadoras.http://www.tiosam.net/enciclopedia/index.asp?q=Mecanismos_de_defesa
Os mecanismos de defesa bem estudados são: Sublimação; Repressão; Racionalização; Projeção; Deslocamento; Identificação; Regressão; Isolamento; Formação Reativa; Substituição; Fantasia; Compensação; Expiação;Negação;Introjeção.http://fundamentosfreud.vilabol.uol.com.br/mecanismosdedefesa.html

O esquecimento, ou melhor o não lembrar de determinados fatos ou situações, também pode ser um mecanismo de defesa, em especial quando a vida ou a morte, nos afasta do nosso ente querido... primeiramente sofremos com a ausência, depois com a saudade e quando esta se torna sufocante e angustiante, para nossa perplexidade, deixamos de lembrar das cenas que envolviam esse ente querido, passamos a viver como se ele não tivesse se afastado ou então como se não fizesse parte da nossa vida e sim parte de um sonho ou de uma fantasia, de um mundo paralelo, acabamos por nos deixar envolver pela nossa realidade, porque independente da nossa vontade ou do nosso querer, a vida continua e segue o seu rumo.

Essa cisão da realidade em duas não é permanente, pelo contrário é muito inconstante, faz com que haja uma flutuação no sentir, ora estamos em equilíbrio, sufocamos a angústia, ora desmoronamos, sufocados pela angústia que ressurge na crista da onda de uma lembrança, como um castelo de cartas que recebe uma lufada de vento.
É curioso, intrigante e desconcertante, quando no meio do lufa-lufa do dia-a-dia, por segundos paramos e pensamos que estivemos vivendo, como se não tivéssemos sofrido a dor da separação, da perda, da saudade, da culpa, que eventualmente carregamos, que pensamos existir e, às vezes, não passa de uma deturpação da nossa própria mente. Nesse momento nos sentimos culpados como se nos tivéssemos tornado insensíveis a ponto de excluir da nossa mente as lembranças do ente querido que se foi, como se o nosso sentimento por ele tenha deixado de existir ou pior acabamos por achar que para agir assim é porque nunca tenha existido, originando uma nova sensação angustiante, porém a nossa mente vem em nosso auxílio, desviando o nosso pensamento focando a nossa atenção em algo diferente, cortando a nossa percepção dessa situação e aí nos envolvemos novamente na nossa realidade e tudo parece voltar ao normal, ao equilíbrio.
Outro acontecimento, embora não haja estudos a comprovar, que possa ser um mecanismo de defesa lançado pelo organismo é a perda da consciência após uma situação traumatizante e até o estado de coma em determinadas situações, neste caso é como se o organismo fizesse uma "retirada estratégica" ganhando tempo para lançar mão das vias alternativas e dos "sobressalentes" para se recompor e poder combater o trauma ou agressão a que foi submetido.
Contudo, quando falham os mecanismo de defesa ou de estabilização, quer por ausência ou por exagero dos mesmos, a angústia pode acabar por se transformar em neurose ou noutro distúrbio mental.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Ser humano esse complexo, contraditório, desconhecido ser da natureza!



