Darwin postulou sobre a seleção natural onde sobrevive os mais adaptados às condições do meio ambiente. Nos dias de hoje o consumo de químicos industrializados é a tônica da sociedade, os organismos têm que se adaptarem para procederem ao seu metabolismo. Seguindo a lógica de Darwin, então os organismos que têm mais contactos com químicos, são aqueles que melhores estariam adaptados ao meio e teriam maior chance de sobrevivência ou será ao contrário? A alteração do funcionamento do organismo em face aos químicos ingeridos acaba tornando esse organismo evoluído ou um organismo adaptado? Ou será que neste caso evolução é sinônimo de adaptação?
Quem estará mais adaptado aquele que por tudo e por nada ingere um medicamento ou aquele que só o faz em último recurso, protelando ao máximo o seu uso? Que organismo estará mais preparado, aquele que ao menor sinal de dor toma um analgésico, ou aquele que dá condição do organismo de fabricar o seu analgésico interno e só mesmo quando este se torna incapaz ou ineficiente é que o ajuda ingerindo um analgésico? Será que no primeiro caso o alívio imediato do sofrimento não estará "cultivando" um sofrimento maior, porque terá necessidade de doses cada vez maiores de analgésico e mais potentes, porque o organismo vai se adaptando e aumentando a tolerância ou habituação ao fármaco, tornando-se um quimicodepentente?
A sensação é de que as pessoas estão cada vez mais doentes e consumindo mais e mais químicos, quer seja por auto medicação ou por prescrição médica, muitos deles "naturais", por exemplo as frutas são fontes de vitaminas e ricas em fibras, porém algumas pessoas vivem ingerindo suplemento vitamínicos vendidos nas farmácias ou nas hervanárias e/ou lojas de produtos naturais, mas não comem uma peça de fruta. Quantas pessoas trocam a água por sucos "naturais" industrializados, cheio de químicos, se bem que as águas estão recebendo aditivos para ter água com sabor a limão, abacaxi, ou com adição de substância supostamente rica em fibras para "manter a forma física" e com isso mais químico para dentro.
Por outro lado antes era do senso comum que as crianças quanto mais protegidas, mais alergias tinham e estavam sempre doentes, ao contrário daquelas menos protegidas que brincavam livremente, que corriam, saltavam, brincavam na terra, justamente porque aquelas não criavam as defesas necessárias, quando entravam em contacto com um agressor, por algum descuido, pela primeira vez, por mais ligeiro que fosse, geravam reações acentuadas, em comparação com estas que raramente adoeciam, pois o organismo delas estavam sujeitos as agressões do meio e por isso vão fabricando as defesas para se proteger.
Tudo isto acaba sendo um paradoxo. Este caminho não conduzirá a uma involução do Homem ao invés da sua evolução?




