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domingo, 22 de abril de 2012

Anatomia da alegria


Os dias tem sido tão corridos, cansativos com a realização e elaboração de alguns projetos, neste período várias reflexões surgiram motivando a colocação no "papel", porém embora começadas, não foram acabadas, uma das quais foi o resgate da sabedoria popular antiga "rir é o melhor remédio" porque nesses dias houve a oportunidade de comprovar nas situações do dia-a-dia que realmente a alegria faz com que todos os problemas parecem ser contratempos e oportunidades do que realmente problemas. Esse resgate originou duas recordações: Algum tempo no passado sentia alegria quando conseguia fazer alguém sorrir e realmente fazia por conseguir que, quem cruzasse o meu caminho, esboçasse um sorriso, mas que não sei quando e nem porque deixei de proceder assim, inclusive deixei de prestar atenção se as pessoas sorriam.Nesta Páscoa inexplicavelmente senti que a família estava precisando sorrir  e por isso surgiu o desejo de tentar fazer sorrir a quem amo, recomeçar o que ficara interrompido no passado. A outra lembrança foi a promessa que fiz a mim mesma de responder a um amigo que deixara uma pergunta quando fez um comentário no post sobre prazer e como promessa é dívida e eu cobro, porque cumpro, saí em "campo" pesquisando para poder dar uma resposta fundamentada, entretanto ainda não vai ser agora que cumprirei a promessa, porque prazer está intimamente ligado com alegria e sensação de bem-estar e esta com o riso, daí "ficar perdida" nessa imensidão que é a Internet, encontrei tanta coisa interessante que resolvi compilar (no final tem os sites de onde foram compilados os temas com as respectivas imagens), ficou tão extenso que dividirei em 2 partes:  Este post "Anatomia da alegria" e outro "fisiologia da alegria e risoterapia" 

Circuito neuronal
A indução de alegria – resposta à identificação de expressões faciais de felicidade, à visualização de imagens agradáveis e/ou à indução de recordações de felicidade, prazer sexual e estimulação competitiva bem-sucedida– provoca a ativação dos gânglios basais, incluindo o estriado ventral e o putâmen (os gânglios basais recebem uma rica inervação de neurônios dopaminérgicos do sistema mesolímbico, intimamente relacionados com a geração do prazer e do sistema dopaminérgico do núcleo estriado ventral). A dopamina age de modo independente, utilizando receptores opióides e GABAérgicos no estriado ventral, na amígdala e no córtex orbitofrontal (relacionado a estados afetivos,como prazer sensorial, enquanto outros neuropeptídeos estão envolvidos na geração da sensação de satisfação por meio de mecanismos homeostáticos.
O primeiro cientista que identificou parte desses grandes circuitos foi Papez, em1937. Papez observou alguns pacientes que morriam de hidrofobia, e percebeu que muitas vezes experimentavam acessos de extrema fúria e terror nas horas que antecediam suas mortes. Ele tinha a percepção de que essa patologia era transmitida através da saliva de cães portadores do vírus da raiva, assim  deduziu que o vírus atingia o encéfalo dos doentes. Ao dissecar o sistema nervoso de alguns pacientes vitimados pela raiva, Papez percebeu que alguns aglomerados de neurônios que formavam um grande "C" no meio do encéfalo tinham sido atingidos pelo vírus. Como os pacientes apresentavam violentos acessos emocionais, o cientista Papez hipotetizou que as estruturas límbicas deveriam estar relacionadas com o comportamento emocional humano. A partir desse achado histórico, a ciência começou a entender de uma forma mais apurada a participação de cada um dos componentes do grande sistema límbico (Giro do cíngulo, giro para-hipocampaI e hipocampo perfazem os componentes corticais. Corpo amigdalóide ou amígdala, área septal, núcleos mamilares, núcleos anteriores do tálamo e núcleos habenulares compõem as estruturas subcorticais).
Neuroanatomia
O cérebro humano é constituído por  3 unidades cerebrais constituindo um único cérebro
1 - O arquipálio ou cérebro primitivo, constituido pelas estruturas do tronco cerebral - bulbo, cerebelo, ponte e mesencéfalo, pelo mais antigo núcleo da base - o globo pálido e pelos bulbos olfatórios. Corresponde ao cérebro dos répteis , também chamado complexo-R, pelo neurocientista Paul MacLean 
2 - O paleopálio ou cérebro intermediário(dos velhos mamíferos), formado pelas estruturas do sistema límbico. Corresponde ao cérebro dos mamíferos inferiores.