O ser humano é complexo, desconhecido, porém fascinante, como o é a natureza!
A complexidade começa na sua própria constituição: Matéria orgânica (corpo+ mente) e material etéreo (espírito); Passa pela constituição estrutural (sua anatomia, um conjunto de estruturas formadas a partir de sua unidade básica a célula que se reúne formando os tecidos, que se agrupam e formam os órgãos, que por sua vez se organizam formando os aparelhos e sistemas: nervoso, endócrino, circulatório, respiratório, imunitário, digestivo, urinário e reprodutor) e funcional (sua fisiologia, um complexo mecanismo de reações químicas, interligadas e interrelacionadas sob o comando do sistema nervoso e endócrino, que lançam seus produtos no sistema de canais e canalículos, os vasos sanguíneos, que os levam a todo o organismo, como se fosse uma montagem em série de uma fábrica ou indústria.
Apesar de todo o avanço tecnológico e científico, o ser humano ainda continua sendo um desconhecido em si mesmo, se assim não fosse não existiriam uma infinidade de doenças, umas raras, como a distrofia muscular e outras doenças genéticas , outras mais vulgares, como a gripe (provocada por um vírus), sendo raras ou vulgares, não apresentam um padrão uniforme de manifestações, porque vai depender do estado nutricional, constitucional, imunitário, psíquico de cada indivíduo para responder a agressão quer do próprio interior, como do exterior, da intensidade da agressão sofrida e do tempo a que ficou submetido à agressão. Exemplificando, quando sofre uma agressão, principalmente de um microrganismo, o organismo envia seus "soldados", os glóbulos brancos, para combater o agressor, mas para isso acontecer é necessário que os "vigilantes" sinalizem para o sistema nervoso e deste para o sistema endócrino, imunitário, hematopoietico e depois surgir a ordem de "atacar", numa cascata de reações químicas. Conforme o agressor assim é ativada uma determinada cascata de reações. São várias as cascatas que ocorrem no organismo, existem as principais vias e as vias alternativas ou sobressalentes.
Por isso que se diz, com muita razão, que "cada caso é um caso", porque cada ser humano é único. Cada gravidez, para uma mesma mulher, é sempre única, embora siga um padrão comum: fecundação (fusão dos gâmetas masculino e feminino, formando o ovo)-nidação (ovo se fixa no útero)-aumento do útero-desenvolvimento embrionário-desenvolvimento fetal-parto-involução uterina;
Tudo isso mostra como o ser humano é fascinante em termos de estrutura, de função, desse equilíbrio corpo e mente (mens sana in corporeo sano), dessa "teia" de reações químicas interligadas que decorrem da interação com o meio ambiente e com o próprio meio interno, essa homeostasia.
Contudo em termos sociais ou do seu comportamento em sociedade, ou nas relações sociais, esse fascínio se desvanesce porque o que prevalece é o oposto da sua essência, ou seja o seu lado escuro ou das trevas, representado pela mentira, falsidade, inveja, cinismo, hipocrisia, intriga, ofensa. injúria, calúnia, falta de respeito pelo semelhante e por toda a natureza, traição, infidelidade, desonestidade, corrupção, luta desenfreada pelo poder não importando que métodos são utilizados, afastando-se assim, cada vez mais, da sua natureza divina, repleta de luz e de amor, em consequência, afastando-se daquilo que todos almejam, a felicidade, que nada mais é do que o amor em toda a sua plenitude e magnitude.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Prazer uma expressão psícossomática de bem-estar

O prazer, particularmente falando, é uma expressão psicossomática de bem estar.
Para Aristóteles, na chamada Magna moralia (*) prazer é "um certo movimento da alma e um regresso total e sensível ao estado natural" Aristótesles (1998). Retórica. (Tradução e notas de Manuel Júnior, Paulo Alberto e Abel Pena). Lisboa: INCM, 1370 a, p. 83
"Os gregos usavam a palavra hedone, para dizer prazer e hedesthai, para tirar prazer O prazer é, também, um bem. Se o não fosse, como é que todos os seres vivos, e não apenas os seres humanos, o desejam? As coisas agradáveis e belas são necessariamente boas, pois as agradáveis produzem prazer, e as belas são agradáveis. Além disso, quando os prazeres provêm de fontes vis, não podem ser procurados pela pessoa virtuosa. É o caso da riqueza, que é um bem desejável, mas que o deixa de ser se resulta de uma traição. Decorre de tudo isto que "o prazer não é o bem, que nem todo o prazer merece ser escolhido, que alguns prazeres são intrinsecamente dignos de escolha, diferindo em espécie ou nas sua fontes dos que o não são" Aristóteles (1985). Nichomachean Etichs. (Introdução, tradução e notas de Terence Irwin). Indianapolis: Hackett, 1174 a 10, p. 273 .

