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quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O valor de um Amigo


Vinicius de Morais escreveu " procura-se um amigo" título de um texto, logo a seguir, que pode traduzir:
*Um estado de espírito, solidão.
*O valor inestimável de um amigo, alguém que vai além das aparências, da beleza física, da crença religiosa, do "status" social, das crenças religiosas ou políticas, que apesar de nos conhecer, fica ao nosso lado, porque gosta de nós, independente de nossos defeitos ou falhas, que nos carrega no colo, nos conforta e nos acarinha, quando atravessando momentos difíceis, mas que também dá "um puxão de orelhas" quando precisamos.
* A necessidade de ter alguém para compartilhar nossos medos, angústias, tristezas, preocupações, sonhos, alegrias, realizações, descobertas e para comemorar connosco nossa vitória e sucesso.
Nos tempos que corre essa é uma frase que muito se utiliza, mas pouco adesão possui, motivo pelo qual, as pessoas estão cada vez mais distanciadas uma das outras, chegando mesmo a ficarem isoladas, o número de casos de depressão está aumentando assustadoramente, o pior, é que está surgindo em crianças. As crianças são pouco estimuladas para construírem relacionamento de amizade, acrescido o facto da situação econômico-financeira estar pouco estável e do aumento da violência e criminalidade que gera um clima de insegurança, medo e até pânico, a nível mundial, além do mais as crianças têm os horários muito preenchidos, de tal forma que não sobra tempo para serem crianças, de poderem brincar despreocupadamente e sonhar.
Como tudo na vida existem as duas faces de uma mesma moeda, precisa-se de um amigo é uma, ser amigo é outra, quando se coloca um "aviso /pedido" é para satisfazer a nossa necessidade, porém não devemos descuidar de que o nosso amigo também precisa de um amigo, não podemos egoisticamente olhar para as nossas necessidades, "alugando" ou sufocando o amigo:
Se precisamos ser ouvido, ele também tem necessidade de que o ouçam
Se temos vitórias a comemorar ele também as tem, ou então tem derrotas que precisa desabafar
Se prestamos mais atenção às nossas necessidades, acabamos por não prestar mais atenção às necessidades do amigo.
Há que equilibrar os dois pratos da balança, através da troca de experiências e sensações, porém devemos tentar nos colocar no lugar do outro, antes de fazer "cobranças" ou expressarmos emoções e sentimentos fora do contexto e do momento, que possam vir a causar embaraço ou deixar o amigo numa posição desconfortável e até mesmo numa "sinuca" sem saber o que fazer ou dizer para não nos magoar.
"Procura-se um amigo":
"Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive". (Vinicius de Morais)

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