3 - O neopálio, também chamado cérebro superior ou racional (dos novos mamíferos), compreendendo a maior parte dos hemisférios cerebrais ( formado por um tipo de córtex mais recente, denominado neocórtex) e alguns grupos neuronais subcorticais. É o cérebro dos mamíferos superiores, aí incluídos os primatas e, consequentemente, o homem.  No dizer de MacLean, elas são três computadores biológicos que, embora interconectados, conservam, cada um, nas palavras do cientista, "suas próprias formas peculiares de inteligência, subjetividade, sentido de tempo e espaço, memória, motricidade e outras funções menos específicas"
 A unidade primitiva é responsável pela auto preservação. É aí que nascem os mecanismos de agressão e de comportamento repetitivo. É aí que acontecem as reações instintivas dos chamados arcos reflexos e os comandos que possibilitam algumas ações involuntárias e o controle de certas funções víscerais (cardíaca, pulmonar, intestinal, etc), indispensáveis à preservação da vida.3 - O neopálio, também chamado cérebro superior ou racional (dos novos mamíferos), compreendendo a maior parte dos hemisférios cerebrais ( formado por um tipo de córtex mais recente, denominado neocórtex) e alguns grupos neuronais subcorticais. É o cérebro dos mamíferos superiores, aí incluídos os primatas e, consequentemente, o homem.  No dizer de MacLean, elas são três computadores biológicos que, embora interconectados, conservam, cada um, nas palavras do cientista, "suas próprias formas peculiares de inteligência, subjetividade, sentido de tempo e espaço, memória, motricidade e outras funções menos específicas".
O desenvolvimento dos bulbos olfatórios e de suas conexões tornou possivel uma análise precisa dos estímulos olfativos e um aprimoramento das respostas orientadas por odores, como aproximação, ataque, fuga e acasalamento. No curso da evolução, parte dessas funções reptilianas foram sendo perdidas ou minimizadas (em humanos, a amígdala e o córtex entorrinal são as únicas estruturas límbicas que mantêm projeções para o sistema olfatório). É também aí, no complexo-R, que se esboçam as primeiras manifestações do fenômeno de ritualismo, através do qual o animal visa marcar posições hierárquicas no grupo e estabelecer o próprio espaço em seu nicho ecológico (delimitação de território).
Em 1878, o neurologista francês Paul Broca observou que, na superfície medial do cérebro dos mamíferos, logo abaixo do cortex, existe uma região constituída por núcleos de células cinzentas (neurônios), a qual ele deu o nome de lobo límbico (do latim limbus, que traduz a idéia de círculo, anel, em torno de, etc), uma vez que ela forma uma espécie de borda ao redor do tronco encefálico (em outra parte desse texto escreveremos mais sobre esses núcleos). Esse conjunto de estruturas, mais tarde denominado sistema límbico, surgiu com a emergência dos mamíferos inferiores (mais antigos). É ele que comanda certos comportamentos necessários à sobrevivência de todos os mamíferos. Que também cria e modula funções mais específicas, as quais permitem ao animal distinguir entre o que lhe agrada ou desagrada. Aquí se desenvolvem funções afetivas, como a que induz as fêmeas a cuidarem atentamente de suas crias, ou a que promove a tendência desses animais a desenvolverem comportamentos lúdicos (gostar de brincar). Emoções e sentimentos, como ira, pavor, paixão, amor, ódio, alegria e tristeza, são criações mamíferas, originadas no sistema límbico. Este sistema é também responsável por alguns aspectos da identidade pessoal e por importantes funções ligadas à memória. E, com a chegada dos mamíferos superiores ao planeta, desenvolveu-se, finalmente, a terceira unidade cerebral : o neopálio ou cérebro racional, uma rede complexa de células nervosas altamente diferenciadas, capazes de produzirem uma linguagem simbólica, assim permitindo ao homem desempenhar tarefas intelectuais como leitura, escrita e cálculo matemático. O neopálio é o gerador de idéias ou, como diz Paul MacLean - " ele é a mãe da invenção e o pai do pensamento abstrato".
Segundo a teoria Cannon-Bard : quando o indivíduo se encontra diante de um acontecimento que, de alguma forma, o afeta, o impulso nervoso atinge inicialmente o tálamo e aí, a mensagem se divide. Uma parte vai para a córtex cerebral, onde origina experiências subjetivas de medo, raiva, tristeza, alegria, etc. A outra se dirige para o hipotálamo, o qual determina as alterações neurovegetativas periféricas (sintomas). Ou seja, por esta teoria, as reações fisiológicas e a experiência emocional são simultâneas. O erro essencial da teoria Cannon-Bard foi considerar a existência de um "centro" inicial (o tálamo) para a emoção.