O Ser humano desde os primórdios centra a sua existência na obtenção do prazer, sob as mais diversas formas, maneiras e aspectos; Isolado, a dois, ou em grupo.
O prazer isolado, geralmente é somático (soma= corpo), utiliza os 5 sentidos, um de cada vez ou todos em conjunto. Através da degustação de uma comida ou bebida, apreciação da beleza existente na natureza e nos seus entes, da fragrância de um perfume ou aroma, do desenvolvimento de um hobbie, da pratica de um desporto, da leitura de um livro, da audição de um som ou ainda na estimulação das zonas erógenas do seu próprio corpo. Contudo, o prazer isolado, pode ser Psicossomático, utiliza a força da mente (uma lembrança, uma visualização, uma fantasia) que reproduz no soma sensações semelhantes àquelas desencadeadas pelo estímulo dos 5 sentidos.
O prazer a dois, da mesma forma que o isolado, pode ser apenas somático, porém fugaz, logo "varrido", esquecido, porque só o corpo ficou impregnado dele, ou pode ser psicossomático (quando é expressão de um sentimento profundo, o amor), duradouro, divino, um autêntico "manjar dos deuses", que permanece para sempre armazenado na mente, impregnado no espírito de tal forma que, pode desencadear o prazer isolado, quando não estão juntos, num momento de grande saudade ou simplesmente numa pequena lembrança, como por exemplo, uma fragrância que surge de repente vindo do nada, mas que está de algum modo associado ou em relação com o outro e com os momentos de prazer a dois que tiveram juntos, desencadeando assim, as mesmas sensações maravilhosas outrora sentidas.

O prazer em grupo (orgias, bacanais, swing, etc..) basicamente é somático, acaba sendo a perversão dos sentidos ou valores morais e pode desencadear, após o prazer, o seu oposto, o sofrimento ou ter repercussões física, moral, espiritual, social e/ou psíquicas reversíveis, mas em alguns casos irreversíveis, como numa overdose.

Em sites, visitados por acaso (um deles referenciado, o outro não, por não ter ficado gravado), de onde transcreve-se, a título ilustrativo, o prazer descrito de forma dicotômica ou dualista, sendo corroborado pela psicologia como legítimos ou ilegítimos:
"Aristóteles identifica diferentes espécies de prazer. Quanto mais prazer temos com uma actividade, mais aumenta a nossa vontade de continuar a actividade. Cada prazer aumenta a actividade que lhe está associado. E pode, inclusivamente, torná-la mais longa, exacta e melhor. É o caso do músico que tira prazer a fazer música e que, quanto mais prazer tem na actividade, melhor músico se torna. O mesmo poderíamos dizer do romancista, do poeta, do filósofo ou do matemático. Mas o prazer não é o bem em si mesmo. Só é o bem quando é consequente com uma actividade boa. O prazer é muito importante na educação ética porque ele pode enganar-nos acerca do bem e destruir a nossa concepção do bem. Mesmo quando possuímos uma concepção correcta do bem, o apetite pelos prazeres pode conduzir-nos à incontinência e é, por isso, que a educação ética requer a competência para deliberar e decidir sobre os prazeres e as dores correctas. Desde que usufruídos com moderação, os prazeres são necessários à virtude e, embora não sejam o supremo bem, são necessários para que o homem possa alcançar o bem supremo: a felicidade Aristóteles (1995). Les Grands Livres D`Éthique (Magna Moralia). Évreux: Arléa, 1206 a.
"Pode-se falar de prazer negativo e de prazer positivo. Prazer negativo é todo aquele gerado por situações alheias ao ser, vindas de fora, contingentes, aderentes, consequentemente alienantes. O prazer, neste contexto, é sinonimo de hábito, de vício, de repetição, de fixação, de perda da liberdade, de alívio desde que totalmente endereçado para aplacar necessidades e desejos. Prazeres positivos seriam os subjetivos, os da inteligência, os do espírito. Esses dualismos valorativos estão presentes também na visão de Sto. Agostinho, quando em uma tentativa de trazer para a Idade Média os ideais platônicos, diz que só existe prazer na virtude, separando assim os prazeres pecaminosos (da carne) dos virtuosos (do espírito). Deus é o que se encontra depois de enveredar pelo caminho da virtude. Auto-controle, sacrifício são os luzeiros orientadores deste caminho. A humanidade está crivada: pecadores e virtuosos. Evidências e dogmas. Mais tarde, a psicologia veio em socorro deste homem cravejado. Prazer é prazer, é bom. Entretanto o bom não basta, será que é sinônimo do que não é ruim? Será que é uma repetição habitual de mecanismos despersonalizadores ou é a realização legítima de desejos e encontros? Socorro questionador pois que ao admitir o prazer buscava integrar a personalidade. Com a psicologia aparece uma nova divisão: prazeres legítimos e prazeres ilegítimos. O prazer da droga, do vício são ilegítimos, negativos, existem, mas devem ser abolidos, transformados. Da banalidade à complexidade surge também a legitimidade do prazer. Descobre-se que o prazer poderia provir de doenças, começou-se a estudar sua patologia. Fenomenologicamente, pensamos que prazer é o que resulta do encontro, é a faísca, luz e calor. Sempre que isso ocorre, há prazer, é bom, é simples, é legítimo. O difícil é exatamente existir o encontro. Via de regra, artefatos e instrumentos, aderências e construções é que levam ao encontro, transformando-o em um encaixe de peças de quebra-cabeça. Disponibilidade e aceitação estruturam autonomia, possibilidade de relacionamento. É aí, neste horizonte de possibilidades que nasce o prazer criador de infinito, atemporal, mágico e eterno, merecedor de mitos. Não é por acaso que sempre o prazer vem acompanhado do amor, de Eros. Só no contexto de disponibilidade e autonomia é que se evita a repetição, o hábito e a escravização muitas vezes confundidos com prazer". - (desconheço a autoria)
(*) pertencente ao chamado Corpus aristotelicum (conjunto de escritos deixados por Aristóteles
o magna moralia está inserido nos textos metafísicos)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Ainda a fascinante mente humana

