O “sonho comanda a vida”, não me recordo aonde li ou ouvi essa frase, que concordo plenamente, principalmente porque durante muitos anos lutei para a realização de um sonho, mas que depois de realizá-lo a sensação não é de vitória e sim de frustração. Inevitavelmente surge uma pergunta: Qual é o pior: A frustração da materialização de um sonho numa realidade adversa não imaginada e não esperada ou a não realização de um sonho? Não existe uma frustração maior ou menor, existe a frustração. Quando temos um sonho por realizar, há sempre a esperança de um dia vir a se tornar realidade, porém essa esperança muitas das vezes impede que a pessoa realize ou sonhe outros sonhos, perca oportunidades de se desenvolver ou desenvolver outras habilidades que estejam latentes, ou ainda de progredir na vida.
Porém quando se luta para realizar um sonho também se perde oportunidades de desenvolvimento e deixa-se de construir o futuro, em função da realização desse sonho, além do mais ele pode demorar a ser concretizado e quando o for já poderá ser tarde demais ou encontrar uma realidade totalmente adversa e contrária aquela sonhada e idealizada e ficarmos perdidos sem rumo na vida. Neste caso, em consequência surgira a sensação de fracasso ao invés de sucesso, uma vitória com o gosto amargo de uma derrota, porque a vida anda e tudo se transforma, inclusive o nosso interior vai se modificando ao longo do tempo, de tal forma que, quanto mais tarde o sonho tornar-se realidade, mais descaracterizado e despersonalizado ele se apresentará e trará consigo a sensação de tempo perdido, pois afinal nem vocação ou habilidade possuíamos para aquilo que sonháramos um dia, ou estará fora de contexto no presente atual, como uma nota desafinada dentro da harmonia de uma sinfonia.
Contudo, continuo acreditando que não devemos deixar morrer os nossos sonhos, ante os obstáculos da vida, porém não devemos transformá-lo no único objectivo na vida, porque a vida é curta, as oportunidades surgem e não se repetem e se estivermos olhando numa única direção, não as conseguiremos ver.
Devemos emprender os esforços necessários para realizarmos os nossos sonhos, mas sem deixarmos de viver o momento, porque o presente é o aqui e o agora. E se a realidade se encarregar de destruir a essência do nosso sonho, devemos reformular o sonho de outrora adaptando-o às condições existentes, resonhar o sonho agora realizado, partindo do real e aparando as arestas da utopia e do lirismo anteriormente imaginados ou fantasiados.