Anatomia da alegria/riso
Os músculos responsáveis pelo sorriso verdadeiro não podem ser controlados por 95% das pessoas, sendo o orbicular ocular um deles, que fica ao redor dos olhos, e que, quando ele se contrai, formam-se pe­quenas rugas do tipo pé-de-galinha, o olhar ganha um leve brilho, as bochechas se elevam e pequenas bolsas se formam embaixo dos olhos. Essas são as características do sorriso es­pontâneo, aquele que os bebês dirigem à mãe nos primeiros meses de vida
Músculos da Face
Os Músculos da Face
A face possui 44 músculos, sendo que alguns são denominados superficiais, de expressão facial ou miméticos.
Enquanto a maior parte dos músculos do corpo humano possuem suas origens e inserções (seus pontos de apoio) nos ossos, os músculos superficiais da face, frequentemente, estão ligados a outros músculos ou até mesmo à pele, o que permite a produção dos movimentos e expressões da face.
A peculiaridade da musculatura facial é a íntima ligação dos músculos que faz com que a movimentação de um músculo cause os movimentos de outros músculos, isso  é o que proporciona a grande diversidade de expressões faciais que podemos produzir consciente e não conscientemente, o que está diretamente relacionado com a capacidade humana de demonstrar emoções e de interagir no contexto social. possibilidade de expressar emoções pela face é um elemento fundamental para o estabelecimento da reciprocidade entre as pessoasSe você, por exemplo, sorrir para uma pessoa, é bem provável que receba um sorriso como resposta. Apesar disso não se constituir em regra, pois existem outros fatores que interferem na comunicação não verbal, é razoável esperar a reciprocidade. 
Fig 2 - Livro Pioneiro de DarwinA primeira abordagem moderna sobre esse tema foi realizada por Charles Darwin, em 1872, que divulgou suas pesquisas no seu livro As Expressões das Emoções no Homem e nos Animais. Nesse trabalho, entre muitas contribuições, ele levantou indícios de que determinadas expressões faciais, e os músculos que as produzem, poderiam estar relacionados à ocorrência de determinadas emoções. Depois desse trabalho, que serviu de marco inicial e inspiração para diversos outros pesquisadores, muito se avançou no estudo do tema.
Os músculos envolvidos na expressão de alegria estão representados nas duas imagens. As imagens indicadas com a letra A representam um sorriso de mera cortesia, enquanto as marcadas com a letra B indicam um sorriso verdadeiro. A diferença entre elas é a ação do músculo orbicular do olho e do Zigomático maior no levantamento das bochechas que é realizado como ação secundária de músculos que levantam o lábio superior(músculo zigomático maior é um músculo da boca. Se estende do osso zigomático até o ângulo da boca. Na contração, puxa o ângulo da boca súpero-lateralmente, dando a expressão facial de alegria, sorriso).
Ficheiro:Gray381.pngO médico William Fry Jr., conhecido como Dr. Humor, tendo pesquisado o riso por mais de trinta anos, declarou em 1991 que "o humor transforma as pessoas. E o efeito não pára na garganta... A alegria mexe com o corpo todo, tanto no as­pecto físico quanto no biológico". Ele chama esse efeito de "massagem interna", pois primeiro nosso corpo é movimen­tado e exercitado e depois relaxa e se tranquiliza.

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