A troca de ideias é muito enriquecedora porque cada ponto de vista gera uma nova reflexão e um aprofundar do próprio conhecimento, que gera novos questionamentos e novas tentativas de respostas.
Numa dessas trocas, a cerca de um comentário feito pelo Carlos sobre a mente, isto é, sobre as pessoas não se aperceberem do poder infinito da mente sobre o próprio corpo, surgiram 3 situações possíveis:
1-Algumas pessoas, não só tem consciência do poder da mente, como usam e usufruem desse poder.

2- Já muitas outras têm essa percepção mas não utilizam tal poder.
3- Outras ainda utilizam esse poder de forma instintiva, sem terem a consciência disso
No 1º caso talvez essas pessoas tenham se "debruçado" sobre a mente e foram investigando, experimentando com base na tentativa de erro e acerto e assim criando postulados para si próprios, ou seja foram suas próprias "cobaias" como se fosse um aventureiro, destemido que "embrenha na mata virgem" da mente, enfrentando todos os perigos e armadilhas que possam encontrar pela frente. Dentro deste contexto surge dois nomes de autores consagrados, ambos médicos especialistas em Psiquiatria: Brian Weiss que foca a regressão à vida passada, como no livro "Muitas vidas muitos mestres" ou "só o amor é real"; E Augusto Cury, voltado para a inteligência como no livro "os códigos da inteligência" ou influência da mente na vida, no próprio corpo, uma visão diferente da psiquiatria como no livro "Saga de um Pensador", livro este que deveria ser lido por todo o aluno de medicina, assim que entra para a faculdade.

No 2º caso as pessoas não apliquem por medo de não saber controlar esse poder e por isso vão cautelosamente "seguindo as pegadas" dos desbravadores destemidos. Vão avançando lentamente, talvez nunca cheguem a utilizar esse poder e muito menos usufruir dele., porque a vida gira numa velocidade estonteante, mas é breve, chegando mesmo a ser fugaz ou efémera para alguns e não espera por aqueles pouco destemidos.

No 3º caso, talvez mais perigoso, porque a pessoa não tem noção do próprio poder e se for aliado à falta de valores ou princípios éticos e morais, poderá ser uma ameaça a si própria e ao universo que a rodeia. O primeiro caso também pode ser perigoso para terceiros, se os destemidos não forem imbuídos de valores éticos, morais, se não forem do bem.

Seria um mundo perfeito se todos fossem do bem e estivessem enquadrados no 1º caso, porque o impossível deixaria de existir; O conhecimento teria como limite o infinito; A Humanidade teria um futuro brilhante.